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B3 (B3SA3) vê retomada do mercado de capitais e aposta em reabertura da janela de IPOs no Brasil

11 maio 2026, 11:50 - atualizado em 11 maio 2026, 11:50
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(Imagem: Divulgação/B3)

A B3 (B3SA3) avalia que o mercado brasileiro de capitais começa a entrar em um novo ciclo de retomada, com sinais de reabertura da janela para ofertas iniciais de ações (IPOs) após anos de atividade praticamente congelada na bolsa brasileira.

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As declarações foram dadas nesta segunda-feira (11), durante a cerimônia de estreia das ações da Compass na bolsa brasileira. A operação da companhia de gás natural do grupo Cosan é vista pelo mercado como um marco simbólico da retomada das aberturas de capital no Brasil após um jejum de quase cinco anos.

Segundo executivos da B3, a expectativa de queda da taxa de juros no país, combinada ao retorno gradual do investidor estrangeiro e ao crescimento contínuo da participação do varejo na bolsa, pode destravar novas operações ao longo dos próximos trimestres. Hoje, mais de 50 empresas já estariam em estágio avançado de preparação para acessar o mercado.

“A gente acredita sim que esse movimento é um movimento de reabertura de janela”, afirmou Viviane Basso, vice-presidente de operações da B3. “Na medida em que os juros começam a cair, o mercado de capitais brasileiro se torna bastante atrativo, não só para os investidores locais, mas também para os investidores estrangeiros.”

Nos últimos anos, o ambiente de juros elevados reduziu drasticamente o apetite por renda variável. Com retornos elevados na renda fixa, investidores migraram recursos para títulos públicos, crédito privado e produtos conservadores, reduzindo liquidez e demanda por novas ações na bolsa.

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Esse cenário afetou diretamente o mercado de IPOs. Empresas que planejavam abrir capital acabaram adiando operações diante da combinação de valuation deprimido, menor interesse de investidores e maior volatilidade macroeconômica.

Agora, a percepção dentro da B3 é de que esse ciclo começa a mudar.

Leonardo Resende, superintendente de empresas e mercado de capitais da bolsa, afirmou que o pipeline atual já é considerado robusto. Segundo ele, há “pouco mais de 50 empresas” em preparação para listar ações.

Parte dessas companhias já possui registro de companhia aberta na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), etapa considerada importante dentro da jornada de um IPO. Na prática, isso significa que as empresas já avançaram em processos de governança, transparência, auditoria e estruturação para acessar o mercado.

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“Tem várias empresas que já estão nessa jornada e que a gente acredita sim que estão próximas de tocar a campainha aqui com a gente”, disse Viviane.

O pipeline de IPOs da B3

Segundo os executivos, setores ligados à infraestrutura e ao agronegócio aparecem entre os mais ativos nessa nova leva de potenciais ofertas.

“A própria Compass é um exemplo de setor que utiliza bastante financiamento e participa de processos de leilão”, afirmou Leonardo Resende. “Agronegócio também é um setor bastante presente.”

A leitura da B3 é que companhias desses segmentos tendem a se beneficiar mais rapidamente de uma eventual melhora nas condições financeiras, já que dependem intensamente de capital para expansão, novos projetos e investimentos de longo prazo.

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A bolsa também destacou que o mercado brasileiro hoje possui uma base mais diversificada de investidores do que em ciclos anteriores.

Além do investidor estrangeiro, os executivos apontam crescimento consistente da participação da pessoa física e dos investidores institucionais locais, o que ajuda a dar maior estabilidade para novas ofertas.

“Você acessa investidores institucionais locais, varejo local e investidores internacionais do mundo inteiro”, afirmou Viviane. “Isso traz bastante robustez e estabilidade para a trajetória da companhia dentro do mercado de capitais.”

Outro ponto abordado pelos executivos foi a disputa entre a bolsa brasileira e os mercados internacionais — principalmente os Estados Unidos — pelas listagens de empresas brasileiras, especialmente companhias de tecnologia e fintechs.

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Nos últimos anos, diversos grupos optaram por listar ações fora do Brasil em busca de valuations maiores, maior liquidez e proximidade com investidores especializados em tecnologia.

A B3, porém, afirmou que vem tentando ampliar sua competitividade com novos produtos, estruturas de listagem e aproximação com empresas em fase de preparação. “A gente vai sempre apresentar a nossa proposta em comparação de custos e regulação”, disse Leonardo Resende.

Os executivos também citaram o caso da Vittia como exemplo recente de companhia que realizou listagem no exterior e posteriormente retornou ao mercado brasileiro.

Segundo a B3, o movimento reforça a percepção de que empresas locais podem encontrar no mercado brasileiro maior proximidade com investidores, clientes e com a própria narrativa da companhia.

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“É uma conexão muito mais forte com a cultura da companhia, com a história da companhia”, afirmou Viviane.

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Editor
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
Jornalista formado pela Unesp, tem passagens pelo InfoMoney, CNN Brasil e Veja. Pautas para vitor.azevedo@moneytimes.com.br
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