Federal Reserve

Warsh endurece o tom em Jackson Hole e deixa alta de juros em aberto

28 ago 2026, 12:09
Kevin Warsh fed
(Foto: REUTERS/Ann Saphir)

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, adotou um tom mais duro em relação à inflação nesta sexta-feira (28), durante seu primeiro discurso à frente do banco central norte-americano no simpósio de Jackson Hole.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Embora tenha evitado antecipar a decisão da reunião de setembro, Warsh afirmou que a estabilidade de preços deve ser o foco predominante do Fed e deixou aberta a possibilidade de uma nova alta dos juros caso a inflação não caminhe de maneira convincente para a meta de 2%.

“Precisamos ter certeza de que a inflação subjacente está se aproximando de nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, teremos trabalho a fazer”, afirmou.

O Fed manteve os juros entre 3,50% e 3,75% em julho, mas a decisão expôs uma divisão crescente no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc): três integrantes votaram por uma elevação das taxas.

O discurso de Warsh reforçou o campo mais preocupado com a persistência da inflação. Segundo o presidente do Fed, seria difícil descrever as condições financeiras gerais como restritivas, apesar do atual nível dos juros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A avaliação vem logo após a divulgação do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE), medida de inflação preferida do Fed. O indicador avançou 0,2% em julho e acumulou alta de 3,7% em 12 meses, acima dos 3,6% esperados pelo mercado e distante da meta de 2%.

Warsh também chamou a atenção para a aceleração mais recente dos preços: em seis meses, o PCE acumula uma alta anualizada de 4,1%. Além disso, 54% dos 199 componentes do índice registraram aumentos superiores a 3% no período de 12 meses.

Embora tenha reconhecido que a inflação recuou consideravelmente em relação aos picos de 2022, o presidente do Fed avaliou que o progresso dos últimos dois anos foi modesto. As leituras mais favoráveis do PCE e do CPI durante o verão norte-americano, acrescentou, ainda não representam uma melhora significativa da tendência inflacionária. O discurso completo está disponível no site do Federal Reserve.

Economia forte reduz urgência com emprego

Do outro lado do mandato do Fed, Warsh apresentou uma avaliação construtiva da economia dos Estados Unidos. Para ele, o crescimento ganhou força, o consumo permanece saudável e o mercado de trabalho está em uma situação compatível com o pleno emprego.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O presidente do Fed atribuiu a menor geração de vagas principalmente ao avanço limitado da oferta de trabalhadores, e não a uma deterioração expressiva da demanda por mão de obra.

Warsh também destacou o crescimento de aproximadamente 9% dos investimentos empresariais nos últimos quatro trimestres. Mais da metade do avanço registrado neste ano estaria associada à expansão da inteligência artificial.

Na avaliação de Andressa Durão, economista do ASA, Warsh deu “claramente mais peso” ao mandato da inflação do que ao do emprego.

“Sobre a inflação, avaliou como elevada em várias métricas e afirmou que o foco principal do Fed neste momento deve ser o controle dos preços”, diz. Para ela, o discurso foi, no geral, hawkish — ou seja, mais favorável a juros elevados — e mais completo do que o esperado sobre política monetária.

Sem promessa para setembro

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mesmo com o tom mais duro, Warsh não indicou qual deverá ser seu voto na próxima reunião do Fed, marcada para setembro. A ausência de sinalização está alinhada à sua oposição ao chamado forward guidance, estratégia pela qual o banco central procura antecipar ao mercado os próximos passos da política monetária.

Warsh argumentou que o uso recorrente desse instrumento reduz a flexibilidade do Fomc e pode criar uma relação excessivamente circular: o mercado reage às declarações do Fed, enquanto o próprio banco central utiliza os preços dos ativos como fonte de informação para suas decisões.

Luiza Paparounis e Francisco Lopes, economistas do BTG Pactual, avaliaram que o discurso teve tom mais duro do que o banco esperava, diante da combinação de atividade resistente, pleno emprego, condições financeiras pouco restritivas e inflação ainda desconfortável.

“O foco predominante do Fed neste momento deve estar nos preços”, afirmam. Na avaliação dos economistas, a decisão de setembro continua completamente aberta, mas agora apresenta um viés mais favorável a uma elevação dos juros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O BTG estima que, se o núcleo do PCE de agosto repetir uma leitura semelhante à de julho, o Fomc deverá elevar a taxa em 0,25 ponto percentual na próxima reunião.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar