B3 (B3SA3): Mesmo com dados de junho, analistas enxergam valuation atrativo
A B3 (B3SA3) divulgou os seus dados operacionais de junho completando a base de informações do segundo trimestre de 2026 (2T26). Apesar da fraqueza já esperada no volume de negociações do período, a avaliação de analistas é de que os números foram neutros ou ligeiramente positivos.
O volume médio diário negociado (ADTV) no mercado à vista de ações atingiu R$ 32,8 bilhões, 21% superior ao registrado um ano antes. Na comparação trimestral, porém, houve queda de 11%, após um início de ano forte.
Os volumes sob custódia no mercado de balcão (OTC) também recuaram 12% em relação ao trimestre anterior.
Por volta das 12h40 (horário de Brasília), a B3SA3 recuava 1,53% (R$ 15,45). A ação aparece entre as mais negociadas do Ibovespa (IBOV), com giro de capital de R$ 296,3 milhões e total de 15,7 mil negociações.
Fraqueza já era esperada
Na avaliação dos analistas do Bradesco BBI, os números de junho da B3 foram neutros, com leve tendência positiva.
“Embora os volumes de negociação tenham ficado abaixo das nossas estimativas, entendemos que a fraqueza observada no trimestre já era amplamente esperada e parece refletida nos preços das ações”, afirma.
Além disso, o BBI ainda enxerga um cenário mais favorável para a B3 na segunda metade de 2026, à medida que a volatilidade econômica, as discussões sobre juros e o cenário político tendem a impulsionar a atividade de negociação em diferentes classes de ativos.
“Somado a isso, a expansão contínua dos segmentos de derivativos e renda fixa contribui para diversificar as fontes de receita da companhia. Com valuation atrativo e potencial de melhora operacional no segundo semestre, mantemos uma visão positiva para B3SA3″, diz.
B3 é uma nova preferida dos investidores locais?
Para o BTG Pactual, os dados de junho da B3 vieram em linha com o esperado, com ações e renda fixa compensando a fraqueza em derivativos.
De acordo com o banco, as ações da B3 estão sendo negociadas atualmente cerca de 20% abaixo de sua máxima recente.
“Após uma sequência de revisões positivas nas estimativas, começamos a observar algumas revisões marginais para baixo. Embora já tivéssemos rebaixado nossa recomendação para o papel no início deste ano — principalmente por questões de valuation —, a recente correção das ações tornou a tese mais interessante”, explica o BTG.
Em conversas mais recentes com investidores, porém, o BTG considera que os investidores locais estão cada vez mais migrando para a B3 como forma de aumentar a exposição ao risco.
Ainda assim, o banco mantém a recomendação neutra para B3SA3, com preço-alvo de R$ 20, o que implica um potencial de valorização de 27,5% em relação ao fechamento anterior.
Expectativas para o 2T26
O Banco Safra, no geral, considerou que a desaceleração dos indicadores operacionais da B3 era esperada e deve resultar em um crescimento mais moderado da receita do 2T26 na comparação anual.
O banco estima uma queda de aproximadamente 3% no lucro antes dos tributos frente ao trimestre anterior, com o lucro líquido podendo se aproximar de R$ 1,7 bilhão.
Além disso, o Safra estima uma receita líquida de R$ 2,737 bilhões, crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O Safra tem recomendação de compra para a B3, com preço-alvo de R$ 23, o que implica um potencial de valorização de 47% ante o último fechamento.