Dividendos de até 14,6%: os FIIs recomendados pelo BTG para setembro
O BTG Pactual reforçou a exposição aos fundos imobiliários de recebíveis em sua carteira recomendada para setembro. O portfólio reúne 16 FIIs, apresenta dividend yield anualizado de 11,8% e tem como objetivo combinar renda mensal com ganho de capital.
Para o mês, o banco retirou o Pátria Recebíveis Imobiliários (RBRR11) da seleção e reduziu a participação no HSI Malls (HSML11). Em contrapartida, aumentou as posições no Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11), Kinea Índices de Preços (KNIP11) e Vinci Shopping Centers (VISC11).
Com os ajustes, os fundos de recebíveis continuam representando 47% da carteira. Na sequência aparecem os galpões logísticos, com 25%; os shopping centers, com 11,5%; as lajes corporativas, com 9,5%; e o TRX Real Estate (TRXF11), com 7%.
Por que o RBRR11 deixou a carteira?
Segundo o BTG, a posição no RBRR11 foi desmontada diante da provável incorporação do fundo pelo Pátria Crédito Imobiliário (PCIP11).
Na avaliação do banco, a operação pode modificar tanto a dinâmica de negociação das cotas quanto o perfil de risco da tese. A retirada ocorreu apesar da avaliação positiva sobre a qualidade da carteira de crédito do fundo.
Já a posição no HSML11 foi reduzida de 4% para 2% como parte de um rebalanceamento do portfólio.
Os recursos foram direcionados principalmente aos fundos da Kinea. A participação do KNCR11 subiu um ponto percentual, para 14%, enquanto o peso do KNIP11 avançou dois pontos, também para 14%.
O BTG destaca a liquidez dos dois fundos e a capacidade da gestora de estruturar as próprias operações. Essa característica, segundo o banco, permite maior controle sobre os ativos, negociação de garantias adicionais e obtenção de taxas mais atrativas.
A posição no VISC11, por sua vez, dobrou de 2% para 4%. O fundo conta com uma carteira diversificada de shopping centers maduros e pode gerar ganhos adicionais com a venda e a reciclagem de ativos.
Veja a carteira recomendada de FIIs do BTG para setembro
| Fundo | Segmento | Peso | Dividend yield anualizado |
|---|---|---|---|
| Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) | Recebíveis | 14,0% | 13,9% |
| Kinea Índices de Preços (KNIP11) | Recebíveis | 14,0% | 12,5% |
| BTG Pactual Logística (BTLG11) | Galpões logísticos | 13,0% | 9,8% |
| Mauá Capital Recebíveis Imobiliários (MCCI11) | Recebíveis | 8,0% | 12,6% |
| TRX Real Estate (TRXF11) | Renda urbana | 7,0% | 14,1% |
| BTG Pactual Crédito Imobiliário (BTCI11) | Recebíveis | 6,0% | 13,7% |
| Pátria Crédito High Yield (RBRY11) | Recebíveis | 5,0% | 14,6% |
| Pátria VBI Prime Properties (PVBI11) | Lajes corporativas | 5,0% | 7,0% |
| Vinci Logística (VILG11) | Galpões logísticos | 4,5% | 10,4% |
| Bresco Logística (BRCO11) | Galpões logísticos | 4,5% | 9,6% |
| BTG Pactual Corporate Office Fund (BRCR11) | Lajes corporativas | 4,5% | 12,2% |
| Vinci Shopping Centers (VISC11) | Shopping centers | 4,0% | 9,8% |
| Pátria Logística (HGLG11) | Galpões logísticos | 3,0% | 9,5% |
| Hedge Brasil Shopping (HGBS11) | Shopping centers | 3,0% | 10,9% |
| Gazit Malls (GZIT11) | Shopping centers | 2,5% | 12,2% |
| HSI Malls (HSML11) | Shopping centers | 2,0% | 10,6% |
Entre os FIIs selecionados, o RBRY11 apresenta o maior dividend yield anualizado, de 14,6%. Logo depois aparecem TRXF11, com 14,1%, e KNCR11, com 13,9%.
A carteira negocia, em média, a 0,89 vez o valor patrimonial, o que representa desconto de aproximadamente 11%. A liquidez média é de R$ 10,3 milhões por dia.
Selic menor, mas risco fiscal ainda pesa
Para o BTG, agosto consolidou a percepção de desaceleração da economia brasileira, acompanhada por sinais de melhora na inflação.
O banco cita o corte da Selic para 14% ao ano e a composição mais favorável dos índices de preços, com alívio em alimentos, vestuário e serviços intensivos em mão de obra. Dados como IBC-Br, Caged e IPCA-15 também reforçaram a perda de força da atividade, ainda sem indicar uma recessão.
O cenário favorece principalmente os vencimentos mais curtos da curva de juros, beneficiados pela desinflação e pela expectativa de novos cortes da Selic.
O quadro fiscal, entretanto, continua limitando a queda dos juros mais longos. O BTG destaca que o déficit primário, o crescimento da dívida pública e as incertezas sobre a execução do Orçamento de 2027 mantêm elevada a percepção de risco.
A volatilidade eleitoral também deve permanecer no radar dos investidores. Nesse ambiente, a chamada Superquarta de setembro — com decisões de juros do Federal Reserve e do Banco Central — será importante para definir o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e o espaço para novos cortes da Selic.
Carteira supera o IFIX em agosto e no ano
Em agosto, a carteira do BTG recuou 0,95%, mas superou o desempenho do Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX), que caiu 1,46%.
No acumulado de 2026 até agosto, a seleção registra alta de 1,31%, ante queda de 0,33% do IFIX. Desde o início do histórico, em julho de 2019, o portfólio acumula valorização de 65,68%, enquanto o índice avança 43,28%.
Além da variação das cotas, a carteira entregou rendimento mensal equivalente a 90,7% do CDI em agosto. Quando considerada a isenção de Imposto de Renda dos dividendos para pessoas físicas, a equivalência sobe para 106,7% do CDI, segundo os cálculos do BTG.