Empresas

Casas Bahia (BHIA3) busca excluir dívida de R$ 170 milhões do plano de recuperação do GPA (PCAR3), diz jornal

11 maio 2026, 16:42 - atualizado em 11 maio 2026, 16:42
casas bahia
(Imagem: Casas Bahia/Divulgação)

A Casas Bahia (BHIA3) está em um embate com o GPA, dono da bandeira Pão de Açúcar (PCAR3), para reivindicar créditos que tem a receber da rede de supermercados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em dezembro do ano passado, o GPA perdeu um processo arbitral relacionado a obrigações assumidas da antiga Globex (hoje Casas Bahia). Com isso, houve reconhecimento da obrigação de pagamento pelo GPA de aproximadamente R$ 170 milhões.

De acordo com informações do Valor Econômico, a Casas Bahia entende que o montante deveria estar fora do escopo do plano de recuperação extrajudicial que o GPA enfrenta. Dessa maneira, a varejista busca separar os valores, sob o argumento de que não se trata de um passivo financeiro típico, mas de créditos decorrentes de um processo arbitral que já teve sentença proferida, segundo a publicação.

Em dezembro, houve a decisão, em formato definitivo, para o pagamento do valor. Antes, o crédito era classificado como dívida de longo prazo, no entanto, a decisão transformou o passivo em dívida de curto prazo e apertou as finanças do GPA.

Já no início deste ano, a Casas Bahia pediu o cumprimento da sentença para receber o crédito. Após a decisão da Justiça que determinou o pagamento, o GPA teria até 11 de março para realizá-lo, no entanto, veio a recuperação extrajudicial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Recuperação extrajudicial do GPA

O GPA entrou com pedido de recuperação extrajudicial em 10 de março, um dia antes do prazo de vencimento do passivo relacionado à Casas Bahia.

A rede de supermercados apontou a Casas Bahia como uma credora inflexível na cobrança de R$ 170 milhões, valor que a companhia afirma não ter condições de pagar sem interromper suas operações, no pedido de recuperação extrajudicial entregue à Justiça.

“Muito embora a companhia tenha tentado negociar tal pagamento, em especial à luz das dificuldades que vinha enfrentando, a Casas Bahia sempre se demonstrou inflexível, exigindo a quitação imediata. Em 27 de janeiro de 2026, a Casas Bahia ajuizou o cumprimento de sentença […] buscando a satisfação desse crédito. Após decisão do Juízo determinando o pagamento, o GPA tem prazo até dia 11 de março de 2026 para fazê-lo”, diz a petição.

O documento indica ainda que a ausência de acordo sobre antigas obrigações contratuais de pagamento elevou a pressão sobre o caixa do GPA.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Conforme apuração do Valor, o controlador do GPA na época, o Casino, permitia a quitação mensal dessas obrigações junto à Casas Bahia quando a empresa era parte do grupo, até 2019.

Apesar das alegações do GPA sobre a pressão financeira, fontes ouvidas pelo Money Times afirmaram que as negociações correm desde 2019 e que não se trata de algo que surgiu agora. Neste cenário, a Casas Bahia estaria apenas buscando o ressarcimento no âmbito do processo, que vem se estendendo há alguns anos.

Estratégia da Casas Bahia

Segundo a apuração do Valor Econômico, a Casas Bahia protocolou embargo de declaração contra uma decisão do fim de abril que negou o pedido de duas transportadoras para excluírem seus créditos — no montante de R$ 43 milhões — da lista de credores da recuperação do GPA.

Embargos de declaração funcionam como recursos para esclarecer dúvidas ou corrigir aspectos de uma decisão judicial.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As transportadoras alegaram que o plano de recuperação do GPA seria apenas um “esboço” e que o crédito não é equiparável a valores financeiros típicos — similar ao defendido pela Casas Bahia, além de destacarem que não concordavam com a adesão ao plano.

O pedido, no entanto, teve recusa pela Justiça pelo entendimento de que a sujeição independe da adesão dos credores, uma vez que, caso as empresas estejam nas categorias que o plano abrange, o envolvimento se torna impositivo.

A Casas Bahia busca esclarecer se a Justiça está se antecipando no processo e uma decisão a respeito. No momento, o GPA está coberto pelos efeitos do chamado “stay period“, quando a companhia fica protegida de cobranças de dívidas por três meses, em meio à criação e negociação de plano com credores.

Procurada, a Casas Bahia e o GPA não retornaram até o momento de publicação desta matéria. O espaço segue aberto para posicionamento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
Linkedin
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
Linkedin
Por dentro dos mercados

Receba gratuitamente as newsletters do Money Times

OBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar