Economia

De olho nas eleições: Governo vai ‘arregaçar as mangas’ com medidas fiscais e de crédito, diz economista-chefe da MB

14 maio 2026, 7:00 - atualizado em 13 maio 2026, 13:42
Sergio Vale, economista-chefe MB Associados (Imagem: Divulgação)

Em meio à inflação ainda elevada e ao esforço do Banco Central para desacelerar a economia, o governo deve intensificar nos próximos meses medidas de estímulo ao consumo e ao crédito, na avaliação de Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em entrevista ao Money Times, o economista afirmou que a estratégia envolve tanto políticas fiscais quanto iniciativas parafiscais, com participação de bancos públicos e empresas estatais, em um cenário já marcado pela aproximação das eleições de 2026.

“O Banco Central está sozinho”, disse Vale, ao defender que a autoridade monetária vem conduzindo uma política restritiva enquanto o governo atua na direção oposta ao estimular demanda e consumo.

“O governo está disposto a arregaçar as mangas para tentar fazer políticas fiscais e parafiscais para tentar se reeleger”, completou.

As iniciativas recentes do governo

Na avaliação do economista, o Desenrola Brasil 2.0 entra justamente nessa lógica. A nova etapa do programa amplia as possibilidades de renegociação de dívidas e busca reduzir a inadimplência das famílias, permitindo que consumidores voltem a acessar crédito e retomem o consumo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A iniciativa sucede o primeiro Desenrola, lançado em 2023 para pessoas físicas negativadas, e agora mira um alcance mais amplo, incluindo novos mecanismos de refinanciamento e reorganização de passivos. Para Vale, embora o impacto isolado sobre o PIB não deva ser expressivo, o efeito marginal ganha peso em um ambiente de juros elevados e inflação persistente.

“O governo vem com um pacote de curto prazo que tira a inadimplência da população e coloca de novo essa população no mercado consumidor e no mercado de crédito”, afirmou.

Segundo ele, o problema é que as medidas aparecem justamente em um ambiente já pressionado por inflação de serviços elevada, mercado de trabalho resiliente e expectativas desancoradas para os próximos anos. “Hoje qualquer décimo no final importa”, ressaltou.

O economista também vê uma sequência recente de iniciativas do governo voltadas para estímulo econômico e melhora de percepção da população. Entre elas está a decisão de zerar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, medida conhecida como “taxa das blusinhas”.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta última terça-feira (13), a medida mantém apenas a cobrança de 20% de ICMS sobre as encomendas internacionais e foi recebida como um aceno ao consumo em plataformas estrangeiras de comércio eletrônico. Anteriormente, o governo havia “comprado a briga” para implementa-la.

Além disso, o governo lançou nesta semana o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, com previsão de R$ 11 bilhões entre aportes e financiamentos para Estados e municípios. Embora voltado à segurança pública, o pacote também é visto por agentes do mercado como parte de um esforço do governo para responder a temas de maior preocupação da população às vésperas da corrida eleitoral.

Outra frente em estudo, segundo o jornal Valor Econômico, envolve um programa de cerca de R$ 30 bilhões para financiar a compra de veículos por motoristas de aplicativo e taxistas, ampliando o crédito direcionado por meio de bancos públicos.

Segundo Vale, ainda há espaço para novas medidas ao longo dos próximos meses, principalmente via crédito público. Na avaliação dele, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e BNDES podem ser usados como instrumentos de estímulo sem impacto direto imediato no orçamento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Petrobras também ajuda

Vale também citou a atuação da Petrobras como exemplo de estímulo indireto à economia. Segundo ele, a estatal vem segurando o repasse da alta internacional dos combustíveis para evitar pressão adicional sobre a inflação.

“A Petrobras, por exemplo, está fazendo a política dessa forma, de algum jeito, segurando repasse de preços”, disse Vale. Os preços praticados pela estatal estão há cerca de três meses sem reajustes relevantes, mesmo diante das oscilações do petróleo e do câmbio.

Esta semana, após apresentar os resultados da companhia no 1T26, a presidente Magda Chambriard, disse que os reajustes nos preços da gasolina devem vir “em breve”.

Impacto na inflação

Para o economista, a preocupação do mercado aumenta porque o cenário inflacionário já não é confortável. Ele projeta inflação próxima de 5% neste ano, enquanto as expectativas para horizontes mais longos seguem acima da meta perseguida pelo Banco Central.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Nesse contexto, a ata mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom) mostrou, segundo ele, uma autoridade monetária mais cautelosa do que aparenta à primeira vista.

“O Banco Central aumentou o tom de preocupação. Ele saiu daquela concentração do choque imediato e passou a olhar o risco de piora das expectativas futuras”, afirmou.

Apesar disso, o economista ainda vê continuidade no ciclo de cortes da taxa Selic, embora em ritmo lento. A expectativa é de reduções graduais até setembro, seguidas de uma pausa durante o período eleitoral.

“O que antes era teto virou piso de Selic hoje”, disse, ao comentar que a taxa de 13% passou a ser vista pelo mercado como um piso, e não mais como o teto esperado para os juros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Compartilhar

WhatsAppTwitterLinkedinFacebookTelegram
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduanda em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies.

Fechar