Compass estreia hoje na B3, em primeiro IPO em quatro anos; de largada, potencial chega a 57%, vê analista
O jejum de quatro anos de IPOs (oferta pública de ações) será quebrado nesta segunda-feira (8) com a estreia da Compass, empresa de distribuição e comercialização de gás do grupo Cosan (CSNA3).
Na última quinta-feira, a companhia precificou sua oferta em R$ 28 no piso da faixa. Ao todo, levantou R$ 3,2 bilhões, que deverão ir para o bolso do acionista, já que se trata de uma oferta secundária. Com o ticker PASS3, a empresa foi avaliada em aproximadamente R$ 20 bilhões.
Se o fato de ter saído no piso da faixa mostra um mercado ainda fraco, em meio às incertezas com a guerra do Irã, por outro isso pode abrir oportunidade para investidores menores se posicionarem em uma empresa considerada sólida e bem estabelecida. A EQI calculou faixa de R$ 42 a R$ 44 no preço-alvo, o que poderia representar potencial de até 57%.
“A oferta pode representar uma oportunidade interessante para investidores, especialmente caso a
precificação ocorra mais próxima do piso da faixa”, destaca.
A Compass chega ao mercado com uma tese que mistura previsibilidade típica de ativos regulados de infraestrutura com uma aposta de crescimento na abertura do mercado livre de gás natural no Brasil.
No material de roadshow da oferta, a companhia define sua estratégia como uma “combinação de yield, crescimento e retorno”, apoiada em “disciplina na alocação de capital”. A Compass destaca ainda que sua subsidiária Edge seria “o player melhor posicionado para liderar a abertura do mercado de gás”.
A operação reúne ativos maduros de distribuição, como a Comgás, além da Edge, braço voltado à comercialização de gás, biometano e gás natural liquefeito (GNL). A companhia atua em sete distribuidoras e afirma representar cerca de 40% do consumo de gás canalizado do país e mais de 68% dos clientes conectados à rede nacional.
Compass aposta em Novo Marco do Gás
A leitura predominante entre analistas é de que o grande atrativo do IPO está justamente na combinação entre geração de caixa estável e opcionalidade de crescimento.
A equipe da EQI Research, liderada por João Neves, recomenda participação na oferta. Segundo a casa, a Compass combina “uma operação regulada, previsível e com crescimento orgânico contratado” com “uma divisão com uma opcionalidade de crescimento transformacional em um mercado incipiente no Brasil”.
A EQI afirma ainda ver “um potencial de valorização interessante em relação à faixa indicativa da oferta”, avaliando que o IPO apresenta uma “relação risco e retorno atraente”.
Na visão da casa, o principal motor estrutural da tese está na abertura gradual do mercado brasileiro de gás após o Novo Marco do Gás, aprovado em 2021. A mudança regulatória reduziu a presença dominante da Petrobras (PETR4) na cadeia e abriu espaço para novos agentes em comercialização, suprimento e infraestrutura.
O próprio roadshow da Compass segue essa linha. Em um dos slides, a companhia afirma que “o Brasil já tomou medidas para criar um mercado atrativo para investimentos privados no setor de gás”, citando o acordo antitruste da Petrobras, o Novo Mercado do Gás e os investimentos em infraestrutura como gatilhos para expansão do setor.