Plano & Plano (PLPL3): Os sinais da prévia do 2T26, segundo analistas; ações têm potencial de alta de até 185%
Negociadas fora do índice Ibovespa, as ações da Plano & Plano (PLPL3) operam em alta nesta sexta-feira (17), um dia após a construtora divulgar sua prévia operacional do segundo trimestre de 2026 (2T26). Entre analistas, a avaliação é de que os números vieram “modestos”.
Por volta das 10h30 (de Brasília), os papéis da companhia avançavam aproximadamente 1,89% na bolsa de valores, negociados a R$ 8,08.
A título de comparação, no mesmo horário, o IBOV, principal indicador da B3, recuava 0,11%, aos 173.630 pontos. Acompanhe o movimento em tempo real.
O 2T26 da Plano & Plano
Entre abril e junho, a construtora reportou lançamentos de R$ 781 milhões, queda de 34% no comparativo anual, distribuídos em cinco projetos que somaram 3.138 unidades.
Segundo a prévia operacional, o preço médio dos lançamentos foi de R$ 263,2 mil, recuo de 48% em relação ao registrado no mesmo intervalo de 2025.
As vendas líquidas, por sua vez, totalizaram R$ 828 milhões (% da companhia), um avanço de 7% ante um ano antes.
De acordo com a própria a companhia, 84,7% dos lançamentos ocorreram no último mês do trimestre, o que impactou o ritmo de vendas no período.
Os distratos alcançaram R$ 61 milhões entre abril e junho, queda de 42% na base anual, enquanto o consumo de caixa ficou em R$ 103 milhões.
O que diz o BBI
Para o Bradesco BBI, os números vieram “levemente negativos”, já que, apesar da melhora das vendas líquidas em relação ao mesmo período de 2025, os dados não devem alterar a postura mais cautelosa dos investidores em relação à companhia, diante do menor volume de lançamentos e de mais um trimestre de consumo operacional de caixa.
“Destacamos que o covenant de endividamento da Plano & Plano é calculado pela relação entre dívida líquida somada às obrigações com terrenos e patrimônio líquido, com limite máximo de 0,8 vez. No 1T26, esse indicador encerrou em 0,78 vez e pode apresentar deterioração após o consumo de caixa do 2T26, embora não esperemos quebra do covenant neste trimestre”, comentou o banco.
“Ainda assim, o tema merece atenção, pois pode limitar parcialmente o ritmo de lançamentos ao longo de 2026, uma vez que as obrigações com terrenos são reconhecidas à medida que novos projetos são lançados”, acrescentou.
De acordo com o BBI, as ações da construtora acumulam queda de 40% no ano, pressionadas por revisões negativas nas estimativas de lucro por ação.
“Seguimos vendo visibilidade limitada para uma melhora mais consistente da trajetória de resultados no curto prazo.
BTG Pactual mantém compra
O BTG Pactual, por sua vez, afirmou que a Plano & Plano divulgou “resultados modestos” em sua prévia, com lançamentos e vendas em linha com as expectativas, mas com consumo de caixa R$ 50 milhões acima do projetado.
Segundo o banco, a piora ocorreu devido a atrasos nos recebimentos do programa habitacional “Pode Entrar“ (da Prefeitura de São Paulo), de aproximadamente R$ 50 milhões, e na cessão de recebíveis de clientes com renda informal, de cerca de R$ 35 milhões.
Apesar disso, a casa destacou que, entre abril e junho, a companhia lançou R$ 826 milhões em VGV, queda de 41% na comparação anual, mas em linha com a projeção. Todos os lançamentos foram enquadrados na Faixa 2 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
O BTG também ponderou que a velocidade de vendas (VSO) ficou em 19% no 2T26, estável em relação ao mesmo período de 2025, embora tenha sido impactada pela concentração dos lançamentos no último mês do trimestre.
“Apesar da dinâmica de resultados mais fraca no curto prazo, mantemos nossa recomendação de compra para a ação, pois continuamos vendo uma perspectiva bastante positiva para o Minha Casa, Minha Vida e acreditamos que a Plano & Plano deverá recuperar sua rentabilidade em breve”, afirmou o banco.
“Pretendemos revisar nossas estimativas para a construtora após um primeiro semestre de 2026 mais fraco, mas reiteramos nossa recomendação de compra”, prosseguiu.
O preço-alvo do BTG para os papéis é de R$ 23, o que representa potencial de valorização (upside) de aproximadamente 184% frente aos níveis atuais.
Safra vê resultados mistos
Já o Safra avaliou que a Plano & Plano apresentou “números mistos”. Segundo o banco, apesar de uma retração de 34% ano a ano nos lançamentos — atribuída à suspensão de alvarás de construção —, as vendas líquidas ficaram em linha com as estimativas, “impulsionando um sólido VSO trimestral de 19%”.
Por outro lado, a casa destacou, assim como o BTG, que a queima de caixa operacional, que atingiu R$ 103 milhões, ficou R$ 47 milhões acima do esperado.
“Apesar da retração nos lançamentos, que tiveram maior concentração em junho, as vendas líquidas da companhia ainda apresentaram alguma melhora. No entanto, a queima de caixa acima do projetado pode pesar sobre o sentimento do mercado”, afirmou o Safra.
“Embora continuemos a preferir outras empresas do segmento de baixa renda com menos entraves e maior visibilidade de lucros, mantemos nossa recomendação outperform (equivalente à compra) para as ações, dado o valuation atrativo de 3,3 vezes o P/L (preço/lucro) projetado para 2027, um desconto de 37% em relação aos pares”, acrescentou.
O preço-alvo do banco para os papéis é de R$ 12, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 48,5%.