Entrevista

‘Brasil estava fora do radar’: Armor Capital vê espaço para gringos voltarem à Bolsa

07 out 2026, 9:45 - atualizado em 07 out 2026, 10:03
etfs Bolsa B3 Ibovespa investidores estrangeiros guerra comercial bolsa
(Imagem: Freepik)

Na última segunda-feira (5), os gringos ingressaram com R$ 10,1 bilhões na Bolsa brasileira, no dia seguinte ao primeiro turno das eleições presidenciais, em reação à ‘surpresa’ de Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com uma vantagem de 2,2 milhões de votos.

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O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro agora é o favorito a vencer o segundo turno, em 25 de outubro, e também é o candidato predileto do mercado com promessas de austeridade fiscal, privatizações, desregulamentação e cortes de impostos sobre o consumo (IVA).

Para Paula Moreno, sócia e co-CIO da Armor Capital, a expectativa é de um retorno mais expressivo do ‘gringo’ com a possibilidade de uma mudança de governo. “Acho que esse mercado mais leve ajuda a explicar o movimento que estamos vendo e pode sustentar a performance no curto prazo”, afirmou a gestora, em entrevista ao Money Times.

Na visão dela, os fundos indexados a índices de mercados emergentes que estavam com uma exposição ao Brasil abaixo do benchmark agora podem precisar se rebalancear.

“Um Congresso mais à direita e uma agenda econômica mais liberal, que facilite a aprovação de reformas e ajustes na política econômica, podem reforçar ainda mais esse movimento [de retorno de capital estrangeiro].”

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No ano, o saldo de capital estrangeiro na Bolsa é positivo em quase R$ 30 bilhões. “Ainda é um recurso pequeno. O Brasil estava meio fora do radar, porque o investidor estava muito mais alocado na Bolsa americana e em alguns mercados emergentes da Ásia, principalmente em empresas ligadas à tecnologia e à inteligência artificial”, avalia a gestora.

Além disso, com a Selic acima dos dois dígitos, tanto o estrangeiro quanto o local estavam com pouca exposição ao Brasil.

Paula Moreno, co-CIO e sócia da Armor Capital
Paula Moreno, co-CIO e sócia da Armor Capital (Foto: Divulgação/Armor Capital)

Opções dão lugar à compra de papel

Também na reta final do primeiro turno, os investidores estrangeiros e locais estavam se posicionando via opções do EWZ — uma espécie de “Ibovespa em dólar” — diante do risco eleitoral.

Para Paula, depois do forte movimento observado nos últimos dias, a tendência é que os investidores passem a comprar diretamente ações.

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“Um grande movimento aconteceu e foi rápido e via opção. Daqui para frente, acho que a movimentação de papel aumenta, porque está mais fácil visualizar um horizonte”, afirmou.

“Acho que o mercado pode sustentar esse movimento, principalmente porque ainda não tem muita gente posicionada. Mas precisamos da confirmação do resultado e, depois, de maior clareza sobre qual será a direção da política econômica de um eventual governo Flávio Bolsonaro. Isso vai ser importante para determinar se esse movimento de alta da Bolsa pode continuar”, acrescentou Paula Moreno, co-CIO da Armor.

A gestora, por sua vez, não descarta mais volatilidade nos mercados até o segundo turno, principalmente em relação às pesquisas de intenção de votos. Contudo, na visão dela, “independentemente do que as pesquisas mostrarem, o mercado continua animado com a possibilidade de um governo mais liberal.”

A Armor Capital, gestora de fundos multimercados com R$ 1,7 bilhões sob gestão, mudou a estratégia para os ativos brasileiros após o resultado do primeiro turno das eleições. Antes vendida em Bolsa brasileira e comprada em real e bolsa norte-americana, agora a gestora mantém uma posição comprada tanto no real quanto em ações brasileiras.

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Repórter
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.
Jornalista formada pela PUC-SP, com especialização em Finanças e Economia pela FGV. É repórter de Mercados no Money Times e já passou pela redação do Seu Dinheiro e setor de análise política da XP Investimentos.

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