Bolsa brasileira lidera ganhos em dólar na América Latina, mas BTG segue cauteloso; entenda motivo
O BTG Pactual manteve sua recomendação neutra para o mercado brasileiro, argumentando que a proximidade das eleições continua sendo o principal fator de incerteza para os ativos locais.
Apesar disso, o banco destaca que o Ibovespa (IBOV) foi o grande destaque da América Latina no último mês, com valorização de 12% em dólares, superando com folga os demais mercados da região.
Segundo os estrategistas, o cenário eleitoral segue extremamente equilibrado, o que dificulta a identificação de um vencedor e aumenta a volatilidade dos ativos, diante da falta de clareza sobre a condução da política econômica do próximo governo.
Embora o mercado tenha reagido positivamente ao aumento do equilíbrio na disputa, os analistas ainda consideram prematuro assumir uma posição mais otimista no país.
Diante desse contexto, a instituição prefere concentrar suas recomendações em empresas de alta qualidade, elevada liquidez e com capacidade de atravessar diferentes cenários políticos, sejam eles favoráveis ao governo ou à oposição.
Além disso, o BTG afirma que tem evitado papéis cuja tese de investimento dependa excessivamente de uma melhora fiscal relevante no país. A avaliação é que, neste momento, a estratégia mais adequada para navegar o período pré-eleitoral é manter exposição equilibrada ao Brasil, priorizando nomes considerados resilientes.
Brasil lidera ganhos na América Latina
Nos últimos 30 dias, as bolsas latino-americanas tiveram desempenho misto, enquanto o Brasil apresentou a melhor performance da região. Por outro lado, México e Chile ficaram entre os destaques negativos.
Confira o desempenho dos mercados latino-americanos no último mês:
- Brasil: +12% em dólares;
- Colômbia (COLCAP): +3%;
- Argentina (Merval): +2%;
- Peru (BVL): estável;
- Chile: -1%;
- México: -2%.
O banco atribui parte da recuperação dos ativos brasileiros à percepção de uma disputa eleitoral mais equilibrada, o que foi recebido positivamente pelos investidores.
Recomendações por país na América Latina
O BTG decidiu manter inalterada sua estratégia geográfica para a região. A recomendação overweight (equivalente à compra) segue valendo para Peru, Chile e Argentina. Já o Brasil e a Colômbia mantiveram o neutro.
Em contrapartida, o México seguiu com a recomendação de venda pelo BTG.
Confira as ações recomendadas por país
- Peru: InRetail (nova inclusão) e Credicorp;
- Chile: Parque Arauco (nova inclusão) e Antofagasta;
- Argentina: Banco Macro;
- Brasil: Itaú, Motiva, Axia, Petrobras, Sabesp, Eneva e Embraer;
- Colômbia: Grupo Cibest;
- México: Vesta, Femsa (substitui Gentera) e Ternium.
Mudanças na carteira regional
O BTG promoveu três alterações na seleção de ações da América Latina para refletir mudanças em suas preferências setoriais e corporativas:
- México: Femsa entrou no lugar de Gentera;
- Chile: Parque Arauco substituiu MallPlaza;
- Peru: InRetail substituiu Buenaventura.
Com isso, a carteira regional passa a reunir 16 ações distribuídas entre seis mercados latino-americanos.