Bolsa em modo defesa: BTG vê Ibovespa a 170 mil pontos e dólar até 15% mais caro após vitória de Lula
O Ibovespa pode cair para a faixa dos 170 mil pontos, enquanto o real pode perder de 10% a 15% de seu valor após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse é o cenário traçado pelo BTG Pactual, que vê risco de pressão sobre os ativos brasileiros diante das incertezas fiscais e de uma possível alta dos juros de longo prazo.
Na avaliação dos analistas, a combinação desses fatores pode levar a uma queda de cerca de 30% da bolsa brasileira em dólares. O banco também projeta que os juros reais de longo prazo voltem a superar 8%, o que reduziria o espaço para o Banco Central acelerar os cortes da Selic.
O alerta vem mesmo com as ações brasileiras negociadas abaixo de suas médias históricas. Para o BTG, o desconto não elimina o risco de novas perdas caso as expectativas para as contas públicas piorem e o mercado passe a exigir retornos maiores para investir no país.
As ações do BTG para se proteger na bolsa
Uma das estratégias do banco agora é buscar ações de empresas exportadoras, que podem se beneficiar de um real mais fraco. A desvalorização da moeda brasileira tende a elevar, em reais, as receitas obtidas no exterior, embora o efeito sobre os resultados dependa também dos custos, das dívidas e das operações de cada companhia.
Entre as ações ligadas a commodities citadas pelo BTG estão Gerdau (GOAU4), Suzano (SUZB3), Vale (VALE3), Prio (PRIO3), SLC Agrícola (SLCE3), 3Tentos (TTEN3) e São Martinho (SMTO3).
A lista inclui ainda exportadoras industriais, como WEG (WEGE3) e Embraer (EMBJ3), que também têm exposição a mercados internacionais e receitas em moeda estrangeira.
Outra frente de proteção está nas empresas com balanços sólidos, menor endividamento e negócios considerados mais defensivos. Nesse grupo, o banco destaca as seguradoras Caixa Seguridade (CXSE3) e Porto (PSSA3), além da fabricante de bebidas Ambev (ABEV3).
Entre as empresas de maior peso na bolsa, as preferidas do BTG são Petrobras (PETR4) e Itaú Unibanco (ITUB4).
No caso da petroleira, a exposição ao dólar e às cotações internacionais do petróleo pode funcionar como proteção parcial em um cenário de desvalorização do real. A política de dividendos também entra na conta dos analistas.
Já o Itaú é apontado pelo banco como o banco mais bem posicionado para atravessar um período de maior dificuldade no mercado doméstico.
Juros e dólar após a eleição
Para o BTG, a pressão sobre os ativos brasileiros dependerá, sobretudo, de como o governo conduzirá as contas públicas e de como essa trajetória afetará as expectativas de inflação e os juros.
Uma percepção de maior risco fiscal pode elevar as taxas exigidas pelos investidores para financiar o país no longo prazo.
Juros mais altos encarecem o custo de capital das empresas, pressionam o valor presente dos lucros futuros e podem reduzir o espaço para a queda da Selic. Esse conjunto de fatores tende a pesar especialmente sobre ações mais sensíveis às taxas de desconto e ao desempenho da economia doméstica.
O Boletim Focus do Banco Central aponta para uma taxa básica de juros de 12% ao ano no fim de 2027, o que representaria uma redução de 1,75 ponto percentual em relação ao patamar atual.
Na avaliação dos analistas, porém, essa trajetória pode se mostrar otimista caso a política fiscal não convença o mercado.
“Sem uma equipe econômica crível e medidas concretas para endereçar o quadro fiscal, as taxas reais de juros de longo prazo devem subir de forma significativa e permanecer elevadas”, afirmam.