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De olho no fiscal, Ibovespa vira para o negativo e cai mais de 1% em poucos minutos

17 set 2026, 10:56 - atualizado em 17 set 2026, 11:56
Queda bolsa
(Imagem: iStock/peshkov)

Com um pouco mais de meia hora de pregão, o Ibovespa (IBOV) zerou as perdas da abertura e passou a cair mais de 1% nesta quinta-feira (17) com a renovação das preocupações com o cenário fiscal.

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Por volta de 11h35 (horário de Brasília), o IBOV bateu mínima intradia com queda de 1,24%, aos 183.242,37 pontos – uma perda de quase 3 mil pontos em relação à abertura. Já o dólar à vista descolou do exterior e subiu a R$ 5,1768 (+0,49%).

Há pouco, o governo anunciou, a 17 dias dos 1º turno das eleições, o reajuste de 15% do programa Bolsa Família, elevando o piso do programa de R$ 600 para R$ 691 por família. Com isso, a média dos benefícios deve sair de R$ 691 para R$ 777.

Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o custo da medida é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027. Ele ainda afirmou que a medida não estava prevista no Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) do próximo ano, enviada pelo governo ao Congresso em agosto.

A reação também foi sentida na curva de juros futuros, principalmente nos vencimentos mais longos. A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2029, de curto prazo, renovou máxima intradia a 13,995% ante 13,909% do ajuste anterior; enquanto a taxa de DI para janeiro de 2036, de longo prazo, subiu 13 pontos-base, a 14,325 ante 14,190% do fechamento anterior.

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“A medida não estava no radar do mercado e é vista como um fator adicional de pressão fiscal, por representar aumento de despesas tanto para este ano quanto para o próximo”, avalia Fernando Siqueira, head de Research da Eleven Financial.

O especialista também destaca que a medida reforça a percepção de que qualquer governo que assumir em 2027 terá um desafio fisvcal relevante pela frente, diante da necessidade de acomodar novas despesas e buscar maior equilíbrio das contas públicas.

Além disso, o aumento dos benefícios pode favorecer uma possível reeleição de Lula – o que é negativo para os mercados, já que os agentes financeiros veem um 4º mandato do petista como uma continuidade de uma política econômica menos favorável ao ajuste fiscal.

A avaliação também é compartilhada de Bruno Perri, economista-chefe e sócio da Forum Investimentos, que considera o “timing” da medida é ruim. “O pagamento do Bolsa Família é feito nos últimos 10 dias do mês e, isso, numa grande coincidência, vai acontecer próximo ao segundo turno”, destacou Perri.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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