Itaú BBA vê indústria brasileira presa em “círculo vicioso” e aponta caminhos para romper a estagnação
“A indústria brasileira está estagnada há mais de uma década e apresenta desempenho significativamente pior que de outros setores no Brasil e que da indústria em outros países”, aponta o Itaú BBA em seu novo relatório Macro Visão.
Segundo os analistas, a retração tem sido causada por dificuldades estruturais ligadas à baixa produtividade, aumento dos custos de trabalho e perda de competitividade, apesar do setor apresentar demanda.
Diante deste cenário, o banco indica alguns pilares a serem trabalhados para impulsionar o desenvolvimento industrial brasileiro.
A primeira política apontada pelo BBA é a ênfase em educação e infraestrutura, que “promoveria um aumento da produtividade do trabalhador”. O banco argumenta que melhores condições de infraestrutura criariam soluções para entraves no setor, como gargalos de transporte, energia, saneamento e conectividade, por exemplo.
Os analistas afirmam que uma rede de infraestrutura mais eficiente pode reduzir custos logísticos, atrasos, necessidade de manter estoques maiores, além de aumentar a produtividade. Eles usam como exemplo a aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento, que atraiu mais investimentos privados na indústria.
Outro aspecto ressaltado pelo BBA é a necessidade de investimento em educação e qualificação profissional, enfatizando que o cenário atual é de baixa participação dos estudantes brasileiros no ensino técnico.
O relatório afirma que o principal problema da indústria brasileira não é o nível dos salários em si, mas o fato de que a produtividade dos trabalhadores não cresce na mesma velocidade. Os analistas afirmam que no Brasil, a deficiência educacional dificulta essa realocação entre setores e ocupações, tornando o mercado de trabalho menos flexível, e reduzindo a mão de obra qualificada em determinados segmentos, como a própria indústria.
O BBA ainda afirma que “um nível elevado de gasto público” pressiona a demanda por serviços intensivos e aumenta os juros de equilíbrio e reduz o investimento privado. Na visão dos analistas, a abertura comercial e integração global pode favorecer a produtividade e a inovação na indústria.
*Com supervisão de Vitor Azevedo