Tenda (TEND3), MRV (MRVE3) e Cury (CURY3) disparam na bolsa após prévias do 3T26; o que dizem os analistas?
As ações das incorporadoras e construtoras Tenda, MRV&Co e Cury operam em forte alta nesta sexta-feira (9), um dia após a divulgação das prévias operacionais do terceiro trimestre de 2026 (3T26).
Por volta das 10h30 (de Brasília), os papéis TEND3, MRVE3 e CURY3 subiam 4,3%, 6% e 3,6%, respectivamente, negociados a R$ 30,76, R$ 6,82 e R$ 32,63 na bolsa de valores.
No mesmo horário, o principal índice da B3 (IBOV) avançava 1%, aos 208.404 pontos, em uma sessão positiva para os ativos de renda variável. Acompanhe o movimento em tempo real.
O 3T26 da Tenda
Entre julho e setembro, a Tenda lançou 11 empreendimentos, que somaram R$ 1,52 bilhão em valor geral de vendas (VGV), alta de 2,3% na comparação anual e recorde histórico para o período.
Em relação ao segundo trimestre (2T26), porém, o VGV lançado recuou 9,5%, enquanto, no acumulado do ano, o indicador soma R$ 4,61 bilhões, avanço de 36% na comparação com os nove primeiros meses de 2025 (9M25).
As vendas brutas da construtora totalizaram R$ 1,5 bilhão no 3T26, crescimento de 22,1% em relação ao mesmo período do ano passado.
Já as vendas líquidas somaram R$ 1,2 bilhão no período, alta de 10,5% em um ano. A velocidade de comercialização (VSO) ficou em 22,8%.
Ainda de acordo com a prévia, os distratos no segmento Tenda alcançaram R$ 292,8 milhões entre julho e setembro, crescimento de 55% em relação ao trimestre anterior.
Na comparação com o mesmo período de 2025, quando totalizaram R$ 136,2 milhões, o valor mais que dobrou.
Segundo a própria companhia, o resultado foi impactado principalmente por três fatores relacionados à Caixa Econômica Federal:
- Uma greve que durou quase 20 dias em setembro;
- A redução temporária do comprometimento de renda dos clientes, de 30% para 27%, com impacto durante 10 dias em julho;
- E o maior rigor nas entrevistas para concessão de crédito, sobretudo em praças mais críticas.
“Nesse contexto, a expectativa é que os cancelamentos voltem para patamares normalizados nos próximos períodos”, informou a Tenda.
Para o BTG Pactual, os resultados vieram majoritariamente em linha com as expectativas, embora alguns indicadores tenham ficado abaixo das estimativas.
Segundo o banco, as vendas líquidas ficaram 3% abaixo do esperado, enquanto a VSO ficou 1 ponto percentual inferior à projeção.
Por outro lado, os lançamentos superaram em 11% a estimativa da instituição, sendo R$ 1,5 bilhão sob a marca Tenda e R$ 119 milhões em projetos da Alea.
O BTG também destacou o aumento do preço médio dos lançamentos da Tenda, que chegou a R$ 264 mil por unidade, avanço anual de 14%.
Segundo a análise, cerca de 55% dos projetos foram lançados nas faixas 3 e 4 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), reduzindo a exposição às faixas de renda mais baixas, que têm sofrido com restrições de crédito.
“Os resultados vieram fracos, como esperado, refletindo um cenário mais difícil para o MCMV no terceiro trimestre, devido às condições de crédito mais restritivas na Caixa e a greve dos bancários em setembro”, afirmou o banco.
“Acreditamos que o cenário deve permanecer mais desafiador no curto prazo, refletindo a redução nos preços de venda da Tenda, menor parcela pro-soluto e maior volume de distratos”, acrescentou.
Apesar disso, o BTG avalia que as ações já foram penalizadas e que o valuation está atrativo. Com múltiplo preço/lucro (P/L) de 4 vezes para 2027, o banco reiterou a recomendação de compra para TEND3.
O 3T26 da Cury
A Cury, por sua vez, registrou vendas líquidas de R$ 1,8 bilhão no terceiro trimestre, alta de 10,7% na comparação anual.
Os lançamentos alcançaram R$ 2,12 bilhões em Valor Geral De Vendas (VGV), avanço de 6,9% frente ao 3T25.
