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CEO da Tupy (TUPY3), que assumiu em meio a questionamentos de minoritários, renuncia com menos de 1 ano no cargo

27 mar 2026, 18:54 - atualizado em 27 mar 2026, 19:08
Rafael Lucchesi
Sem entrar em muitos detalhes, o documento afirma que a saída ocorreu por "razões de ordem estritamente pessoal". (Imagem: Reprodução/CNI)

Chegou ao fim a passagem de Rafael Lucchesi no comando da Tupy (TUPY3), menos de um ano após assumir a companhia. Segundo comunicado enviado ao mercado nesta sexta-feira (27), o executivo apresentou sua renúncia.

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Sem entrar em muitos detalhes, o documento afirma que a saída ocorreu por “razões de ordem estritamente pessoal”.

A Tupy, no entanto, fez questão de exaltar o ex-CEO, afirmando que, durante sua gestão, houve avanços na execução da estratégia, com destaque para novos contratos, diversificação do portfólio e iniciativas voltadas ao ganho de eficiência operacional — contribuindo para o posicionamento da companhia nos ciclos futuros.

De forma interina, Gueitiro Matsuo Genso, atual diretor vice-presidente de novos negócios e diretor de relações com investidores — na empresa desde 2019 — assumirá como diretor-presidente.

A companhia também contratou a Heidrick & Struggles, consultoria internacional especializada em sucessão de executivos, para conduzir o processo de escolha de um novo CEO.

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‘Ingerência política’

Lucchesi foi eleito em março do ano passado em meio a acusações de ingerência política.

Sua indicação foi questionada por acionistas minoritários, que apontaram falta de experiência operacional e possível viés político, dada sua ligação com o BNDES.

À época, em entrevista à Folha de S.Paulo, Camilo Marcantonio, fundador e diretor de investimentos da Charles River Capital, que é acionista minoritária da Tupy, afirmou que a trajetória de Lucchesi não era típica de um executivo da indústria.

Além disso, o então CEO, Fernando Rizzo, contava com amplo apoio do mercado e era visto como um dos principais responsáveis pela recuperação e pela reestruturação da companhia.

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Tupy e o mau momento

A renúncia também ocorre em meio ao pior momento da empresa na bolsa nos últimos seis anos.

Atualmente, a ação é negociada a R$ 12,27 — o menor nível desde o período da pandemia, quando chegou a R$ 10. Além dos maus resultados, a companhia também sofreu as tarifas de Donald Trump aplicadas contra o Brasil.

Para ter uma noção do estrago, no último trimestre, a companhia viu o prejuízo disparar 542%, passando de R$ 98 milhões para R$ 627 milhões.

O resultado foi impactado por uma série de efeitos não operacionais relacionados ao processo de reestruturação industrial — com destaque para um impairment de R$ 325 milhões, parcialmente compensado por um efeito positivo de R$ 174 milhões com a venda de créditos.

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Em relatório, a XP. afirmou que os números aumentam as preocupações sobre a sustentabilidade financeira das operações e a visibilidade da trajetória de resultados, com espaço relevante para revisões para baixo.

“Reconhecemos que diversos fatores negativos se sobrepuseram, incluindo demanda mais fraca (doméstica e externa), além de ajustes relacionados a câmbio e tarifas no plano de reorganização industrial da Tupy”, diz o relatório.

Ainda assim, os analistas avaliam que o quarto trimestre pode ter representado um piso cíclico em termos de volume. “Mas vemos espaço para que a alavancagem aumente no primeiro trimestre de 2026”.

Diante desse cenário, agências de rating, como a S&P Global Ratings, rebaixaram a classificação da companhia, citando a estrutura de capital e a rentabilidade, que devem permanecer pressionadas nos próximos 18 meses.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intesivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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