Bank of America eleva recomendação para MBRF (MBRF3) e vê potencial de alta de 51%
O Bank of America elevou a recomendação para as ações da MBRF (MBRF3) de neutra para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 23 para R$ 26, o que representa um potencial de valorização de 51% frente ao preço de referência de R$ 16,08.
Por volta de 11h52 desta quinta (20), as ações avançavam 2,95%, depois de encerrarem a quarta (19) com alta de 6,46%.
Por trás da visão mais otimista, o banco enxerga uma combinação de recuperação das margens da carne bovina nos Estados Unidos, redução dos investimentos e uma forte melhora na geração de caixa a partir de 2027.
Para o BofA, esse cenário deve finalmente permitir que a companhia avance de maneira mais consistente em um dos principais pontos de atenção dos investidores: a desalavancagem.
“Fluxo de caixa volta ao cardápio“, resumem as analistas Isabella Simonato e Julia Zaniolo no título do relatório.
Segundo o banco, a MBRF entregou resultados sólidos nos últimos 12 meses e se destaca como uma das poucas empresas de sua cobertura de alimentos e bebidas no Brasil para as quais as estimativas de Ebitda foram mantidas estáveis ou revisadas para cima desde o final de 2025.
MBRF3: a virada do caixa
Um dos principais fatores por trás do upgrade está na expectativa de queda dos investimentos. O BofA projeta que o capex da MBRF recue dos atuais R$ 5 bilhões para algo entre R$ 3,5 bilhões e R$ 4 bilhões em 2027.
Com menos recursos destinados aos investimentos e uma melhora operacional, o banco espera uma forte recomposição do fluxo de caixa livre (FCF) já no próximo ano.
A estimativa para o FCF de 2027 saltou de R$ 390 milhões para R$ 1,9 bilhão, quase cinco vezes a projeção anterior. O montante representa um FCF yield de 7,7%, que deve avançar para 10,8% em 2028.
E o BofA destaca que essas projeções consideram um nível de capex acima do próprio guidance da companhia.
A melhora do caixa deve abrir espaço para uma redução da alavancagem entre 0,5 e 0,6 vez por ano, a partir de 2027 e 2028, levando o indicador para menos de 3 vezes em 2029.
Pior do ciclo da carne bovina nos EUA fica em 2026
A outra peça central da tese está nos Estados Unidos. O Bank of America espera que 2026 marque o fundo do ciclo das margens da carne bovina na América do Norte, abrindo espaço para uma recuperação em 2027.
Dois fatores devem ajudar nessa virada: o aumento da oferta de gado proveniente do México e a redução da capacidade de processamento da indústria norte-americana.
Segundo os analistas, os fechamentos de unidades realizados em 2026, combinados à maior disponibilidade de animais, devem elevar a utilização da capacidade da indústria em cerca de 600 pontos-base, para 85%, retornando à média observada nos últimos cinco a seis anos.
A combinação também pode ajudar a pressionar os preços do gado para baixo em 2027, favorecendo as margens dos frigoríficos.
A MBRF ainda pode ser diretamente beneficiada pelo fechamento da unidade da Tyson em Joslin, no estado de Illinois. A planta fica a aproximadamente 225 quilômetros da Iowa Premium, operação da MBRF nos Estados Unidos.
Nesse cenário, o BofA projeta que a margem Ebitda da divisão de carne bovina na América do Norte avance de apenas 0,6% em 2026 para 1,7% em 2027.
BofA aumenta projeções para o Ebitda
Com uma visão mais positiva para as operações, o Bank of America também revisou para cima suas estimativas de resultados.
A projeção de Ebitda para 2026 aumentou 2,8%, para R$ 12,8 bilhões, enquanto a estimativa para 2027 subiu 7,6%, para R$ 12,9 bilhões.
Apesar do upgrade, o banco reconhece que a tese depende principalmente da recuperação das margens da carne bovina nos Estados Unidos e da melhora da geração de caixa ao longo dos próximos três anos.
Entre os riscos estão uma recuperação mais lenta do ciclo bovino norte-americano, que poderia não compensar uma eventual normalização das margens da BRF, além da alta dos custos de alimentação animal.
Outro ponto de atenção é a alocação de capital. Novos investimentos ou operações que consumam caixa poderiam postergar o processo de desalavancagem esperado pelo banco.
Desconto para JBS ainda é justificado
Em termos de valuation, a MBRF negocia a 5,7 vezes o EV/Ebitda estimado para 2027, praticamente em linha com sua média dos últimos três anos.
O múltiplo está abaixo das 6,7 vezes da JBS (JBSS32).
Para o BofA, o desconto é justificável diante da menor diversificação dos negócios da MBRF e da maior alavancagem da companhia.