Giro do Mercado

Ata do Copom reforça cautela e limita espaço para cortes da Selic, diz economista da Lifetime

23 jun 2026, 14:28 - atualizado em 23 jun 2026, 14:28
selic-juros-economia-fiscal inflação ipca copom
(Imagem: iStock/ Rmcarvalho)

Na avaliação de Marcela Kawauti, economista-chefe da Lifetime, a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (23), reforça o desafio do Banco Central (BC) de combater uma inflação ainda resistente sem ignorar os efeitos defasados da política monetária.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Durante o Giro do Mercado (assista na íntegra abaixo), apresentado pela jornalista Giovana Leal, Kawauti afirmou que o documento trouxe um diagnóstico mais duro para a inflação, com piora dos dados correntes e das expectativas. A alta dos índices cheios e dos núcleos inflacionários aponta para um cenário ainda pouco favorável a cortes de juros.

IBOVESPA AO VIVO: ATA do COPOM e preocupação com a IA dominam mercado; o que olhar hoje?

Kawauti afirmou que o Copom não vê um ambiente confortável para reduzir a Selic, mas mantém essa possibilidade ao reconhecer que os efeitos da política monetária ainda estão em curso.

Mercado segue sem clareza sobre ritmo de cortes

Para Kawauti, a principal mensagem da ata foi a manutenção de uma comunicação cautelosa. O Copom deixou aberta a possibilidade de cortes, mas não indicou uma trajetória definida para a Selic.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo a economista, o mercado segue dividido entre três fatores: a inflação persistente e as expectativas acima da meta; os efeitos defasados da política monetária restritiva; e a tentativa do BC de evitar uma desancoragem adicional das expectativas.

A indicação de que o Banco Central seguirá acompanhando de perto as expectativas do mercado também aumenta a incerteza sobre os próximos passos da autoridade monetária.

Convergência da inflação fica mais distante

Kawauti avalia que a previsão de convergência da inflação para a meta de 3% apenas no primeiro trimestre de 2028 indica um processo de desinflação mais lento.

Para ela, o adiamento do horizonte não é necessariamente negativo, desde que a convergência seja mantida. “Uma convergência mais tardia ainda é melhor do que um cenário de não convergência, que continua presente nas projeções de mercado”, afirmou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As expectativas de inflação seguem acima da meta, próximas de 3,5% no longo prazo, indicando que a ancoragem ainda não está totalmente consolidada.

Cortes de juros devem ser graduais

Na avaliação da economista, o cenário atual limita o ritmo de redução da Selic. Entre os fatores de cautela estão o mercado de trabalho aquecido, o avanço real dos rendimentos, a política fiscal expansionista e as pressões externas sobre preços, especialmente de energia e alimentos.

Kawauti considera que o espaço para cortes adicionais é restrito, com possibilidade de reduções pequenas, de 0,25 ponto percentual, e até uma pausa caso os indicadores não apresentem melhora.

Próximos dados serão decisivos

A economista destaca três pontos que devem influenciar a trajetória dos juros:

  • Cenário externo: tensões geopolíticas e comportamento das commodities podem afetar a inflação.
  • Câmbio e fiscal: desempenho do real e evolução das discussões fiscais seguem no radar do mercado.
  • Inflação doméstica: a dinâmica dos preços de serviços continua como um dos principais focos de atenção.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No cenário-base, Kawauti projeta a Selic em torno de 13,75% ao fim de 2026, com cortes limitados e condicionados à melhora do ambiente inflacionário.

Para a economista, a ata reforça que o espaço para flexibilização é limitado e que os próximos movimentos dependerão da evolução dos dados econômicos.

Para ficar por dentro das principais notícias e análises da bolsa, inscreva-se no canal do Money Times no YouTube e acompanhe o Giro do Mercado, ao meio-dia.

*Sob supervisão de Kaype Abreu

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Estagiário no Money Times e estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Foi trainee e repórter freelancer na Folha de S.Paulo.
Estagiário no Money Times e estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Foi trainee e repórter freelancer na Folha de S.Paulo.
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar