Dólar sobe 1% e fecha a R$ 5,16 com ‘risco Brasil’
O dólar à vista engatou a segunda sessão consecutiva de ganhos com aumento da aversão a risco no cenário doméstico após dados de inflação e pesquisas eleitorais apontando para uma reeleição do atual governo.
Nesta terça-feira (11), o dólar à vista terminou as negociações a R$ 5,1608, com alta de 0,98%.
No exterior, a divisa teve um dia volátil em meio à calibração de apostas sobre a trajetória dos juros dos EUA antes de dados de inflação. Por volta de 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara a moeda a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava estável, aos 99.813 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O câmbio reagiu a novos dados de inflação e à ata da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).
Enquanto o IPCA mostrou uma alta de 0,07% em julho, com desaceleração da inflação em 12 meses para 4,44%, a ata reforçou a preocupação do Copom com as expectativas desancoradas e a necessidade de manter a política monetária em terreno restritivo.
Os dois eventos, embora distintos, ajudam a contar a mesma história: a inflação corrente dá sinais de alívio, mas ainda há pontos de atenção que impedem uma leitura totalmente confortável para o Banco Central.
Na avaliação de operadores do mercado, a percepção de ‘risco Brasil’ após um relatório do JP Morgan sobre o mercado doméstico também contribuiu para a saída de fluxo estrangeiro. No acumulado do mês até o momento, os investidores estrangeiros registraram saídas líquidas de R$ 3,3 bilhões no mercado à vista e de R$ 4,4 bilhões em futuros.
As entradas acumuladas em 2026 estão agora em R$ 37,8 bilhões no mercado à vista, ante o pico de R$ 69,1 bilhões em meados de abril.
Outro gatilho para o movimento de saída foi o cenário eleitoral, na avaliação de Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação e inteligência da Avenue.
A pesquisa CNT/MDA para a eleição presidencial 2026 divulgada nesta terça-feira mostrou uma vantagem de quase 14 pontos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno, e a distância de cerca de 9 pontos entre os candidatos em um eventual segundo turno.
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