Tenda (TEND3): Ações caem 3% após prévia do 2T26; analistas respondem se é hora de comprar ou vender
Negociadas fora do Ibovespa, as ações da Tenda (TEND3) operam em queda nesta quarta-feira (8), um dia após a construtora divulgar sua prévia operacional do segundo trimestre de 2026 (2T26).
O movimento negativo, cabe ressaltar, ocorre em uma sessão de aversão a risco na bolsa brasileira em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.
Ainda assim, a leitura dos analistas sobre os números da construtora é mista, variando entre avaliações de resultados sólidos e indicadores abaixo das expectativas.
Por volta das 13h30 (de Brasília), os papéis da companhia recuavam aproximadamente 3,3%, negociados a R$ 33,84. No acumulado dos últimos 12 meses, contudo, apresentam valorização superior a 38%.
No mesmo horário, o principal índice da B3 (IBOV) caía 1,05%, aos 170,212.22 pontos. Acompanhe o movimento em tempo real.
O 2T26 da Tenda
O segundo trimestre da Tenda foi marcado por recordes em lançamentos, vendas brutas, vendas líquidas e banco de terrenos (landbank), segundo mostrou sua prévia operacional.
A construtora lançou 14 empreendimentos entre abril e junho, que somaram Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,68 bilhão, alta de 54,4% em relação ao mesmo período de 2025.
Dentro da marca Tenda, que é focada no Minha Casa, Minha Vida (MCMV), as vendas brutas atingiram R$ 1,50 bilhão, crescimento de 27% na mesma base de comparação. Já as vendas líquidas totalizaram R$ 1,31 bilhão, avanço de 25,4%.
Apesar disso, houve desaceleração na velocidade de comercialização líquida, medida pelo indicador VSO, que caiu para 23,9% no 2T25, contra 27,7% um ano antes.
De acordo com a construtora, a queda refletiu uma estratégia de reposicionamento de preços adotada no primeiro semestre para compensar a pressão de custos observada em março e abril.
A expectativa é voltar a acelerar as vendas a partir de julho, diante da dissipação das pressões inflacionárias.
Ainda dentro da marca Tenda, os distratos somaram R$ 189 milhões no segundo trimestre, alta de 39,5% em relação ao mesmo período de 2025. A companhia atribuiu o aumento principalmente ao cancelamento preventivo de vendas de um empreendimento recém-lançado cuja licença ambiental ainda está em discussão.
Já a Alea, subsidiária do grupo voltada a casas industrializadas, lançou três empreendimentos entre abril e junho, com VGV de R$ 85,5 milhões, frente aos R$ 21,2 milhões apurados no 2T25.
As vendas brutas totalizaram R$ 102,4 milhões, recuo anual de 43,3%, enquanto as vendas líquidas ficaram em R$ 84,2 milhões, queda de 41,8%, com VSO de 36,5%, ante 31,3% um ano antes.
O banco de terrenos dessa operação encerrou o trimestre em R$ 6,1 bilhões, o que representa 18,4% do landbank consolidado da construtora.
BTG vê operação principal como destaque
Para a equipe do BTG Pactual, a Tenda apresentou resultados operacionais “sólidos e em linha com as projeções”, impulsionada principalmente pelo desempenho da marca principal.
O banco também destacou que a empresa transferiu R$ 1,08 bilhão em recebíveis para instituições financeiras e encerrou o trimestre com banco de terrenos recorde, de R$ 27,7 bilhões em VGV potencial, expansão de 35,1% na comparação anual.
Entre abril e junho, a companhia adquiriu, de fato, aproximadamente R$ 5 bilhões em terrenos — sendo 39% na região Nordeste —, o que sinaliza, de acordo com os analistas, “que a construtora planeja manter um ritmo elevado de crescimento”.
“A Tenda apresentou resultados operacionais sólidos em todas as frentes. Embora o ritmo de comercialização tenha desacelerado ligeiramente, destacamos que a empresa conseguiu manter um desempenho bom, com VSO de 24%, ao mesmo tempo em que aumentou significativamente os preços de lançamento e de venda, que subiram 8% e 3% na comparação trimestral, respectivamente”, afirmou o BTG.
“A construtora continua sendo nossa principal escolha (top pick) no segmento de baixa renda, visto que está no caminho certo para entregar resultados sólidos em suas operações principais, enquanto a Alea se torna menos relevante para o resultado consolidado”, prosseguiu.
Pelas estimativas da casa, as ações são negociadas a um múltiplo preço/lucro (P/L) de 4,5 vezes para 2027, considerado “atrativo”.
O preço-alvo do banco para os papéis é de R$ 44, o que representa potencial de valorização de cerca de 30% sobre a cotação atual.
BBI destaca reajustes de preços
Já o Bradesco BBI avaliou os números como “ligeiramente positivos”. De acordo com a casa, o destaque foi o preço médio dos lançamentos, que atingiu nível recorde de R$ 250 mil por unidade, crescimento anual de 15%, refletindo a estratégia de incorporação de produtos com maior valor agregado.
O banco também observou que, apesar do aumento dos distratos, parte desse movimento decorreu de cancelamentos preventivos relacionados a um empreendimento específico, o que tende a ser revertido após a regularização do projeto.
“O principal destaque continua sendo a forte evolução dos preços, tanto nos lançamentos quanto nas vendas, reforçando o sucesso da estratégia de reposicionamento da companhia dentro das diferentes faixas do Minha Casa, Minha Vida”, disse o BBI, em relatório.
“Além disso, a velocidade de comercialização permanece em patamar saudável, mesmo diante de uma base comparativa mais exigente. E com um banco de terrenos robusto, boa execução operacional e valuation descontado frente aos concorrentes do segmento, seguimos com visão positiva para a Tenda”, prosseguiu.
Safra vê números abaixo do esperado
O Safra, por sua vez, adotou uma leitura um pouco mais cautelosa e apontou que os resultados operacionais ficaram “ligeiramente abaixo das estimativas”.
O banco ressaltou que, embora a empresa tenha registrado uma atividade robusta de lançamentos, um volume maior de distratos associado à suspensão do lançamento de um empreendimento contribuiu para que as vendas ficassem 9% inferior ao esperado.
Como consequência, disse que o índice VSO atingiu 24,4%, 190 pontos-base abaixo das projeções internas.
A casa também ponderou que as vendas líquidas ficaram abaixo das expectativas porque “refletiram o maior foco da empresa em preços em meio a preocupações inflacionárias”.
Ainda assim, o Safra manteve uma visão positiva para a companhia e destacou que segue confiante na dinâmica operacional para o futuro, uma vez que o segmento principal opera em ritmo acelerado e com perspectivas de resultados mais robustos.
“Dessa forma, reiteramos a recomendação outperform (equivalente à compra) para TEND3, sustentada por um múltiplo P/L atrativo de 5,2 vezes estimado para 2027, um dos mais baixos do nosso universo de cobertura.”
O banco tem preço-alvo de R$ 46 para as ações, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 36%.