Banco do Brasil (BBSA3): Trade eleitoral contamina e ação salta até 7% com gringos ‘enchendo o carrinho’
O Banco do Brasil (BBAS3) é um dos principais destaques do Ibovespa em meio à euforia que tomou conta do mercado após pesquisas eleitorais sugerirem uma disputa acirrada entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Nas máximas, o papel chegou a superar os 7%. Por volta das 13h03, subia 6,80%.
Outros bancos também sobem, mas em menor magnitude, o que reforça a tese de que uma possível vitória de Flávio começou a ser precificada pelos investidores.
“Banco do Brasil sobe por possibilidade de troca de governo. A alta está muito expressiva, e principalmente com corretoras estrangeiras atuando na ponta compradora”, afirma Gabriel Magno, chefe de alocação e sócio da AW Capital.
Para outro gestor que conversou com o Money Times, trata-se de um trade eleitoral ‘na veia’, porque os fundamentos e os números do banco, em si, estão cada vez piores.
“Há mais esperança de que, com o Bolsonaro, mude a diretoria do BB, porque a atual fez muita lambança”, afirmou.
O banco vem empilhando resultados ruins nos últimos trimestres. No segundo trimestre, o lucro até subiu 3,3%, para R$ 3,9 bilhões. Porém, houve piora dos indicadores de qualidade, com calotes de pessoas físicas e produtores rurais.
Privatização?
Outro ponto é que a eleição do candidato do PL pode aumentar muito a expectativa de uma privatização e, daí sim, de uma “gestão mais orientada a resultados”.
Até o momento, porém, não houve uma declaração pública de que Bolsonaro vá privatizar a estatal.
Em entrevista à Veja no mês passado, um dos principais colaboradores do candidato disse que, em privatizações, especificamente, a direção deve ser a mesma do ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, porém com menos intensidade.
“Acho muito pouco provável alguma privatização de grande porte, como foi a da Eletrobras, por exemplo. Privatizações pontuais de empresas deficitárias ou falidas podem, sim, ser realizadas.”
O que fazer com Banco do Brasil?
Mais cedo, a XP atualizou o preço-alvo do BB para R$ 21, potencial de queda de 1,2% em relação ao fechamento de R$ 21,26, com a recomendação neutra mantida.
Segundo os analistas, o ambiente até melhorou. A MP 1.376 serviu como uma boia salva-vidas para os produtores afogados em dívidas. Isso pode melhorar a qualidade dos ativos e reduzir o custo de risco nos próximos trimestres.
Por outro lado, uma piora relevante da carteira de pessoa física, especialmente em cartões de crédito e produtos consignados, deve compensar parcialmente a recuperação do agro e prejudicar a melhora dos lucros.
Para os amantes dos dividendos, há más notícias também: o payout (lucro distribuído em dividendos) continuará apertado, hoje em 30%, uma vez que os índices de capital mais baixos e o menor patrimônio tangível devem manter a administração “focada em preservar flexibilidade de capital”.