“Corte veio, mas juros menores podem acabar antes do esperado”, diz especialista sobre a ata do Copom
Após dias muito tensos com a guerra no Oriente Médio, o foco do mercado brasileiro nesta terça-feira (05) voltou-se para a divulgação da ata do Copom, dos balanços do 1T26 e para as eleições presidenciais.
No Giro do Mercado, a jornalista Paula Comassetto recebeu João Ferreira, sócio da One Investimentos, para apresentar os principais destaques sobre a decisão do BC e o cenário da economia brasileira.
A ata do Copom entra no radar ao dar novas pistas sobre o futuro da Selic, em meio a desafios adicionais para o Banco Central com o novo Desenrola Brasil, anunciado na véspera pelo governo federal.
No documento, o Banco Central reconheceu que a demora na resolução do conflito no Oriente Médio aumenta a chance de impactos duradouros na economia global. Além disso, afirma que o tempo de guerra já pode ter sido suficiente para materializar riscos para a inflação no Brasil, principalmente via expectativas.
“Podemos resumir que o Copom entregou o corte que o mercado queria [na última reunião], mas avisando que a expectativa de juros mais baixos pode acabar antes do esperado se o cenário global não ajudar”, afirmou Ferreira. Ele ainda completou analisando que a postura do BC segue um comportamento adotado historicamente para evitar pressões inflacionárias.
Em relação à reação do mercado sobre a decisão, o especialista explicou que o Copom, tradicionalmente, não se compromete com um fator específico para pautar a decisão, evitando estabelecer indicadores para os próximos movimentos. “Para a reunião de junho, o importante é avaliar o reflexo do aumento do preço do petróleo, principalmente em relação a serviços e ao câmbio”, destacou o analista.
Em relação ao impacto do Desenrola Brasil sobre o trabalho do BC, Ferreira afirmou que o setor de varejo será o principal afetado pela inflação de serviços. “O programa facilita o acesso a crédito, aumenta o nível de demanda, porém em um patamar de Selic alto, em 14,5%”.
Os investidores também acompanham a temporada de balanços do 1T26, com a expectativa dos resultados de Itaú (ITUB4) ainda hoje.
“Para Itaú, esperamos um resultado positivo, porque dentre as instituições financeiras listadas em bolsa, o nível de inadimplência nele é menor do que nos demais”, aponta Ferreira.
O mercado também repercute a nova pesquisa da Real Time Big Data, que aponta o presidente Lula tecnicamente empatado com possíveis adversários em um eventual segundo turno. Entre março e maio, Flávio Bolsonaro subiu de 41% para 44% nas intenções de voto no segundo turno, enquanto Lula variou de 42% para 43%.
*Com supervisão de Maria Carolina Abe