Dólar tem leve recuo a R$ 5,01 de olho nas negociações no Oriente Médio
O dólar manteve-se na faixa dos R$ 5 acompanhando os avanços nas conversas entre Estados Unidos e Irã para alcançar um acordo de paz e encerrar a guerra no Oriente Médio.
Nesta segunda-feira (25), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,0190, em queda de 0,18%.
O dólar contra o real acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com perda de 0,26%, aos 98.978 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio seguiu com as atenções voltadas às negociações entre Estados Unidos e Irã. Após acenos no domingo (24) de que um acordo estaria próximo, os dois países minimizaram as esperanças de um avanço iminente nos esforços para encerrar a guerra.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a repórteres em Nova Déli que os Estados Unidos dariam à diplomacia todas as chances de sucesso antes de explorar “alternativas”, depois que Trump afirmou no domingo que havia dito a seus representantes para não se apressarem em qualquer acordo com o Irã.
Há uma “coisa bastante sólida sobre a mesa em termos de capacidade de abrir o estreito (de Ormuz), entrar em uma negociação muito real, significativa e limitada no tempo sobre a questão nuclear, e esperamos que possamos realizá-la”, declarou Rubio.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a reiterar que o Irã “nunca terá” uma arma nuclear, ao participar de uma cerimônia do Memorial Day, o que é um ponto de divergência entre Teerã e Washington.
De acordo com o site Nikkei Asia, os Estados Unidos e o Irã discutem um plano que abriria o Estreito de Ormuz cerca de 30 dias após um acordo para encerrar as hostilidades, disse uma fonte diplomática do Oriente Médio.
O Irã avançaria na remoção de minas do estreito durante essa janela de 30 dias após o acordo. Depois, os navios de todos os países poderiam navegar livremente e com segurança. O país persa também deixaria de cobrar taxas de trânsito.
O cessar-fogo acertado entre os dois países no início de abril seria estendido por 60 dias. Segundo o site, o plano seria realizar negociações sobre o programa nuclear iraniano durante a pausa de dois meses nas hostilidades.
Cenário doméstico
Por aqui, o cenário eleitoral e as estimativas do Boletim Focus dividiram as atenções dos investidores.
A pesquisa BTG Pactual/Nexus divulgada hoje mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em vantagem numérica em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno, no limite da margem de erro. Lula aparece na liderança com 47%, contra 43% de Flávio.
Esta é a primeira pesquisa BTG/Nexus após o site Intercept Brasil divulgar a troca de mensagens e áudio entre o senador e o dono do Banco Master, pedindo dinheiro para financiar o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Quanto à rejeição, Lula variou de 49% para 48% do eleitorado brasileiro entre as duas primeiras pesquisas, e agora é de 47%. Flávio Bolsonaro saiu de 48% nos dois primeiros levantamentos para 50% de rejeição agora.
Já o Boletim Focus, com estimativas de economistas do mercado consultados pelo Banco Central (BC) elevaram pela 11ª vez consecutiva as projeções para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), segundo o Boletim Focus divulgado na manhã desta segunda-feira (25).
A estimativa para o IPCA em 2026 subiu de 4,92% para 5,04%, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Para 2027, a estimativa avançou levemente de 4,00% para 4,01%. Já projeção da taxa básica de juros, a Selic, seguiu estável em 13,25% para 2026.
Na avaliação do especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, o dólar operou em queda ao longo da sessão impulsionado pela expectativa de avanço nas negociações entre EUA e Irã, com discussões sobre uma possível suspensão temporária dos combates e reabertura parcial do Estreito de Ormuz.
“A queda do petróleo e o recuo parcial dos prêmios de risco ajudaram a manter o dólar próximo da estabilidade ao redor de R$ 5,00, em um pregão de baixa liquidez e volume reduzido”, detalha.