Dólar fecha estável a R$ 4,97 com incertezas sobre negociações entre EUA e Irã
O dólar à vista retomou as negociações após feriado de Tiradentes em meio a incerteza sobre as negociações de cessar-fogo no Oriente Médio.
Nesta quarta-feira (22), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 4,9740, em estabilidade, no menor nível desde meados de 2024.
O movimento destoou do desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com alta de 0,22%, aos 98,616 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio continuou a monitorar os desdobramentos nas negociações de paz no Oriente Médio.
Ontem (21), o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a prorrogação do cessar-fogo com o Irã até a conclusão das negociações entre os países, ou seja, por tempo indeterminado. No entanto, a Axios revelou que o cessar-fogo deve durar apenas de 3 a 5 dias, citando uma fonte da Casa Branca.
Em resposta, o Irã divulgou um vídeo ironizando o acordo.
A imprensa internacional afirma que o Irã aguarda o fim do bloqueio dos EUA aos portos iranianos para retomar as conversas com os EUA. Além disso, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) afirmou ter apreendido duas embarcações no Estreito de Ormuz e teria atacado outros navios que circulavam na via marítima.
Informações divergentes também foram apresentadas em relação às próximas negociações: ao New York Post, Trump disse que “boas notícias” podem acontecer já na sexta-feira (24), enquanto a agência de notícias iraniana Tasnim afirma que Teerã não tem, por enquanto, intenção de negociar no fim da semana.
Já no final da tarde, a Casa Branca disse que ainda espera uma resposta dos iranianos. Em coletiva de imprensa, a secretária de imprensa, Karoline Leaviatt, disse que “há divisões internas na liderança do Irã”, o que torna uma mensagem unificada mais difícil.
Com isso, o dólar ganhou força no exterior. Na avaliação de Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a estabilidade de divisa norte-americana ante o real, por sua vez, deve-se a um movimento de ajuste após a apreciação recente da moeda brasileira, mesmo em um ambiente de menor aversão a risco.
“Apesar do petróleo ainda elevado — com o Brent acima de US$ 100 — e das tensões persistentes no Estreito de Ormuz, o mercado não entrou em modo defensivo novamente e ainda opera com apetite de risco renovado”, afirmou o especialista, em nota.
O diferencial de juros também continuam limitando movimentos mais intensos do dólar ante o real, segundo Shahini, e mantém a divisa dentro de uma dinâmica de consolidação em torno do patamar de R$ 5,00.