Até um dos mais otimistas pisou no freio: Inter eleva projeção da Selic e vê pausa nos cortes
Um dos bancos que mais apostavam na continuidade da queda dos juros entre as instituições acompanhadas pelo Money Times durante o ano, o Inter passou a prever uma interrupção dos cortes antes do esperado. O banco agora estima que a Selic encerre 2026 em 13,50%, ante os 13,25% projetados anteriormente, diante da piora das perspectivas para a inflação e das incertezas fiscais.
O cenário principal ainda contempla uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião de novembro do Comitê de Política Monetária (Copom). Mas esse seria o último corte antes de uma pausa que, na avaliação do banco, deve durar até o fim de 2027.
A mudança marca um recuo de uma instituição que vinha defendendo mais espaço para a flexibilização monetária. A projeção de Selic em 13,25% já aparecia nos relatórios do Inter pelo menos desde maio. No levantamento do Money Times anterior à reunião de setembro, o banco estava entre as quatro casas que esperavam esse patamar para dezembro, enquanto dez projetavam juros de 13,75%.
Agora, até mesmo o corte de novembro está sujeito a revisão. No relatório assinado pela economista-chefe Rafaela Vitória, o Inter reconhece que o Banco Central pode antecipar a pausa e manter a taxa nos atuais 13,75%.
Inflação muda o cenário
A cautela acompanha uma revisão expressiva da projeção de inflação para 2027: de 3,9% para 5%. O banco avalia que o IPCA acumulado em 12 meses pode se aproximar de 6% até fevereiro.
Entre as fontes de pressão estão a alta do dólar para R$ 5,40, a retirada parcial dos subsídios à gasolina e os possíveis efeitos do fim da escala 6×1 e da implementação do IVA em 2027. Segundo o relatório, esses fatores podem provocar reajustes inesperados, principalmente nos serviços.
“As revisões de expectativa para o IPCA para 2027, no nosso caso de 3,9% para 5%, devem dar um tom de cautela para o BC”, afirma Vitória.
A desaceleração da economia, por outro lado, ainda sustenta a expectativa de um último corte. O Inter vê perda de força generalizada nos indicadores de atividade e crédito, além de sinais de arrefecimento do mercado de trabalho, apesar do desemprego na mínima histórica.
Na avaliação do banco, uma Selic de 13,50% seria suficientemente restritiva para amortecer os choques inflacionários esperados para o começo de 2027. Isso permitiria uma redução adicional, mas sem espaço para continuar o movimento depois.
Novos cortes dependem do fiscal
O Inter estima que as reduções dos juros sejam retomadas somente no fim de 2027, condicionadas à implementação de medidas fiscais.
Para o banco, será necessário combinar ações que melhorem o resultado das contas públicas no próximo ano com mudanças estruturais que controlem a expansão dos gastos nos anos seguintes.
O relatório também admite um cenário mais adverso co uma possível volta das altas da Selic. Embora considere essa possibilidade improvável neste momento, Vitória não a descarta caso o governo adie medidas de ajuste ou amplie despesas de forma imprevisível, agravando o déficit e pressionando o real.
Assim, o banco que vinha apostando em cortes até dezembro agora vê o próximo passo do Copom como uma possível despedida da queda dos juros por mais de um ano.