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Depois da “porrada insana” na Bolsa, Verde ainda vê oportunidades no Brasil – mas um detalhe pode ameaçar esse otimismo

09 out 2026, 12:34
Stuhlberger juros
(Imagem Divulgação)

A disparada dos ativos brasileiros após o primeiro turno das eleições não esgotou as oportunidades de ganho, na avaliação da Verde Asset, de Luis Stuhlberger. A gestora vê na possibilidade de uma mudança na política fiscal um cenário favorável à Bolsa e à queda dos juros, mas alerta que a alta das taxas de longo prazo no exterior pode ameaçar o apetite por risco.

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No relatório gerencial referente a setembro, que também incorpora uma análise da reação dos mercados ao resultado eleitoral de outubro, a casa afirma que a valorização dos ativos veio acompanhada de uma redução dos riscos.

“Embora os preços tenham se movido significativamente, o risco hoje também é muito menor”, escreve a gestora.

O otimismo está ligado à perspectiva de substituir a combinação que a Verde descreve como “acelerador fiscal com freio monetário” por uma política mais contida nas contas públicas, capaz de permitir uma redução maior dos juros.

Esse cenário ganha força, segundo a casa, diante da baixa participação de investidores brasileiros e estrangeiros em ativos de maior risco – o que poderia abrir espaço para novas entradas de recursos.

Mais exposição à Bolsa antes da arrancada de outubro

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A Verde informa que aumentou marginalmente a exposição à renda variável brasileira em setembro no fundo multimercado. O movimento antecedeu a disparada da Bolsa após o primeiro turno, no qual Flávio Bolsonaro terminou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Ibovespa avançou 7,7% na segunda-feira (5), primeira sessão após a votação. No mesmo dia, as taxas de juros de dez anos recuaram cerca de 1,35 ponto percentual, enquanto o real se valorizou 4,2%.

O aumento da exposição a ações colocou o fundo em posição para aproveitar a arrancada da Bolsa nos primeiros dias de outubro. A própria gestora afirma que se beneficiou dos movimentos posteriores à eleição, embora não detalhe o tamanho desse ganho nem a contribuição específica das ações brasileiras.

A estratégia também dá continuidade à visão que Stuhlberger havia apresentado antes da votação. Em declaração publicada pelo Money Times, ele afirmou: “Se o Flávio ganha, eu acho que vai ser uma porrada insana na Bolsa”. Na ocasião, também apontou a possibilidade de o dólar cair a R$ 4,80 em caso de vitória do candidato.

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Na carta, a Verde avalia que a probabilidade de uma virada no segundo turno parece baixa e destaca que as eleições para Câmara e Senado também trouxeram um avanço da direita. A leitura da gestora é que esse quadro aumenta a perspectiva de uma mudança na condução da política econômica.

Juros globais são a ameaça ao otimismo

Se o cenário doméstico ficou mais favorável na avaliação da Verde, o ambiente internacional seguiu na direção oposta.

“O cenário global, no entanto, se tornou mais inóspito”, afirma a casa.

A gestora destaca que os juros longos dos países desenvolvidos registraram altas importantes nos últimos meses. Segundo a carta, a taxa dos títulos do Tesouro americano de dez anos acumulou avanço de 1,30 ponto percentual desde março, dos quais 0,54 ponto em setembro.

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A Verde associa essa pressão à alta do petróleo provocada pelos conflitos internacionais, à expansão fiscal nos países desenvolvidos, ao aperto da política monetária e à demanda por capital para financiar os investimentos em inteligência artificial.

Até agora, avalia a casa, o crescimento robusto dos lucros ajudou a sustentar os grandes índices acionários, apesar dos juros mais altos. Mas a gestora já identifica sinais de fragilidade.

“Mas começamos a ver algumas rachaduras na fachada do complexo de risco global. A principal dúvida hoje é qual o nível de taxa que provocará uma maior aversão ao risco.”

Esse é o contraponto à tese favorável ao Brasil: mesmo com uma melhora das expectativas locais, uma deterioração do apetite global por risco pode dificultar a continuidade dos ganhos.

Resultado de setembro ainda não captura o rali eleitoral

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O fundo Verde encerrou setembro com retorno de 0,26%, abaixo do CDI de 1,08%. No acumulado até o fim daquele mês, a rentabilidade era de 10,62%, ligeiramente acima dos 10,51% do indicador.

Os números ainda não incluem os ganhos com a reação ao primeiro turno, ocorrida em outubro.

Em setembro, as contribuições positivas vieram de ações brasileiras e de operações que exploram diferenças entre taxas de juros reais. As perdas ficaram concentradas em commodities, juros reais americanos e Bolsa global.

Apesar da visão favorável à possibilidade de juros menores no Brasil, a Verde informou que não mantinha posições direcionais na renda fixa local. A gestora preservou a alocação em ações globais, a posição aplicada em juros reais americanos, os investimentos em ouro e prata e as proteções estruturais da carteira.

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Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Economia, Finanças e Banking pela USP Esalq. Atua desde 2023 na redação do Money Times e, atualmente, cobre Macroeconomia.

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