Dólar sobe a R$ 5,02 com Datafolha e impasse nas negociações de paz no Oriente Médio
O dólar manteve-se acima de R$ 5 com os investidores dividindo as atenções entre o cenário eleitoral com as primeiras pesquisas de intenção de votos após o ‘Flávio Day 2’ e a expectativa de um acordo de paz definitiva entre Estados Unidos e Irã.
Nesta sexta-feira (22), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,0282, com alta de 0,54%.
O dólar acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com ganho de 0,03%, aos 99.287 pontos.
Na semana, o dólar acumulou queda de 0,78% ante o real.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio manteve as atenções concentradas no cenário geopolítico, com otimismo de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e os preços do petróleo ainda acima de US$ 100 o barril.
Segundo o Sky News Arabia, Washington e Teerã alcançaram um entendimento geral sobre o programa nuclear iraniano como parte do avanço das negociações entre os dois países para um cessar-fogo definitivo.
A entrega de urânio enriquecido por Teerã será vinculada à retirada de sanções do governo Trump ao país persa, de acordo com o site.
Hoje, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio disse que “houve algum progresso” nas conversas. “Há mais trabalho a ser feito”, acrescentou. “Ainda não chegamos lá. Espero que cheguemos lá.”
Do outro lado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que ainda não é possível dizer que um acordo com os EUA esteja próximo, ao afirmar a existência de “divergências profundas e extensas”.
De olho nas eleições
Por aqui, o cenário eleitoral dividiu as atenções, com a divulgação de novas pesquisas de intenção de votos.
A primeira pesquisa presidencial do Datafolha divulgada após a divulgação dos pedidos de dinheiro de Flávio Bolsonaro (PL) para Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar ‘Dark Horse‘, cinebiografia de Jair Bolsonaro, aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou de 3 para 9 pontos porcentuais sua vantagem no primeiro turno sobre o senador em uma semana.
Lula saiu de 38% para 40% entre levantamento divulgado no sábado passado (15) e a pesquisa desta sexta-feira (22). Flávio Bolsonaro recuou de 35% para 31% no período.
No cenário de segundo turno entre ambos, o empate 45% se transformou em uma vantagem numérica de 47% a 43% para o presidente, ainda um empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos porcentuais.
Datafolha entrevistou, entre quarta-feira (20) e quinta-feira (21), 2.004 pessoas em 139 cidades e 64% informaram ter conhecimento do caso. Também para 64% o senador agiu mal ao negociar dinheiro para o filme com o banqueiro preso pela Polícia Federal.
- LEIA MAIS EM: Datafolha: Lula sobe de 38% para 40% e Flávio Bolsonaro recua 35% para 31% após ‘Dark Horse’
Em segundo plano
Dados macroeconômicos dos EUA e do Brasil ficaram em segundo plano. Por lá, o sentimento de confiança do consumidor norte-americano caiu para a mínima recorde em maio.
A Universidade de Michigan informou que seu Índice de Confiança do Consumidor caiu para uma leitura final de 44,8, menor patamar histórico, de 48,2 mais cedo no mês. O índice ficou em 49,8 em abril. Os economistas consultados pela Reuters previam que o índice permaneceria inalterado em 48,2.
Além disso, o diretor do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) Christopher Waller afirmou ser “uma loucura” falar em corte nos juros em um futuro próximo, em meio a uma queda abaixo do esperado no sentimento do consumidor e alta nas expectativas de inflação.
Com a piora dos dados e declarações, os traders adiantaram a aposta de alta nos juros pelo Fed para outubro deste ano. Perto do fechamento, a ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava 52,2% de chance de o Fed elevar os juros na decisão de 28 de outubro. A aposta de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano era de 47,8%.
Na véspera, a precificação de alta nos juros estava dividida entre dezembro deste ano e janeiro de 2027.
Por aqui, o governo informou que precisará ampliar o bloqueio nas verbas orçamentárias dos ministérios de R$ 1,6 bilhão para R$ 23,7 bilhões para cumprir o limite de despesas do ano, diante da pressão gerada por um aumento de despesas de execução obrigatória.