Cemig (CMIG4): Safra reduz preço-alvo e alerta para incertezas com sucessão de Zema
O Safra revisou para baixo seu preço-alvo para as ações preferenciais da Cemig (CMIG4), passando de R$ 12,50 para R$ 11,90 ao final de 2026, e manteve a recomendação neutra para a companhia. Apesar de enxergar um potencial de valorização de cerca de 13% em relação aos níveis atuais, o banco avalia que o retorno esperado ainda é limitado quando comparado ao restante do setor elétrico.
De acordo com os analistas, a nova avaliação implica uma taxa interna de retorno (TIR) próxima de 10%, abaixo da média de 12,1% observada entre os pares. Além disso, a expectativa é de um dividend yield médio de aproximadamente 4% nos próximos três anos, em linha com o setor, mas sem representar um diferencial capaz de justificar uma visão mais construtiva para o papel.
O corte no preço-alvo reflete uma série de ajustes nas projeções do banco. Entre eles estão a incorporação dos resultados do primeiro semestre de 2026, novas premissas macroeconômicas com juros mais altos, inflação elevada em 2026 e 2027 e uma taxa de desconto maior. O Safra também revisou sua curva de preços de energia e atualizou o portfólio de balanço energético da companhia.
Além dos fatores macroeconômicos, o banco continua preocupado com o elevado ciclo de investimentos da distribuidora da Cemig. Segundo a análise, os desembolsos em capital (capex) devem permanecer elevados até a revisão tarifária prevista para 2028, pressionando a alavancagem da empresa.
A estimativa é que a relação entre dívida líquida e Ebitda fique ao redor de 2,5 vezes, enquanto o pagamento de dividendos dificilmente ultrapassará o piso regulatório de 25% dos lucros.
Outro ponto de atenção é a operação de comercialização de energia. O Safra destaca que a companhia está “vendida” em energia até 2027, o que aumenta o risco de resultados abaixo do esperado nesse segmento e pode continuar pressionando a percepção do mercado sobre a ação.
Eleições 2026
As eleições em Minas Gerais também aparecem como uma fonte adicional de incerteza. Com a saída prevista do governador Romeu Zema para disputar a Presidência da República, os principais candidatos ao governo estadual têm demonstrado pouco entusiasmo com a tese de privatização da Cemig.
O atual vice-governador, Mateus Simões, já afirmou que não pretende priorizar o tema e admitiu a possibilidade de mudanças na direção da empresa em meio às negociações políticas. Outros nomes bem posicionados nas pesquisas, como o senador Cleitinho e o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, também se manifestaram contra a privatização.
Na visão do Safra, mesmo que a discussão sobre a venda da companhia volte a ganhar força no futuro, o processo exigiria alterações na Constituição de Minas Gerais e poderia enfrentar forte resistência política, tornando a tese difícil de ser implementada no curto prazo.
Diante desse cenário, o banco avalia que possíveis mudanças de gestão e estratégia após as eleições tendem a elevar a percepção de risco dos investidores e podem atrasar decisões importantes para a companhia, incluindo negociações relacionadas à renovação de concessões.
Troca de CEO no radar
Na quinta-feira (27), as ações da Cemig fecharam em queda após a notícia de que o governador de Minas Gerais, Mateus Simões, indicaria um novo nome para o cargo de CEO da companhia.
Os nomes de Marcio Nunes, ex-CEO da Copasa, e Fernando Fagundes, que atuou na Light, seriam os indicados para a vaga.
Em maio deste ano, apenas três meses atrás, houve a eleição de Alexandre Ramos Peixoto para o cargo de presidente-executivo (CEO) da companhia. O executivo ocupa desde 2023 a presidência do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
Antes de atuar na CCEE, Alexandre Ramos Peixoto exerceu o cargo de diretor de Regulação e Relações Institucionais da Cemig.
Cemig tem lucro líquido de R$ 945 milhões no 2T26
No segundo trimestre de 2026 (2T26), a Cemig registrou lucro líquido de R$ 945,44, queda de 20,44% ante igual etapa de 2025.
A receita líquida somou a R$ 11,5 bilhões entre abril e junho deste ano, montante 3,43% maior menor frente ao reportado em igual etapa do ano passado.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês) foi de R$ 2,239 bilhões no período, valor 8,75% acima do registrado no segundo trimestre de 2025, enquanto o Ebitda ajustado chegou a R$ 2,47 bilhões, alta de 9,32% ante igual período de 2025.
Concessão de usina hidrelétrica
Mais cedo nesta sexta-feira (28), o Ministério de Minas e Energia prorrogou por mais 30 anos o prazo de concessão da usina hidrelétrica Sá Carvalho, da Cemig.
A estatal mineira de energia tem, além de Sá Carvalho, outras duas hidrelétricas com concessões vencendo entre este e o próximo ano, para as quais se discutem extensões com o governo federal. Em meados deste mês, a diretoria da Cemig disse que estava “otimista” com o processo.
O debate sobre o futuro de concessões hidrelétricas começou a avançar no Brasil neste ano, conforme se aproxima uma onda de vencimento de contratos até 2032. Entre as alternativas, estão prorrogações como contrapartida a novos investimentos, ou mesmo a abertura de processos competitivos pelos ativos.
As ações da companhia operam no negativo.