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BBAS3, ITUB4, BBDC4, SANB11: Analistas fazem alertas para bancos; apenas um deverá se destacar no 1T26

28 abr 2026, 7:00 - atualizado em 27 abr 2026, 16:58
bancos xp investimentos
(Imagem: Montagem com fotos de Marcio Juliboni/Renan Dantas/Divulgação)

Os bancos vêm, de modo geral, enfileirando bons resultados ao longo dos últimos trimestres. Com exceção do Banco do Brasil (BBAS3), os lucros seguem em alta, enquanto o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) tem se mantido consistente. Ainda assim, a disparada da Selic pode limitar esse ritmo de crescimento.

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Segundo o Safra, a qualidade dos ativos deve apresentar piora no primeiro trimestre. A pressão deve vir principalmente das carteiras de pessoas físicas e jurídicas. Além disso, o agronegócio e casos recentes de grandes empresas em recuperação extrajudicial continuam pesando.

Os analistas destacam ainda que, diferentemente do quarto trimestre, a sazonalidade da receita líquida de juros (NII) não contribui para compensar o aumento do custo de risco, “criando um cenário desfavorável para o setor como um todo”.

A XP também diz que a sazonalidade do primeiro trimestre deve impactar os resultados de forma generalizada. Apesar dos sinais de alerta, nem todos os bancos devem ter desempenho negativo. Para o Safra, Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) são os mais bem posicionados para enfrentar o ambiente desafiador, graças a receitas mais resilientes e melhor perfil de risco.

Além disso, o banco de Osasco deve ser o único entre os grandes a apresentar expansão sequencial do ROE — ainda que de forma modesta. Já Santander (SANB11) e Banco do Brasil serão mais impactados pelo aumento das provisões, o que tende a levar o lucro para baixo.

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Bradesco: o único destaque positivo?

Lucro (em R$)A/AROEA/A
XP6,5 bi12.4%15.2% 0,8 pp
Safra6.6 bi12.9%15.3%0,9 pp
BofA6.8 bi17%15.6%1,2 pp
Itaú BBA6,7 bi14%15.4%1 pp
JPMorgan6.6 bi12.9%15%0,6 pp

Data da divulgação: 6 de maio

Entre analistas, o Bradesco surge como principal destaque. Segundo o Itaú BBA, o banco deve registrar lucro de R$ 6,7 bilhões — alta de 3% na comparação trimestral e de 14% na anual —, com ROE de 15,4%.

A carteira de crédito deve manter crescimento sólido, avançando 10% em base anual e 2% na comparação trimestral. Já a receita líquida de juros (NII) deve subir 14% ano contra ano e 3% trimestre contra trimestre, impulsionada por melhores margens (NIM).

Por outro lado, analistas projetam aumento das provisões para cerca de R$ 9,2 bilhões, acima do trimestre anterior, refletindo efeitos sazonais e casos específicos nos segmentos agro e corporativo. A inadimplência de pessoas físicas, por sua vez, deve permanecer estável.

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Outro ponto positivo é a desaceleração no crescimento das despesas operacionais (SG&A), o que deve favorecer ganhos de eficiência.

“No geral, o trimestre deve ser um bom indicativo para o ano fiscal de 2026, apontando para a faixa média a alta das estimativas de lucro”, avalia o BBA.

Para o Bank of America, mesmo com leve desaceleração no crédito, o Bradesco ganhará participação de mercado, impulsionado por:

  • pequenas e médias empresas (PMEs);
  • financiamento de veículos;
  • crédito consignado;
  • cartões de crédito, especialmente entre clientes de alta renda.

Como risco, os analistas destacam o nível elevado da Selic, que tem pressionado o endividamento das famílias e aumentado a inadimplência corporativa.

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Itaú: crescimento mais moderado

Lucro (em R$)A/AROEA/A
XP12 bi7.9%24%1,5 pp
Safra12,1 bi9.3%24.4%1,9 pp
BofA12.7 bi14%24.5%2 pp
JPMorgan12.3 bi24.5%2 pp

Data da divulgação: 5 de maio

O Itaú, que é conhecido por sua boa fama de relógio suíço, deve apresentar crescimento mais moderado, no entanto.

Segundo a XP, a carteira de crédito deve sofrer pressão, especialmente no segmento de pessoas físicas, impactado por retração sequencial em cartões e menor uso de linhas rotativas após o fim de ano.

