Análise Técnica

Ciclo do gado pior e consumo doméstico fraco marcam 1T26 “pouco inspirador” para setor alimentício, diz Itaú BBA

30 abr 2026, 8:00 - atualizado em 29 abr 2026, 9:48
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(Foto: iStock - Minerva Studio)

O Itaú BBA vê o primeiro trimestre de 2026 (1T26) como “pouco inspirador” para o setor de frigoríficos e empresas de alimentos básicos. O período deve refletir uma combinação de desafios nos ciclos de proteína e um consumo doméstico mais fraco.

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O relatório, divulgado na segunda-feira (27), aponta piora do ciclo do gado e “ventos contrários” nas exportações para a China, o que mantém a cautela dos investidores elevada.

Nesse contexto, o setor de proteínas passa a depender mais da avicultura brasileira no curto prazo, segmento que tem atraído interesse por se mostrar relativamente resiliente.

Nos Estados Unidos, interrupções relacionadas ao clima no início do ano e a menor disponibilidade de gado para abate devem pressionar os resultados trimestrais. A avaliação é de que esse cenário pode levar a revisões negativas de consenso, mais relevantes no caso da JBS (JBSS32).

Já no segmento de alimentos básicos, o banco aponta uma desaceleração no consumo no Brasil em 2026. Apesar de alguma melhora ao longo do trimestre, o nível de consumo ainda permanece ligeiramente abaixo do esperado, mesmo após medidas como isenções fiscais para famílias de baixa renda e com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais controlado.

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Entre os principais fatores para o consumo enfraquecido estão o aumento do endividamento das famílias — que está em patamar recorde — em um ambiente de juros elevados por mais tempo, além do comprometimento de parte do orçamento com apostas e outros gastos.

Empresas do setor alimentício para ficar de olho

De modo mais específico, o Itaú BBA recomenda acompanhar os preços do arroz e a atual expansão de margem do açúcar na Camil (CAML3), além da curva de deflação de custos e das estratégias de preços diante da alta do trigo na M. Dias Branco (MDIA3).

No panorama das empresas, a JBS mantém recomendação de compra (outperform), com preço-alvo de US$ 20 para 2026, apesar das pressões operacionais no curto prazo.

A MBRF deve apresentar desempenho em linha com o esperado pelo mercado, com recomendação neutra (market perform) e preço-alvo de R$ 23.

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Já a Minerva (BEEF3) tende a começar o ano em ritmo mais fraco, em meio a um ambiente mais desafiador. Ainda assim, o banco mantém recomendação de compra (outperform), com preço-alvo de R$ 9.

Embora esteja com uma revisão de custos em andamento, a M. Dias Branco deve continuar enfrentando pressão competitiva e desafios na formação de preços. Por isso, a recomendação é neutra.

Para a Camil, o banco avalia que o risco-retorno se tornou menos atrativo após a forte valorização das ações, especialmente diante de revisões de lucro mais limitadas no período, embora siga a recomendação de compra.

“No geral, temos preferência relativa de longo prazo pela Camil em relação à M. Dias e pela JBS (nosso papel preferido no setor de alimentos e bebidas) em relação à Minerva e MBRF”, escrevem Gustavo Troyano, Bruno Tomazetto e Ryu Matsuyama, do Itaú BBA.

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*Com supervisão de Renan Sousa.

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Estagiário no Money Times e estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Foi trainee e repórter freelancer na Folha de S.Paulo.
Estagiário no Money Times e estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Foi trainee e repórter freelancer na Folha de S.Paulo.

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