Ao todo, a incorporadora lançou oito empreendimentos, que somaram 6.503 unidades. Desse montante, R$ 1,86 bilhão correspondeu à participação da Cury, equivalente a 87,5%.
Na frente comercial, a VSO bruta atingiu 43,6%, aumento de 0,2 ponto percentual na comparação anual. Já a VSO líquida recuou 0,9 ponto percentual, para 39,7%.
Para analistas do Safra, a construtora apresentou “resultados sólidos e ligeiramente acima das estimativas“.
Segundo o banco, embora a política de crédito mais restritiva da Caixa Econômica Federal tenha impactado o volume de distratos, a empresa superou as projeções de vendas em 6%.
A geração de caixa também surpreendeu positivamente, de acordo com a casa. A companhia gerou R$ 253,6 milhões entre julho e setembro, resultado 13% superior à projeção do Safra e equivalente a um yield anualizado de fluxo de caixa livre (FCF) de 10%.
“Os resultados operacionais do 3T26 apresentaram uma desaceleração, conforme esperado. Ainda assim, mantiveram-se em níveis saudáveis, superando ligeiramente as expectativas em um cenário de preocupações generalizadas com o aperto de crédito da CEF”, afirmou o banco.
“Somados a uma geração de caixa robusta que pavimenta o caminho para pagamentos expressivos de dividendos, os resultados devem ser bem recebidos pelos investidores. Embora o sentimento em relação ao segmento de habitação de baixa renda tenha se deteriorado, acreditamos que a recente onda de vendas superou amplamente o risco de queda nos resultados”, acrescentou.
O Safra mantém recomendação outperform (equivalente à compra) para a CURY3, sustentada por um múltiplo P/L de 6,8 vezes e por um dividend yield adicional estimado em cerca de 16% até o fim de 2027.
O 3T26 da MRV&Co
Já o grupo imobiliário e de construção MRV&Co elevou as vendas líquidas no 3T26 em 29,6%, para R$ 3 bilhões, com o valor médio dos apartamentos vendidos subindo 3,1%, para R$ 276 mil.
No período, as vendas somaram 11.015 unidades, crescimento de 25,7% sobre o terceiro trimestre do ano anterior.
Os lançamentos aumentaram 12,4%, para R$ 2,64 bilhões, enquanto o valor médio dos imóveis chegou a R$ 284 mil, avanço de 0,7%.
Para o Bradesco BBI, a empresa apresentou uma prévia operacional positiva, com vendas líquidas recordes de R$ 3 bilhões em participação da companhia.
Segundo o banco, os lançamentos, que somaram R$ 2,6 bilhões, somados à velocidade de vendas de 25,1%, indicam demanda consistente pelos empreendimentos.
No segmento internacional, a Resia concluiu a venda dos projetos Ten Oaks e Rayzor Ranch por US$ 139 milhões. A operação, de acordo com o BBI, reduziu a dívida líquida em US$ 87 milhões, enquanto a companhia continuou avançando em seu plano de desinvestimentos.
Apesar dos indicadores comerciais positivos, a geração de caixa ajustada da operação de incorporação ficou praticamente estável, com consumo próximo de R$ 2 milhões no trimestre, pressionada por fatores operacionais.
“Embora os indicadores operacionais sigam mostrando evolução consistente, com vendas recordes e melhora da velocidade de comercialização, a geração de caixa ficou abaixo do esperado”, afirmou o BBI.
Segundo o banco, o principal impacto veio das dificuldades nas transferências bancárias provocadas pela greve da Caixa. De acordo com a administração da MRV, o problema reduziu a geração de caixa em aproximadamente R$ 80 milhões no trimestre.
“Acreditamos que a companhia segue na direção correta do ponto de vista operacional e que os desinvestimentos em andamento devem contribuir para a redução da alavancagem”, disse a casa.
“No entanto, o desempenho mais fraco do caixa pode atrasar a recuperação da confiança dos investidores no curto prazo”, prosseguiu.
Pelas estimativas do BBI, as ações MRVE3 negociam a aproximadamente 0,6 vez o valor patrimonial, patamar considerado “atrativo” diante da evolução operacional observada nos últimos trimestres.