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Banho de água fria? Ibovespa volta ao tom negativo e dólar supera R$ 5,20 com Warsh

28 ago 2026, 11:58 - atualizado em 28 ago 2026, 12:25
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(Imagem: Freepik/ Montagem: Julia Shikota)

O Ibovespa (IBOV), que começou o pregão em leve alta, inverteu o sinal para o negativo, com novas falas do presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Kevin Warsh, reforçando as apostas de uma alta nos juros norte-americanos em setembro.

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Por volta de 11h30 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira bateu a mínima intradia, aos 174.644,05 pontos, com queda de 0,28%.

Em Wall Street, os índices também testaram o tom negativo: Dow Jones caiu 0,09%, aos 53.522,07 pontos; S&P 500 recuou 0,06%, aos 7.726,49 pontos e Nasdaq operou com queda de 0,14%, aos 26.504,402 pontos. O movimento, porém, logo se inverteu e os índices voltaram ao território de ganhos.



O câmbio, por sua vez, teve um reflexo maior das falas: o DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes como euro e libra, bateu máxima intradia aos 99,593 pontos (+0,44%). Na comparação com o real, a divisa norte-americana atingiu R$ 2,5131 (+0,99%) no mercado à vista.

No mercado de juros, as taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiros (DIs) de médio e longo prazos acentuaram alta, com ganhos de até 9 pontos-base. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, os Treasuries, operam voláteis.

O que Warsh disse para ‘abalar os mercados’?

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Durante o discurso no simpósio de Jackson Hole, Warsh afirmou que o Fed “terá trabalho a fazer” caso a inflação não caminhe rapidamente para a meta de 2%.

“Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho, nosso mandato, e nossa responsabilidade”, disse Warsh.

Segundo o chair do Banco Central mais poderoso do mundo, “o progresso [de levar a inflação à meta] nos últimos dois anos tem sido modesto”, disse Warsh. O Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) — preferido pelo Fed —, permaneceu em 3,7% em base anual até julho.

Warsh ainda disse que a prática de orientação futura (forward guidance, em inglês) “já se prolongou demais”, destacando que a prática foi criada para lidar com a crise financeira de 2008.

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“A transparência da comunicação de decisões futuras não é uma virtude em si, ela deve servir à responsabilidade principal do Fed: acertar a política monetária”, disse ele, acrescentando que a comunicação ideal seria “limitada”.

Ele ainda também defendeu a criação dos cinco grupos de trabalho para estudo sobre questões de longo prazo, cujos resultados, segundo Warsh, “virão mais tarde e não terão influência nas decisões que tomamos na conjuntura atual de política monetária. Mas acredito que, para os desafios futuros da política monetária, esse investimento intelectual de hoje nos deixará muito mais bem preparados”.

O presidente do Fed, por sua vez, não abordou diretamente as recentes intervenções no mercado de títulos realizadas pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, mas afirmou que o Fed “precisa de sinais claros do mercado, o mais puros possível”, para definir uma política monetária adequada.

Por dentro dos mercados

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Após as falas de Warsh, o mercado consolidou as apostas de uma nova alta nos juros na próxima decisão do Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed, em setembro. Antes, a precificação era de elevação nos juros apenas na reunião de outubro.

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Agora, a ferramenta FedWatch, do CME Group, aponta 55,5% de chance de o BC dos EUA elevar os juros em 25 pontos-base, para a faixa de 3,75% a 4,00% ao ano, contra a aposta de 35,7% antes do discurso.

Já a probabilidade de manutenção na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano caiu de 64,3% (antes de Warsh) para 44,5%.

Os impactos no mercado – e no Brasil

Para William Castro, estrategista-chefe da Avenue, o cenário indica que o Fed continuará disposto a manter uma política monetária restritiva para controlar a inflação. “Ainda que os últimos dados mostrem uma trajetória mais favorável, o índice [PCE] permanece distante da meta, exigindo cautela da autoridade monetária”, avalia.

O estrategista-chefe ainda considera que, ao evitar sinalizações claras, o Fed transfere parte da responsabilidade para os investidores, que passam a precificar os riscos com base nos indicadores econômicos.

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“A incerteza aumenta o prêmio exigido nos juros e pode tornar as condições financeiras mais restritivas mesmo sem uma elevação imediata da taxa básica. Na prática, o crédito fica mais caro antes mesmo de uma eventual decisão formal do Banco Central”, afirma Castro, da Avenue.

No Brasil, uma eventual alta nos juros dos EUA já em setembro pode reduzir o espaço para cortes na taxa básica de juros, a Selic, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

“Além da perspectiva de juros elevados nos EUA, o cenário fiscal brasileiro, especialmente em um ano eleitoral, mantém as expectativas de inflação pressionadas e exige cautela do Banco Central”, avalia.

Por aqui, o mercado precifica um novo corte na Selic, de 25 pontos-base, levando a taxa de 14% para 13,75% no próximo mês.

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No câmbio, o estrategista-chefe da Avenue acredita que o cenário de juros norte-americanos mais altos também dificulta uma valorização consistente do real. “O ambiente externo oferece pouco suporte à moeda brasileira, tornando sua trajetória cada vez mais dependente da evolução do cenário doméstico.”

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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