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Bolsa em modo defesa: BTG vê Ibovespa a 170 mil pontos e dólar até 15% mais caro após vitória de Lula

26 out 2026, 10:11
Brasil economiaBolsa Brasil ações mercado
Montagem com um fundo de gráfico de ações e a bandeira do Brasil (Imagem do fundo: Bigc Studio/ Canva Pro)

O Ibovespa pode cair para a faixa dos 170 mil pontos, enquanto o real pode perder de 10% a 15% de seu valor após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Esse é o cenário traçado pelo BTG Pactual, que vê risco de pressão sobre os ativos brasileiros diante das incertezas fiscais e de uma possível alta dos juros de longo prazo.

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Na avaliação dos analistas, a combinação desses fatores pode levar a uma queda de cerca de 30% da bolsa brasileira em dólares. O banco também projeta que os juros reais de longo prazo voltem a superar 8%, o que reduziria o espaço para o Banco Central acelerar os cortes da Selic.

O alerta vem mesmo com as ações brasileiras negociadas abaixo de suas médias históricas. Para o BTG, o desconto não elimina o risco de novas perdas caso as expectativas para as contas públicas piorem e o mercado passe a exigir retornos maiores para investir no país.

As ações do BTG para se proteger na bolsa

Uma das estratégias do banco agora é buscar ações de empresas exportadoras, que podem se beneficiar de um real mais fraco. A desvalorização da moeda brasileira tende a elevar, em reais, as receitas obtidas no exterior, embora o efeito sobre os resultados dependa também dos custos, das dívidas e das operações de cada companhia.

Entre as ações ligadas a commodities citadas pelo BTG estão Gerdau (GOAU4), Suzano (SUZB3), Vale (VALE3), Prio (PRIO3), SLC Agrícola (SLCE3), 3Tentos (TTEN3) e São Martinho (SMTO3).

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A lista inclui ainda exportadoras industriais, como WEG (WEGE3) e Embraer (EMBJ3), que também têm exposição a mercados internacionais e receitas em moeda estrangeira.

Outra frente de proteção está nas empresas com balanços sólidos, menor endividamento e negócios considerados mais defensivos. Nesse grupo, o banco destaca as seguradoras Caixa Seguridade (CXSE3) e Porto (PSSA3), além da fabricante de bebidas Ambev (ABEV3).

Entre as empresas de maior peso na bolsa, as preferidas do BTG são Petrobras (PETR4) e Itaú Unibanco (ITUB4).

No caso da petroleira, a exposição ao dólar e às cotações internacionais do petróleo pode funcionar como proteção parcial em um cenário de desvalorização do real. A política de dividendos também entra na conta dos analistas.

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Já o Itaú é apontado pelo banco como o banco mais bem posicionado para atravessar um período de maior dificuldade no mercado doméstico.

Juros e dólar após a eleição

Para o BTG, a pressão sobre os ativos brasileiros dependerá, sobretudo, de como o governo conduzirá as contas públicas e de como essa trajetória afetará as expectativas de inflação e os juros.

Uma percepção de maior risco fiscal pode elevar as taxas exigidas pelos investidores para financiar o país no longo prazo.

Juros mais altos encarecem o custo de capital das empresas, pressionam o valor presente dos lucros futuros e podem reduzir o espaço para a queda da Selic. Esse conjunto de fatores tende a pesar especialmente sobre ações mais sensíveis às taxas de desconto e ao desempenho da economia doméstica.

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O Boletim Focus do Banco Central aponta para uma taxa básica de juros de 12% ao ano no fim de 2027, o que representaria uma redução de 1,75 ponto percentual em relação ao patamar atual.

Na avaliação dos analistas, porém, essa trajetória pode se mostrar otimista caso a política fiscal não convença o mercado.

“Sem uma equipe econômica crível e medidas concretas para endereçar o quadro fiscal, as taxas reais de juros de longo prazo devem subir de forma significativa e permanecer elevadas”, afirmam.

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Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil em 2025 e 2026. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.
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