Inflação

Câmbio pode aliviar inflação em 2026 mesmo com alta do petróleo? Confira o que os economistas dizem

21 maio 2026, 7:00 - atualizado em 20 maio 2026, 11:46
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(Imagem: iStock/IltonRogerio)

O câmbio, que no ano passado ajudou a moderar os preços da inflação de alimentos e bens industriais, não deve repetir o mesmo efeito de alívio em 2026 no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo economistas consultados pelo Money Times.

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Como a produção de certos itens necessita da importação de insumos vindos da China e dos Estados Unidos, um câmbio mais baixo ajuda a moderar os preços dos bens industriais.

O grupo, em particular, deve seguir abaixo do nível de 4% no acumulado em 12 meses, apesar da pressão nos preços pelo choque do petróleo. Mas a expectativa é de que ele avance cerca de 1 ponto percentual na comparação anual, após alta de 2,36% em 2025.

Para o índice cheio, o cenário já é outro: os economistas preveem estouro do teto da meta inflacionária, acima de 4,5%.

O economista Matheus Pizzani, do PicPay, avalia que fatores como a China deixando de exportar deflação para o mundo – com o índice de preços ao produtor (PPI, em inglês) avançando em abril (2,8%) e em março (0,5%) após 41 leituras de queda – devem pesar nos bens industriais.

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No ano, o dólar acumula desvalorização de 8,17% ante o real, passando para a faixa dos R$ 5. No entanto, Pizzani considera que o câmbio traz pouca margem de manobra para o IPCA em 2026 com a disparada dos preços de petróleo.

“Seria necessária uma depreciação muito maior para aliviar a inflação, com o dólar em R$ 3. Além disso, o custo de produção está comprometido com o custo de logística maior e os preços dos insumos também mais elevados”, explica.

O cenário base do PicPay é de alta de 4,7% para o IPCA, mas o número ainda pode ser revisado para cima.

A estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andréa Angelo, também prevê que a valorização do câmbio tende a não chegar nos preços e menciona que, por exemplo, os insumos plásticos chegaram a subir 33% nas leituras recentes do Índice Geral de Preços (IGP) da Fundação Getúlio Vargas.

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Nas estimativas de Angelo, o câmbio poderia ajudar com cerca de 0,10 a 0,12 ponto percentual no IPCA. “Não deve interferir muito”, diz.

Há um risco altista para bens industriais devido à guerra entre Estados Unidos e Irã, segundo Angelo, uma vez que um estudo conduzido pela Warren aponta que 40% do impacto total dos efeitos do conflito atingirá os bens industriais.

A projeção para a inflação de bens industriais da Warren é de 3,5% no ano, acima do centro da meta inflacionária do Banco Central. Já para o IPCA o número está em 4,9%.

O economista sênior da 4intelligence Fábio Romão considera que o câmbio deve atuar como um mitigador em vez de um fator impeditivo à aceleração do grupo. Ele projeta alta de 3,3% para os bens industriais e de 5,2% para o IPCA em 2026.

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Mesmo ao considerar um câmbio médio de R$ 5,20 para este ano, Romão considera que o atual cenário conta com muitos ventos contrários para contar com essa ajuda no momento.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
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