Casas Bahia (BHIA3) busca excluir dívida de R$ 170 milhões do plano de recuperação do GPA (PCAR3), diz jornal
A Casas Bahia (BHIA3) está em um embate com o GPA, dono da bandeira Pão de Açúcar (PCAR3), para reivindicar créditos que tem a receber da rede de supermercados.
Em dezembro do ano passado, o GPA perdeu um processo arbitral relacionado a obrigações assumidas da antiga Globex (hoje Casas Bahia). Com isso, houve reconhecimento da obrigação de pagamento pelo GPA de aproximadamente R$ 170 milhões.
De acordo com informações do Valor Econômico, a Casas Bahia entende que o montante deveria estar fora do escopo do plano de recuperação extrajudicial que o GPA enfrenta. Dessa maneira, a varejista busca separar os valores, sob o argumento de que não se trata de um passivo financeiro típico, mas de créditos decorrentes de um processo arbitral que já teve sentença proferida, segundo a publicação.
Em dezembro, houve a decisão, em formato definitivo, para o pagamento do valor. Antes, o crédito era classificado como dívida de longo prazo, no entanto, a decisão transformou o passivo em dívida de curto prazo e apertou as finanças do GPA.
Já no início deste ano, a Casas Bahia pediu o cumprimento da sentença para receber o crédito. Após a decisão da Justiça que determinou o pagamento, o GPA teria até 11 de março para realizá-lo, no entanto, veio a recuperação extrajudicial.
Recuperação extrajudicial do GPA
O GPA entrou com pedido de recuperação extrajudicial em 10 de março, um dia antes do prazo de vencimento do passivo relacionado à Casas Bahia.
A rede de supermercados apontou a Casas Bahia como uma credora inflexível na cobrança de R$ 170 milhões, valor que a companhia afirma não ter condições de pagar sem interromper suas operações, no pedido de recuperação extrajudicial entregue à Justiça.
“Muito embora a companhia tenha tentado negociar tal pagamento, em especial à luz das dificuldades que vinha enfrentando, a Casas Bahia sempre se demonstrou inflexível, exigindo a quitação imediata. Em 27 de janeiro de 2026, a Casas Bahia ajuizou o cumprimento de sentença […] buscando a satisfação desse crédito. Após decisão do Juízo determinando o pagamento, o GPA tem prazo até dia 11 de março de 2026 para fazê-lo”, diz a petição.
O documento indica ainda que a ausência de acordo sobre antigas obrigações contratuais de pagamento elevou a pressão sobre o caixa do GPA.
Conforme apuração do Valor, o controlador do GPA na época, o Casino, permitia a quitação mensal dessas obrigações junto à Casas Bahia quando a empresa era parte do grupo, até 2019.
Apesar das alegações do GPA sobre a pressão financeira, fontes ouvidas pelo Money Times afirmaram que as negociações correm desde 2019 e que não se trata de algo que surgiu agora. Neste cenário, a Casas Bahia estaria apenas buscando o ressarcimento no âmbito do processo, que vem se estendendo há alguns anos.
Estratégia da Casas Bahia
Segundo a apuração do Valor Econômico, a Casas Bahia protocolou embargo de declaração contra uma decisão do fim de abril que negou o pedido de duas transportadoras para excluírem seus créditos — no montante de R$ 43 milhões — da lista de credores da recuperação do GPA.
Embargos de declaração funcionam como recursos para esclarecer dúvidas ou corrigir aspectos de uma decisão judicial.
As transportadoras alegaram que o plano de recuperação do GPA seria apenas um “esboço” e que o crédito não é equiparável a valores financeiros típicos — similar ao defendido pela Casas Bahia, além de destacarem que não concordavam com a adesão ao plano.
O pedido, no entanto, teve recusa pela Justiça pelo entendimento de que a sujeição independe da adesão dos credores, uma vez que, caso as empresas estejam nas categorias que o plano abrange, o envolvimento se torna impositivo.
A Casas Bahia busca esclarecer se a Justiça está se antecipando no processo e uma decisão a respeito. No momento, o GPA está coberto pelos efeitos do chamado “stay period“, quando a companhia fica protegida de cobranças de dívidas por três meses, em meio à criação e negociação de plano com credores.
Procurada, a Casas Bahia e o GPA não retornaram até o momento de publicação desta matéria. O espaço segue aberto para posicionamento.