De R$ 27 bilhões para R$ 200 bilhões: Por que os FIIs ainda têm muito espaço para crescer, segundo gestor do Pátria
A indústria brasileira de fundos imobiliários vive um novo estágio de maturidade e ainda tem amplo espaço para expansão, segundo avaliação de Rodrigo Abbud, sócio e gestor do Pátria Investimentos.
Durante evento realizado nesta terça-feira (2), em São Paulo, o executivo destacou que o mercado de FIIs passou por uma transformação significativa na última década, saindo de R$ 27 bilhões em patrimônio para cerca de R$ 200 bilhões atualmente.
“Mesmo com essa grande evolução, é uma classe que ainda tem muito potencial. Se a gente converte para dólares, estamos falando de aproximadamente US$ 40 bilhões [de patrimônio]. Ainda é bastante pequeno”, afirmou.
Segundo Abbud, o volume médio diário negociado na bolsa de valores (B3) também avançou de forma expressiva nos últimos dez anos, saltando de R$ 29 milhões para algo perto de R$ 530 milhões.
Para ele, esse movimento ajudou a derrubar uma das principais barreiras históricas do setor: a falta de liquidez.
“Cada vez que a liquidez aumenta, o potencial de crescimento da indústria sobe também. Você começa a acessar novos investidores e atrair outros participantes do mercado financeiro”, disse.
O gestor ressaltou ainda que a evolução da classe foi impulsionada principalmente pelo investidor pessoa física: em 2015, havia cerca de 9 mil cotistas de FIIs. Hoje, esse número supera 3,1 milhões.
“O crescimento foi muito pautado pela pessoa física. Mas a grande beleza que estamos vendo é que, à medida que a liquidez aumenta, a dependência [da pessoa física] diminui e começamos a atrair participantes mais institucionais e de longo prazo”, afirmou.
Estrangeiros podem impulsionar novas teses
Em meio a esse cenário, Abbud destacou que o interesse crescente de investidores internacionais pelos FIIs brasileiros é uma tendência “praticamente irreversível”. Na visão do executivo, o veículo vem sendo cada vez mais utilizado como pontapé inicial para o mercado imobiliário nacional.
“O gringo tem olhado o fundo imobiliário como a porta de entrada para investir no setor”, disse. “Muitos deles vieram no passado via private equity, mas depois saíram. Agora, estão achando essa outra maneira de se investir.”
O gestor também acredita que esse movimento pode acelerar o desenvolvimento de segmentos ainda pouco explorados no Brasil.
Entre os exemplos citados, estão o multifamily (residencial para locação) e o student housing (moradia estudantil), bastante consolidados nos Estados Unidos (EUA), mas ainda em estágio inicial no mercado brasileiro.
“Novas teses ficam mais fáceis de desenvolver [com a vinda dos gringos]. O investidor estrangeiro já conhece essas classes de ativos e consegue enxergar o potencial delas no Brasil”, afirmou, ressaltando, porém, que a lógica de gestão em nada muda.
“No fim do dia, todo mundo olha retorno, geração de resultado, prêmio de risco e potencial de valorização. A gestão precisa fazer sentido para qualquer perfil de investidor, desde a pessoa física, que acompanha o dividend yield, até o estrangeiro. Na administração do portfólio em si, não há tanta diferença.”