Diesel e gasolina estão 32% e 14% abaixo da PPI, diz BofA, que já vê caminho para B20
Os preços do diesel e da gasolina praticados pela Petrobras (PETR4) estão, respectivamente, 32% e 14% abaixo da paridade de importação (PPI), segundo cálculos do Bank of America (BofA).
Em relatório divulgado nesta terça-feira (18), o banco destaca que a recente alta das referências internacionais ampliou a defasagem dos combustíveis no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, os analistas começam a enxergar um caminho mais claro para a adoção do B20, mistura de 20% de biodiesel ao diesel fóssil.
Na última semana, o preço internacional do diesel convertido para reais avançou 14%, acompanhando a alta de 6% do petróleo. Com isso, aumentou a diferença entre os preços praticados no Brasil e aqueles que seriam observados pela paridade internacional.
Considerando o atual subsídio de R$ 1,12 por litro, o BofA calcula que o diesel da Petrobras esteja 32% abaixo da PPI.
Sem considerar o efeito do subsídio, porém, a diferença seria ainda maior: 45%, muito próxima da máxima de 47% registrada neste ano.
No acumulado de 2026, o banco estima que o diesel tenha sido comercializado, em média, com desconto de 11% frente à paridade de importação.
Gasolina também amplia diferença para PPI
O movimento foi semelhante para a gasolina. As referências internacionais convertidas para reais subiram 16% na comparação semanal, levando o desconto frente à PPI para 14%, considerando um subsídio de R$ 0,44 por litro.
No acumulado do ano, o BofA estima que a gasolina esteja, em média, 15% abaixo da paridade de importação.
A defasagem ocorre em um momento de alta do petróleo, movimento que também vem pressionando as margens de refino da Petrobras.
Segundo o BofA, o crack spread — indicador que funciona como uma referência para a margem de refino — do diesel da estatal recuou de US$ 55 para US$ 46 por barril na última semana, afastando-se da máxima de US$ 70 registrada em 2026.
Sem o efeito dos subsídios, essa margem cairia para apenas US$ 12 por barril. Ainda assim, considerando os subsídios, o nível atual permanece bem acima da média de US$ 28 por barril registrada em 2025.
Para a gasolina, a margem de refino é estimada em US$ 5 por barril. Excluindo os subsídios, entretanto, ficaria negativa em US$ 8 por barril. A título de comparação, a média de 2025 foi de US$ 15 por barril.
Já o crack spread internacional 3-2-1, uma das referências para a rentabilidade das refinarias, recuperou-se para US$ 67 por barril, próximo da máxima de US$ 70 observada neste ano.
B20 começa a ganhar um cronograma
Além dos preços dos combustíveis, o BofA chamou atenção para os próximos passos do Brasil na ampliação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel.
Segundo o relatório, o Departamento de Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME) indicou que os testes com misturas contendo até 20% de biodiesel devem ser concluídos até fevereiro de 2027, enquanto a implementação está prevista para agosto de 2027.
Atualmente, o Brasil adota o B15, ou seja, uma mistura obrigatória de 15% de biodiesel no diesel comercializado no país.
Pela legislação do Combustível do Futuro, a participação do biodiesel deverá avançar gradualmente em 1 ponto percentual ao ano, até alcançar 20% em 2030.
A chegada ao B20 representa um ponto relevante para a cadeia brasileira de biocombustíveis, principalmente pela possibilidade de ampliar a demanda por matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel, como o óleo de soja.
Petrobras recebe mais R$ 536 milhões em subsídios
O relatório também destaca que a Petrobras anunciou na última sexta-feira o recebimento de quatro parcelas que somam R$ 536 milhões referentes aos programas federais de subvenção econômica para comercialização de gasolina e importação de gás natural liquefeito (GNL).
Com os novos pagamentos, o montante acumulado recebido pela companhia por meio desses programas chegou a R$ 6,9 bilhões, segundo a estatal.