A receita líquida de juros também tende a ser pressionada, refletindo menor número de dias úteis, redução no carrego de capital de giro e menor utilização de produtos rotativos, além do efeito do pagamento de dividendos.

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Parte desse impacto deve ser compensada por recuperação do NII de mercado, estimado em cerca de R$ 850 milhões.

Em relação à qualidade dos ativos, não são esperadas grandes surpresas. O custo de risco deve subir levemente, em linha com o guidance, puxado principalmente pelo segmento corporate, enquanto varejo e PMEs seguem mais resilientes.

O Bank of America projeta lucro de R$ 12,7 bilhões, alta de 14% na comparação anual, mas não descarta um resultado ligeiramente abaixo das estimativas devido à menor geração de receita.

Entre os pontos de pressão para o banco estão:

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  • menor saldo de caixa após dividendos extraordinários no 4T25;
  • crescimento mais fraco da carteira, influenciado pela valorização do real e pela sazonalidade dos cartões.

Por outro lado, as provisões devem permanecer sob controle, mesmo diante de eventos corporativos relevantes, refletindo a postura mais conservadora adotada nos últimos anos.

Banco do Brasil: trimestre mais fraco

Lucro (em R$)A/AROEA/A
XP3,4 bi-48.3%7.4%-9,3 pp
Safra3,3 bi-54.2%7.2%-9,5 PP
BofA4 bi-46%7.4%-9,3 pp
Itaú BBA3.6 bi7.5%– 9,2 pp
JPMorgan3.4 bi-48.3%7%-9,7 pp

Data da divulgação: 13 de maio

No caso do Banco do Brasil, a expectativa é de mais um trimestre pressionado — possivelmente pior do que o esperado.

A própria administração já sinalizou que a inadimplência no agronegócio segue elevada.

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“O primeiro semestre tende a ser mais apertado — isso já vínhamos discutindo desde o ano passado”, afirmou a CEO Tarciana Medeiros.

O Safra projeta lucro de R$ 3,38 bilhões, queda de 41% em relação ao trimestre anterior, com ROE de 7,2%. O resultado reflete a combinação de sazonalidade desfavorável do NII e aumento relevante das provisões (estimadas em R$ 19 bilhões).

O Bank of America também espera números fracos, com lucro ao redor de R$ 4 bilhões, impactado pela deterioração da carteira rural, conforme dados recentes do Banco Central.

Além disso:

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  • o NII deve ser pressionado por desempenho mais fraco da tesouraria;
  • a receita com tarifas deve crescer apenas em linha com a inflação;
  • a geração de receita tende a ser mais fraca.

As provisões devem subir, refletindo:

  • piora mais acentuada da inadimplência no agro;
  • aumento de defaults corporativos;
  • pedidos de recuperação judicial.

A XP acrescenta que o crescimento da carteira deve ser modesto e concentrado no varejo, com o consignado privado ainda avançando, mas em ritmo mais moderado.

Santander: um passo para trás

Lucro (em R$)A/AROEA/A
XP4 bi3.6%16.9%-0,5 pp
Safra3,7 bi-1.8%16.2%-1,2 pp
BofA4 bi3,60%16.3%-1,1 pp
Itaú BBA4 bi3,60%16.6%-0,8 pp
JPMorgan3.96 bi-1,90%16.7%-0,7 pp

Data da divulgação: 29 de abril

Após trimestres de recuperação, o Santander deve dar um passo para trás.

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O Safra projeta lucro antes de impostos (EBT) de R$ 4,4 bilhões, alta de 1% na comparação trimestral, mas com queda de 7% no lucro líquido, para R$ 3,8 bilhões, e ROE de 16,2%.

Segundo a XP, o desempenho mais fraco reflete uma postura mais seletiva na originação de crédito, especialmente em:

  • cartões de crédito de menor renda;
  • agronegócio;
  • pequenas e médias empresas.

Além disso, a valorização do real deve impactar negativamente a comparação dos resultados.

O Itaú BBA projeta crescimento modesto de 4% no NII total, para R$ 16,5 bilhões, ainda com contribuição negativa do NII de mercado.

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Já o custo de risco deve subir para cerca de R$ 6,5 bilhões, pressionado por PMEs e pela sazonalidade típica do início do ano no crédito para pessoas físicas.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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