Copom deixa porta aberta para novo corte em setembro, mas com espaço menor, diz economista-chefe da G5 Partners
Como esperado pelo mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros de 14,25% para 14% ao ano e, na avaliação do economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, os diretores do Banco Central “deixaram aberta” a possibilidade de um novo corte na Selic na próxima reunião, em setembro.
Durante o Giro Especial do Copom, programa do Money Times no YouTube, Leal destacou que dois fatores pesaram para o corte na Selic nesta decisão: o juro restritivo e a desaceleração da economia.
“Em primeiro lugar, o próprio nível da taxa de juros no Brasil, considerando que a taxa de juros real está próxima a 10%. E o segundo fator é a desaceleração da economia recente, considerando o último IPCA-15 e a produção industrial”, apontou o economista.
“É interessante como o cenário mudou desde a última reunião. Em junho, o Copom falava em uma aceleração do crescimento e, agora, o Comitê reconhece uma moderação da atividade econômica”, acrescentou Leal.
Vale lembrar que a prévia da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15), descalerou de 4,80% em junho para 4,52% em julho no acumulado de 12 meses, abaixo da expectativa do mercado. Já a produção industrial recuou 1,8% em junho frente a maio.
Vem mais cortes aí?
Na avaliação de Leal, o comunicado do Copom tem um viés duplo: o BC pode, a qualquer momento, parar o ciclo de cortes, mas também pode voltar a reduzir a Selic em setembro a depender dos dados macroeconômicos a serem divulgados até a próxima decisão.
“O Copom claramente está vendo um cenário mais benigno em termos de desaceleração da economia e menor pressão do mercado de trabalho. Se esse cenário se mantiver até a próxima decisão, o pêndulo leva para uma novo corte [na Selic]”, avaliou.
“A porta segue aberta, mas não há um espaço muito grande com um balanço de risco assimétrico para cima”, acrescentou.
A G5 Partners, porém, mantém a projeção de manutenção da Selic a 14% até dezembro.
Para o economista-chefe, o “momento positivo” da inflação deve se estender até agosto, favorecido pelo bônus de Itaipu – que deve tirar entre 0,30 e 0,40 ponto percentual da inflação do mês. Mas, a partir de setembro, a expectativa é de retomada de alta de inflação.
“O bônus de agosto deve virar o ônus de setembro, com pressão dos preços de energia e o impacto do El Niño sobre os alimentos”, estima Leal. O cenário eleitoral também deve influenciar na manutenção da Selic até o fim do ano.