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Azzas 2154 (AZZA3): Com divórcio e guarda compartilhada da Farm, como ficam os acionistas?

04 set 2026, 15:58 - atualizado em 04 set 2026, 16:00
Azzas 2154
(Imagem: Montagem/Money Times)

Depois de conflitos e desentendimentos, o casamento da Azzas 2154 (AZZA3) se encaminha para o fim, com a guarda compartilhada da marca Farm. Nesse imbróglio, a operação não prevê direito de retirada aos acionistas minoritários.

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Na quarta-feira (2), a companhia, resultado de uma fusão realizada em 2024 entre a Arezzo&Co e o Grupo Soma, anunciou a entrada no processo de separação.

O acordo da cisão propõe uma reorganização societária para separar os atuais negócios da Azzas em duas companhias abertas independentes e listadas no Novo Mercado da B3, com estruturas de administração e governança próprias.

Dessa maneira, Arezzo&Co e a SOMA seriam retomadas, sendo a primeira liderada pelo bloco de Alexandre Birman e a SOMA liderada pelo bloco de Roberto Jatahy.

Na seperação de bens, a Arezzo&Co ficará com a plataforma de calçados e acessórios, reunindo marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Alexandre Birman e Carol Bassi. A companhia também passará a controlar a Hering, que atualmente integra o portfólio da Azzas.

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Já a Soma concentrará as marcas Animale, NV, Maria Filó, Cris Barros, Foxton, Oficina e Reserva, esta última atualmente vinculada à estrutura da Arezzo.

Mas como fica o acionista? Pelo acordo, cada acionista da Azzas se tornará titular de ações de emissão de ambas as companhias, Arezzo&Co e SOMA, na mesma proporção das participações detidas no capital social da companhia, com o intuito de preservar o capital de cada um.

Ou seja, o investidor receberá ações tanto da Arezzo&Co quanto da SOMA. Ainda não se sabe o futuro do ticker AZZA3.

A XP Investimentos pondera que, caso a cisão se concretize, os portfólios retornarão, em grande medida, à configuração anterior à fusão, com a principal mudança sendo a troca da Reserva (originalmente Arezzo&Co) pela Hering (ex-Grupo Soma), além da Farm se tornar uma empresa independente.

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A reorganização ainda precisa passar pela verificação de condições usuais, incluindo a aprovação pelos órgãos da administração e pela assembleia geral da companhia, além da aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e aprovação da listagem das ações de emissão da SOMA no segmento Novo Mercado da B3.

Na avaliação dos analistas do JP Morgan, a separação permitirá que cada grupo opere com gestão própria e foco total em seus respectivos negócios. “O acordo agora permite a existência de duas empresas com gestão e governança independentes, além de reorganizar a Farm em uma estrutura separada.”, escreveram os analistas.

A guarda compartilhada

O arranjo da separação prevê a guarda compartilhada da Farm e suas extensões, incluindo Farm Brasil, Farm Internacional e Fábula, com a constituição de uma sociedade detida 57,4% pela Arezzo&Co e 42,6% pela Soma, mas com gestão e governança próprias.

Conjuntamente, a Arezzo&Co e SOMA darão continuidade ao processo de avaliação de alternativas estratégicas para a Farm Rio, que já estão em curso.

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Para os analistas da XP, a venda da Farm parece cada vez mais provável. A casa estima um valor patrimonial de US$ 360–900 milhões pode equiparar ao valor de mercado da Azzas, o que parece um risco de alta para a tese.

“Vemos o movimento como um desfecho crível para a disputa de governança entre os acionistas controladores”, dizem os analistas.

A Farm é vista como a joia da coroa da Azzas. Segundo os gestores ouvidos pelo Money Times, a marca é um fator de destaque desde a junção entre as companhias.

Um exemplo é sua presença internacional consolidada, com peças vestidas por personalidades de destaque, como Taylor Swift – ao passo que Birman, que almejava alcançar o mundo com marcas como Arezzo e Schutz, deixou a desejar nesse quesito.

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Em junho deste ano, a Azzas confirmou a contratação do Morgan Stanley para assessorar a avaliação de alternativas estratégicas envolvendo os ativos relacionados à marca, “com o objetivo de destravar valor”.

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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