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Casas Bahia (BHIA3): Hoje nos centavos, ações já valeram quase R$ 500; cenário vai piorar?

18 ago 2026, 12:24
casas bahia
(Imagem: Casas Bahia/Divulgação)

As ações da Casas Bahia (BHIA3) enfrentam mais um dia de queda no pregão desta terça-feira (18), após desabar 33% na véspera em reação ao pedido de recuperação judicial e prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.

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Por volta de 12h (horário de Brasília), as ações caíam 6,82%, cotadas a R$ 0,41. Acompanhe o tempo real.



Hoje na casa dos centavos, a Casas Bahia já chegou a valer R$ 489 na Bolsa, em máxima histórica intradia registrada em julho de 2020. O patamar foi atingido em um cenário de “montanha-russa”, que derrubou a taxa básica de juros (Selic) para 2% e depois elevou para 15%.

Durante a pandemia de coronavírus, como forma de lidar com os impactos do isolamento social na economia, o Banco Central chegou a abaixar a Selic para a casa dos 2%, um patamar expressivamente baixo e que tende a beneficiar o consumo discricionário, aquele relacionado a bens não essenciais.

Vale recapitular que a Casas Bahia é uma tradicional varejista fundada pelo polonês Samuel Klein, em 1952. Por meio do carnê e com foco de viabilizar acesso à consumidores de renda mais baixa e se popularizou com o slogan “Dedicação total a você”, o avatar “Baianinho” e lojas físicas espalhadas pelo Brasil.

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Apesar da força que criou com o tempo e de uma Selic temporariamente baixa, a pandemia impulsionou um fator que deixou a Casas Bahia para trás: o digital.

O ganho de força dos marketplaces, entrada de players asiáticos, as compras online, tudo combinado a um cenário macroeconômico deteriorado são um ponto de partida para pensar no que ocorreu com a empresa nos últimos anos e a trouxe para uma recuperação judicial.

Na Casas Bahias, otimismo virou pessimismo

As dificuldades financeiras na varejista não são de hoje. A Casas Bahia entrou com uma recuperação extrajudicial em 2024, com R$ 4,1 bilhões em obrigações financeiras para lidar.

Diferentemente da recuperação judicial, a extrajudicial permite que empresas em crise financeira renegociem dívidas diretamente com credores. A ideia é chegar a acordos sobre a reestruturação de dívidas diretamente com os credores.

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A companhia chegou a fazer avanços na estrutura de capital, com redução de dívida e de alavancagem, além da implementação do chamado “plano de transformação”, que focou em integrar o digital e o físico e reavaliar o que faria sentido ao negócio.

Ao Money Times, o CFO, Élcio Ito contou durante uma entrevista gravada em maio deste ano, que, no primeiro ano do plano, houve a necessidade de tomar decisões muito duras, incluindo a redução de quase 15 mil funcionários (20% do total) para ajustar o custo estrutural. Além disso, houve o fechamento de quase 100 lojas e quatro centros de distribuição.

“Primeiro, precisamos colocar esse freio de arrumação para organizar e dar base de crescimento para a companhia […] Tínhamos um desafio de caixa, uma estrutura de capital muito frágil”, disse o executivo.

A recuperação foi sequencial, com nove trimestres consecutivos de evolução da margem operacional, o que gradualmente destravou os temas financeiros, de acordo com o CFO. Para isso, a empresa passou por reestruturações da dívida, incluindo conversões de dívida em capital (equity), diminuindo a alavancagem de mais de 2 vezes para 0,5 vez, e a dívida líquida, de R$ 5 bilhões para R$ 1,2 bilhão.

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Conforme o executivo, ainda existia um processo de buscar caixa positivo e lucro, mas a fase mais crítica de 2023 teria ficado para trás.

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O pior não ficou para trás…

De acordo com o pedido de recuperação judicial, o cenário atual é mais complexo do que o enfrentado em 2024, com “efeitos especialmente severos” da Selic, dada a relevância do crediário para o negócio.

Segundo falas de Renato Franklin, CEO da Casas Bahia, durante e teleconferência realizada na segunda (1), ocenário que se desenha para o ano que vem é mais restritivo.

“Nós não trabalhamos com melhora do cenário macro. Dimensionamos essa fase 2 considerando 2027 pior do que 2026. Então, entendemos que o endividamento vai continuar”, afirma.

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Na visão de Franklin, algumas alavancas deram fôlego ao consumo durante este ano, como o empréstimo consignado, “mas isso cria um passivo para o futuro dos consumidores”. “Podemos ter, sim, ainda uma deterioração do cenário de crédito. Então, dimensionamos para isso.”

O executivo também compartilhou a visão sobre a piora do crédito, elencando três razões para o pessimismo.

Primeiro, a taxa de juros alta, que torna mais caro consumir bens duráveis. “O poder de consumo do brasileiro é limitado. E, para bens duráveis, como os nossos, de consumo discricionário e com um ticket médio alto, essa taxa de juros impacta o preço.”

Segundo, o endividamento das famílias, que continua cada vez mais alto, “impactando muito a nossa capacidade de concessão de crédito”. “Temos sido cada vez mais restritivos na concessão de crédito.”

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Terceiro, há uma disputa agressiva pelo orçamento disponível do consumidor. “E, sim, esses novos canais, todo dia sai um número diferente, por exemplo, do consumo de capital das Bets, que consomem dinheiro das famílias, atrapalhando o consumo que se fazia na indústria.”

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Repórter
Formada em jornalismo pela Universidade Nove de Julho. Ingressou no Money Times em 2022 e cobre empresas, com foco em varejo e setor aéreo.
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