Computação quântica entra na agenda estratégica dos EUA
O governo Trump está acelerando a agenda de computação quântica nos Estados Unidos, com determinações para desenvolver o primeiro computador quântico voltado à pesquisa científica e acelerar a migração do governo para a criptografia pós-quântica até 2031.
A máquina deverá ser instalada em um laboratório nacional até 2028, um prazo considerado ambicioso por antecipar as metas de boa parte da indústria. A IBM, por exemplo, trabalha com a expectativa de lançar um supercomputador quântico tolerante a falhas apenas em 2029, enquanto outras empresas miram 2030 ou depois.
A tolerância a falhas é vista como o grande marco tecnológico do setor, pois significa construir sistemas capazes de operar de forma estável mesmo diante de falhas em seus componentes individuais.
A ordem também determina que o Departamento de Energia defina as especificações técnicas do projeto, incluindo métricas como quantidade e qualidade dos qubits, as unidades básicas da computação quântica.
Além disso, agências como a NASA e o Departamento de Comércio deverão elaborar planos para a implantação de sensores e redes habilitados por tecnologia quântica. O movimento se apoia em um pacote de US$ 2 bilhões do Departamento de Comércio, incluindo participações em empresas do setor, e reforça que a computação quântica passou a ocupar uma posição estratégica ao lado da inteligência artificial e da tecnologia nuclear na agenda industrial, científica e de segurança dos Estados Unidos.
A leitura mais importante é que a computação quântica começa a deixar de ser apenas uma promessa científica distante para se tornar uma prioridade estratégica de Estado, como já aconteceu com a inteligência artificial.
Ainda há riscos relevantes — prazos ambiciosos, incertezas técnicas, modelos de negócio em formação e valuations sensíveis a frustrações no curto prazo —, mas o direcionamento de capital público, a definição de metas claras e a entrada de grandes empresas, laboratórios nacionais e governos tendem a acelerar o amadurecimento do setor.
Para o investidor, isso reforça a visão de que a próxima fase da tecnologia será marcada por infraestrutura crítica, segurança, capacidade computacional e soberania tecnológica.
Nesse sentido, a computação quântica deve ser vista como uma extensão natural do ciclo de IA, e não como uma tese concorrente: enquanto a inteligência artificial já impulsiona a demanda por semicondutores, energia, data centers, redes, memória, software e modelos avançados, a computação quântica pode ampliar esse ecossistema ao abrir novas fronteiras em simulações científicas, criptografia, descoberta de medicamentos, materiais avançados, defesa e otimização industrial.
O caminho deve seguir volátil e seletivo, mas a direção estrutural permanece positiva.
Por isso, seguimos construtivos com as teses de inteligência artificial e computação quântica, mantendo uma visão favorável à exposição ao Defiance Quantum ETF (NASDAQ: QTUM), como veículo mais diretamente ligado ao avanço da computação quântica, e ao BTG Pactual S&P/B3 Ingenius ETF (B3: GENB11), como alternativa local para capturar a transformação mais ampla em tecnologia, inovação e inteligência artificial, sempre com disciplina de preço, horizonte de longo prazo e foco em empresas capazes de converter inovação em receita, margem e vantagem competitiva sustentável.