Criptomoedas movimentam R$ 283 bilhões no primeiro semestre e batem novo recorde, diz Receita
As operações com criptomoedas e criptoativos no Brasil movimentaram R$ 283,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, o maior volume já registrado para o período desde o início da série histórica da Receita Federal. Os dados constam no relatório de dados abertos sobre criptoativos divulgado pelo órgão, publicado na última quinta-feira (27).
O levantamento mostra que, apesar da forte expansão do setor nos últimos anos, o mercado continua avançando com intensidade.
O montante supera em cerca de 4,6% os R$ 270,2 bilhões registrados entre janeiro de julho de 2025 e mais que dobra o montante observado no primeiro semestre de 2024, quando as transações alcançaram aproximadamente R$ 191,4 bilhões.
Somente em maio e junho de 2026, as movimentações ultrapassaram R$ 58 bilhões e R$ 57,5 bilhões, respectivamente, entre negociações realizadas em exchanges brasileiras, plataformas estrangeiras e operações diretas entre pessoas físicas e jurídicas.
Os dados da Receita Federal indicam que o crescimento foi impulsionado principalmente pelas operações realizadas em exchanges nacionais, responsáveis por R$ 177,6 bilhões do total movimentado no semestre. Outros R$ 64,7 bilhões vieram de operações sem intermediação de exchanges, enquanto cerca de R$ 40,4 bilhões foram realizados por meio de plataformas localizadas no exterior.
Brasileiros e o dólar digital
As stablecoins continuam dominando o mercado brasileiro. O USDT, criptomoeda atrelada ao dólar, liderou com folga as negociações. Apenas em junho, os negócios com o ativo somaram R$ 33,96 bilhões, valor equivalente a quase 60% de toda a movimentação de criptoativos registrada no mês.
Entre os criptoativos tradicionais, o bitcoin (BTC) manteve posição de destaque. Em junho, as operações com a principal criptomoeda do mercado alcançaram R$ 2,39 bilhões, enquanto o ethereum (ETH) movimentou R$ 417,9 milhões no período.
O levantamento também mostra uma base expressiva de participantes no mercado. Em junho, cerca de 4,67 milhões de CPFs e mais de 107 mil CNPJs apareceram nas operações declaradas à Receita. O número considera contribuintes únicos que participaram de transações com criptoativos ao longo do mês.
As informações são enviadas ao Fisco com base na Instrução Normativa RFB nº 1.888/2019, que obriga exchanges domiciliadas no Brasil a reportar todas as operações de seus clientes. Pessoas físicas e empresas que utilizam plataformas estrangeiras ou realizam negociações sem intermediação também precisam prestar informações quando as transações superam R$ 30 mil por mês.
Segundo a Receita, os números divulgados consideram as declarações mais recentes disponíveis na base do órgão, incluindo retificações e entregas fora do prazo, o que pode provocar revisões em relação a relatórios anteriores.