Caso raro: XP inicia cobertura de banco e vê ação a R$ 126; potencial chega a 70%
Bancos são um dos setores mais sólidos e indicados por analistas. Mas engana-se quem acha que ele se resume a Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4), Santander (SANB11), BTG (BPAC11) ou Banco do Brasil (BBAS3). Há bancos médios e até pequenos que podem render bons ganhos para os seus investidores. Esse parece o caso do Mercantil (BMEB3).
Na última semana, a XP iniciou a cobertura das ações. E o preço-alvo impressiona: R$ 126. Negociado a R$ 74,5, o potencial de alta chega a 72%.
Focado em crédito consignado de aposentados, o Mercantil tem forte presença em Minas Gerais, onde foi fundado na década de 40. De lá para cá, investiu em tecnologia, mas sem esquecer as agências. Para a XP, o Mercantil possui um diferencial único e difícil de replicar, que é o crédito consignado do INSS.
O banco já chegou a bater o Santander em número de clientes que recebem benefícios do órgão.
Segundo a XP, trata-se de um caso raro o sistema financeiro brasileiro: banco de médio porte com estrutura,
alta rentabilidade, baixa volatilidade dos lucros e um modelo de negócios altamente especializado, operando em um ambiente regulamentado nicho defensivo.
“O banco construiu uma franquia protegida por barreiras regulatórias de entrada, “especialmente sua posição de liderança nos leilões do INSS, que juntos criam um funil de aquisição proprietário, com CAC competitivo e forte recorrência”.
E mesmo que invista em tecnologia, a presença física, que muitas vezes é vista como uma desvantagem em outros modelos, é, no caso do Mercantil, uma exigência regulatória que se transformou em um ativo estratégico, especialmente para clientes menos familiarizados com tecnologia.
“Por meio desse modelo físico-digital, esperamos que o banco continue se beneficiando de um mercado maduro que ainda apresenta amplo espaço para crescimento, sustentado por sólidas tendências estruturais”.
Empréstimos com garantias: o nome do jogo
Se a inadimplência é uma dor de cabeça, o empréstimo com garantias é um remédio que os bancos gostam de tomar. Se o cliente não paga, há como diminuir o prejuízo.
No caso do Mercantil, a XP lembra que o modelo de negócios é ancorado nesse tipo de empréstimo.
“Os empréstimos consignados garantidos pelo INSS são o principal produto do banco, caracterizados por baixo risco de crédito, alta previsibilidade de fluxo de caixa e um papel fundamental na aquisição e retenção de clientes”.
Mas mais do que isso. O modelo também funciona como porta de entrada para um ecossistema mais amplo de produtos de maior margem, baixo risco incremental e alta recorrência.
“A partir desse relacionamento inicial, o banco aprofunda a monetização por meio de produtos de crédito e de sua plataforma de serviços, o que expande o LTV (valor do cliente ao longo do tempo) sem aumentar o perímetro de risco”.
A digitalização da base de clientes também ajuda. O resultado, de acordo com os analistas, é uma operação escalável, com baixo custo marginal e forte capacidade de cross-sell, o que aumenta a primarização do relacionamento, reduz o CAC e eleva a rentabilidade por cliente.
Crescimento
Mas não espere grandes saltos de crescimento. Para a XP, a criação de valor está ligada à originação disciplinada, à eficiência operacional e ao capital e financiamento conservadores na gestão.
“Consideramos a Mercantil uma empresa de capital composto defensiva, cuja assimetria não reside na aceleração do crescimento, mas em sustentar um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) elevado com previsibilidade”.
No terceiro trimestre, o banco encerrou o período com ROE de 45% e lucro de R$ 254 milhões.
Segundo o relatório, o banco negocia a cerca de 5,0x P/L estimado para 2026, enquanto o preço-alvo de R$ 126 implica um múltiplo mais próximo de 10x — o que sustenta o potencial de valorização.
Os analistas apontam ainda riscos importantes, como mudanças regulatórias, desempenho nos leilões do INSS e deterioração do cenário macroeconômico.