Correios negociam novo socorro de R$ 7 bilhões com bancos estrangeiros, diz jornal
Os Correios estariam negociando um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com garantia da União com um consórcio de bancos privados estrangeiros com atuação no Brasil, segundo apuração do jornal Valor Econômico
A expectativa é que participem da operação instituições como Bank of America (BofA), Citi e Deutsche Bank. A captação pode ser concluída ainda neste mês.
A publicação afirma que a operação foi apresentada a diversas instituições financeiras, que tiveram acesso aos detalhes da proposta antes de apresentar ofertas. Ao todo, quatro bancos deverão integrar o grupo financiador.
O novo empréstimo ocorre em um momento de forte deterioração financeira da estatal. Os Correios encerraram 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões e registraram perdas de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026. A empresa acumula atualmente 14 trimestres consecutivos de resultados negativos.
Condições do empréstimo
A nova captação será inferior ao limite autorizado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que abriu espaço para que a estatal contratasse até R$ 8 bilhões em novos financiamentos com garantia da União ao longo de 2026.
A redução para R$ 7 bilhões já havia sido antecipada pelo presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, que atribuiu a decisão às medidas adotadas para reforçar a liquidez da companhia.
As condições financeiras da nova operação devem ser semelhantes às do empréstimo contratado no ano passado. Em 2025, um grupo formado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander concedeu R$ 12 bilhões à estatal, operação que teve custo em torno de 115% do CDI, abaixo do limite de 120% estabelecido pelo Tesouro Nacional para financiamentos garantidos pela União.
Além do empréstimo, o acordo firmado em 2025 previa aportes mínimos de R$ 6 bilhões por parte da União até 2027.
Reestruturação sofre resistência dos trabalhadores
A busca por novos recursos ocorre paralelamente às negociações entre a direção dos Correios e entidades sindicais sobre o plano de reestruturação da empresa.
Na semana passada, a administração recuou de algumas medidas que vinham sendo contestadas pelos funcionários e que poderiam desencadear uma greve nacional. Em documento enviado aos representantes dos trabalhadores, Rondon anunciou a suspensão temporária do fechamento de unidades previsto no plano de ajuste até 31 de julho de 2026, além da revisão de benefícios e gratificações que haviam sido cortados.
O recuo foi suficiente para evitar uma paralisação imediata, mas os sindicatos mantiveram o estado de greve.
Apesar da suspensão temporária de parte das medidas, a direção da estatal considera inevitável retomar o programa de ajuste após o período de negociação.
Entre as iniciativas previstas estão o fechamento de agências e centros de tratamento e distribuição. Outra frente da reestruturação envolve um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV).
- Leia mais: Correios freiam reestruturação para evitar greve, enquanto tentam captar R$ 7 bilhões no mercado
Contrato com Banco do Brasil reforça receitas
Em meio ao esforço para recompor o caixa, os Correios anunciaram também na última semana um novo contrato comercial com o Banco do Brasil, estimado em R$ 2,3 bilhões ao longo dos próximos cinco anos.
O acordo prevê a prestação de serviços postais e logísticos para a instituição financeira, incluindo transporte de correspondências, notificações judiciais, talões de cheque, cartões bancários e materiais corporativos no Brasil e no exterior. A contratação foi realizada por dispensa de licitação, sob a justificativa de inviabilidade de competição em grande parte dos serviços contratados.
O contrato substitui um acordo anterior que venceria em 10 de julho e representa uma importante fonte de receita para os Correios em um momento de forte pressão financeira.