De Banco do Brasil (BBSA3) a Sabesp (SBSP3): Os cavalos que esta gestora de ricaços aposta para lucrar no 2º turno
A corrida não acabou, mas está muito próxima da reta final — e já tem um claro “azarão”: Flávio Bolsonaro (PL), que surgiu como vencedor do primeiro turno, em um resultado que nenhuma pesquisa conseguiu captar. Não foi a única surpresa. A direita também ampliou sua bancada de senadores e deputados, em sua maior vitória desde 1989, ano da redemocratização.
O resultado levou os mercados ao êxtase. A Bolsa saltou 7%, o dólar afundou 4% e a curva de juros longos despencou 100 pontos-base. Agora, a questão é saber quais são os melhores “cavalos” para vencer essa reta final. A Privatto Multi Family Office, gestora especializada na administração de grandes fortunas, fez esse exercício e chegou a alguns nomes.
A gestora mantém no radar Bolsa, bancos, construção civil e saneamento após a reação dos mercados ao primeiro turno. A estratégia é simples: priorizar ativos mais sensíveis aos juros, ao crédito e ao prêmio de risco.
“A reação dos mercados ao primeiro turno das eleições abriu uma nova etapa para os investidores brasileiros, repleta de oportunidades. Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as próximas três semanas tendem a concentrar novas sinalizações políticas e econômicas capazes de influenciar juros, câmbio e Bolsa”, afirma a gestora.
Para a Privatto Multi Family Office, apesar de o período exigir cautela, ele também pode criar oportunidades em ações mais sensíveis à redução do prêmio de risco do Brasil e ao fechamento da curva de juros.
A gestora coloca no radar quatro teses: BOVA11, Banco do Brasil (BBAS3), Cyrela (CYRE3) e Sabesp (SBSP3), representando, respectivamente, exposição ampla à Bolsa brasileira e aos setores bancário, de construção civil e de saneamento.
A lógica é que uma maior previsibilidade fiscal, combinada à queda do prêmio de risco e à redução dos juros futuros, possa provocar uma reprecificação das ações brasileiras. A estratégia, segundo a gestora, não busca antecipar o resultado eleitoral, mas preparar as carteiras para diferentes movimentos do mercado.
“Ao longo do processo eleitoral, temos observado mudanças nas expectativas de juros, risco fiscal, crédito e fluxo de capital, que ganharam força ao final do primeiro turno. São movimentos que produzem efeitos sobre diferentes setores da Bolsa”, afirma Eduardo Tellechea Cairoli, fundador e CEO da Privatto Multi Family Office.
Aos cavalos
Entre as alternativas, o BOVA11, ETF que acompanha o Ibovespa, aparece como a forma mais diversificada de exposição a uma eventual continuidade da valorização do mercado brasileiro.
No setor financeiro, a preferência recai sobre o Banco do Brasil. A avaliação da gestora é de que os bancos podem se beneficiar da combinação entre fechamento da curva de juros, melhora das condições de crédito e mudança na percepção de risco.
A construção civil é outro segmento que merece atenção por sua elevada sensibilidade aos juros. A Privatto destaca a Cyrela como uma das ações que mais poderiam reagir a uma redução consistente das taxas futuras.
Juros menores tendem a melhorar as condições de financiamento imobiliário, reduzir o custo de capital das empresas e favorecer lançamentos e vendas.
Já no setor de saneamento, a Privatto mantém a Sabesp como uma tese menos diretamente vinculada ao resultado eleitoral e mais associada a fatores como eficiência operacional, governança, investimentos e redução do custo de capital.
Apesar das oportunidades, a orientação da Privatto é evitar uma concentração excessiva do patrimônio em uma estratégia de curto prazo ligada ao calendário eleitoral.
A exposição tática sugerida pela gestora corresponde a 3% da carteira para perfis conservadores, 5% para moderados e 7% para agressivos, com o BOVA11 representando a maior parcela da composição.