CEO da Tupy (TUPY3), que assumiu em meio a questionamentos de minoritários, renuncia com menos de 1 ano no cargo
Chegou ao fim a passagem de Rafael Lucchesi no comando da Tupy (TUPY3), menos de um ano após assumir a companhia. Segundo comunicado enviado ao mercado nesta sexta-feira (27), o executivo apresentou sua renúncia.
Sem entrar em muitos detalhes, o documento afirma que a saída ocorreu por “razões de ordem estritamente pessoal”.
A Tupy, no entanto, fez questão de exaltar o ex-CEO, afirmando que, durante sua gestão, houve avanços na execução da estratégia, com destaque para novos contratos, diversificação do portfólio e iniciativas voltadas ao ganho de eficiência operacional — contribuindo para o posicionamento da companhia nos ciclos futuros.
De forma interina, Gueitiro Matsuo Genso, atual diretor vice-presidente de novos negócios e diretor de relações com investidores — na empresa desde 2019 — assumirá como diretor-presidente.
A companhia também contratou a Heidrick & Struggles, consultoria internacional especializada em sucessão de executivos, para conduzir o processo de escolha de um novo CEO.
‘Ingerência política’
Lucchesi foi eleito em março do ano passado em meio a acusações de ingerência política.
Sua indicação foi questionada por acionistas minoritários, que apontaram falta de experiência operacional e possível viés político, dada sua ligação com o BNDES.
À época, em entrevista à Folha de S.Paulo, Camilo Marcantonio, fundador e diretor de investimentos da Charles River Capital, que é acionista minoritária da Tupy, afirmou que a trajetória de Lucchesi não era típica de um executivo da indústria.
Além disso, o então CEO, Fernando Rizzo, contava com amplo apoio do mercado e era visto como um dos principais responsáveis pela recuperação e pela reestruturação da companhia.
Tupy e o mau momento
A renúncia também ocorre em meio ao pior momento da empresa na bolsa nos últimos seis anos.
Atualmente, a ação é negociada a R$ 12,27 — o menor nível desde o período da pandemia, quando chegou a R$ 10. Além dos maus resultados, a companhia também sofreu as tarifas de Donald Trump aplicadas contra o Brasil.
Para ter uma noção do estrago, no último trimestre, a companhia viu o prejuízo disparar 542%, passando de R$ 98 milhões para R$ 627 milhões.
O resultado foi impactado por uma série de efeitos não operacionais relacionados ao processo de reestruturação industrial — com destaque para um impairment de R$ 325 milhões, parcialmente compensado por um efeito positivo de R$ 174 milhões com a venda de créditos.
Em relatório, a XP. afirmou que os números aumentam as preocupações sobre a sustentabilidade financeira das operações e a visibilidade da trajetória de resultados, com espaço relevante para revisões para baixo.
“Reconhecemos que diversos fatores negativos se sobrepuseram, incluindo demanda mais fraca (doméstica e externa), além de ajustes relacionados a câmbio e tarifas no plano de reorganização industrial da Tupy”, diz o relatório.
Ainda assim, os analistas avaliam que o quarto trimestre pode ter representado um piso cíclico em termos de volume. “Mas vemos espaço para que a alavancagem aumente no primeiro trimestre de 2026”.
Diante desse cenário, agências de rating, como a S&P Global Ratings, rebaixaram a classificação da companhia, citando a estrutura de capital e a rentabilidade, que devem permanecer pressionadas nos próximos 18 meses.