Dólar cai a R$ 5,03 com expectativa de acordo de paz no Oriente Médio
O dólar perdeu força no exterior e, consequentemente, ante o real com alívio nas tensões geopolíticas. Dados de emprego no Brasil e de inflação nos Estados Unidos também movimentaram o câmbio.
Nesta quinta-feira (28), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 5,0318, com queda de 0,58%.
O dólar acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com queda de 0,20%, aos 99.003 pontos.
O que mexeu com o dólar hoje?
O mercado de câmbio continuou a precificar um eventual acordo de paz no Oriente Médio.
O site Axios informou, pela manhã, que Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo de extensão do cessar-fogo por 60 dias e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas o presidente Donald Trump ainda precisa dar a aprovação final. A informação também foi noticiada pela Reuters.
Já a agência de notícias iraniana Tasnim, citando uma fonte próxima à equipe de negociação, disse que o texto de um possível memorando de entendimento entre os dois países ainda não havia sido finalizado ou confirmado.
Os dados dividiram ainda as atenções. Nos Estados Unidos, o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal (PCE) dos Estados Unidos subiu 0,4% em abril.
No acumulado do ano, a inflação preferida do Federal Reserve apontou para alta de 3,8% — acima da meta de 2% perseguida pelo banco central norte-americano. Os números vieram abaixo do consenso do mercado, que projetava alta mensal de 0,5% e anual de 3,9%.
Por aqui, o mercado doméstico também reagiu a novos dados do mercado de trabalho. Pela manhã, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) mostrou que a taxa de desemprego no Brasil recuou para 5,8% no trimestre até abril de 2026, ante 6,1% no trimestre encerrado em março.
Trata-se da menor taxa para um trimestre encerrado em abril na série histórica iniciada em 2012.
Já à tarde, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, apontou a abertura de 85.888 vagas formais de trabalho em abril de 2026, abaixo da mediana da pesquisa Projeções Broadcast – que indicava criação líquida de 211,1 mil vagas no período.
Na avaliação de Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, apesar da surpresa negativa no emprego formal, a Pnad Contínua mostra que o mercado de trabalho segue aquecido, com desemprego na mínima histórica para o período e renda recorde. “Sem sinais de arrefecimento, a resiliência do setor continua sendo um dos ‘calcanhares de Aquiles’ na política monetária no combate à inflação”, disse Kayo, em nota.
Para Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, o mercado de trabalho dá sinais incipientes de desaceleração, mas a validação desse movimento é necessária com os próximos dados.