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Desempenho de small cap em Inter (INTR)? Queda de 30% pode abrir pernada de alta para ação, calcula BTG; veja potencial

10 jun 2026, 13:01 - atualizado em 10 jun 2026, 13:01
Inter
A recomendação é de compra, com preço-alvo de US$ 9,86, o que representa um potencial de valorização de 73,5% (Imagem: Divulgação)

A piora do humor do mercado azedou o desempenho das ações em geral e atingiu em cheio os papéis do Inter (INTR;INBR32). No ano, a ação acumula queda de 30%, sendo que bastaram três pregões após a divulgação dos resultados para o papel despencar 23%.

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Além disso, o banco digital não fez toda a lição de casa. Houve deterioração da inadimplência e da qualidade do crédito.

O Inter também mudou a rota e agora espera atingir um ROE (retorno sobre o patrimônio líquido, na sigla em inglês) de até 30% em 2030. Antes, a meta era alcançar esse patamar em 2027, algo que já despertava desconfiança entre os investidores.

Seja como for, o banco colocou a bola no chão e agora se prepara para virar o jogo. Para os analistas do BTG, que se reuniram com executivos do Inter na sede da companhia, em Belo Horizonte, a gestão está focada e confiante, o que sinaliza que o pior pode ter ficado para trás.

“Reuniões presenciais são particularmente úteis quando uma ação está sob pressão, e nossa impressão foi de que tudo continua nos trilhos”, destaca o BTG.

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Nos cálculos dos analistas, as ações são negociadas a cerca de 7,5 vezes o lucro por ação estimado para 2026.

“Nossa expectativa é de que os lucros continuem crescendo. Acreditamos que a margem de segurança melhorou significativamente, o que nos deixa com uma visão mais positiva sobre as ações hoje.”

A recomendação é de compra, com preço-alvo de US$ 9,86, o que representa um potencial de valorização de 73,5% em relação ao último fechamento.

Caiu demais?

O BTG é taxativo ao afirmar que a reação do mercado foi exagerada. Os analistas sustentam que a ação tem se comportado mais como uma fintech de alta volatilidade, o que, em sua avaliação, não se justifica. Isso porque o Inter possui:

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  • um balanço patrimonial muito sólido;
  • uma carteira de empréstimos altamente garantida; e
  • diferentemente do passado, uma sensibilidade mais neutra às taxas de juros.

O último ponto, em particular, é crucial. Tudo indica que os juros serão mais altos do que o previsto para 2026.

Diversas casas de análise enxergam uma interrupção do ciclo de cortes em meio à pressão inflacionária provocada pela guerra no Irã e pelos efeitos do El Niño, com a Selic (taxa básica de juros) terminal acima de 14%, ante uma previsão inicial de 12%.

“Isso deve permitir que a empresa tenha um desempenho razoavelmente bom mesmo em um cenário de juros elevados por um período prolongado”, escrevem os analistas.

Gestão confiante

Na avaliação do BTG, o tom geral da reunião foi construtivo, apesar do cenário macroeconômico desafiador. A principal preocupação do mercado continua sendo a lucratividade no curto prazo.

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No entanto, a administração reforça que a expansão da margem financeira (NIM, na sigla em inglês) está em curso, enquanto as receitas devem continuar crescendo perto de 20% ao ano.

Mais importante, o ROE deve seguir melhorando trimestre após trimestre, alcançando até 17% no quarto trimestre de 2026 e avançando para cerca de 20% nos anos seguintes, embora a ambição de longo prazo seja ainda maior.

Para chegar a esse patamar, o CEO afirma que a própria evolução dos resultados já será suficiente. Os lucros também devem crescer em 2027 na comparação com 2026.

E a qualidade do crédito?

Outro ponto acompanhado de perto pelos analistas, a administração demonstrou confiança de que os riscos estão sob controle. No segmento de cartões de crédito, houve uma deterioração ligeiramente maior do que a inicialmente prevista.

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Ainda assim, a gestão já observou melhora nas tendências mais recentes e acredita que a pressão decorreu mais de fatores macroeconômicos e sistêmicos do que de falhas específicas na análise de crédito do Inter.

Já a carteira de empréstimos para pessoas físicas também apresentou desempenho um pouco abaixo do esperado, principalmente porque mudanças na vinculação de empregos criaram atritos operacionais.

Mesmo assim, o Inter ajustou seus modelos de análise de crédito, direcionou a carteira para perfis de menor risco e ampliou a originação por meio do aplicativo, o que, segundo a administração, deve melhorar a qualidade das novas concessões.

Em relação ao programa do governo Lula voltado à renegociação de dívidas, o Desenrola 2.0 foi descrito como muito superior à primeira versão, com volumes maiores de regularização e uma experiência melhor para os clientes.

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“Como resultado, espera-se um impacto positivo do retorno dos empréstimos ao regime de competência, bem como alguma recuperação de provisões líquidas de descontos.”

O banco também destacou que aproximadamente dois terços de sua carteira de crédito contam com garantias reais (colateral), o que gera um carry positivo e torna o modelo de crescimento menos dependente de um cenário macroeconômico favorável.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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