Dólar avança 1% após EUA anunciarem sanções contra brasileiros por suposto vínculo com o PCC; entenda
O dólar à vista ganhou força ante o real com a notícia de que o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou a aplicação de sanções a dois brasileiros nesta quarta-feira (1º), três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal por supostos vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo o governo dos EUA, o PCC é a “maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental”, com atuação também no Reino Unido, Turquia e Japão.
De acordo com o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, o PCC utilizava o sistema financeiro norte-americano para lavar recursos provenientes do tráfico de drogas.
A notícia, por afetar empresas sediadas no Brasil e ser a primeira ação concreta dos EUA desde a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, ajudou a pressionar as cotações do dólar. Na máxima, a moeda chegou a subir 1,04%, a R$ 5,2167.
Por volta das 12h51 (horário de Brasília), porém, houve alívio na alta, de 0,67%, a R$ 5,1977, em linha com o desempenho da moeda no exterior. No mesmo horário, o DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, subia 0,20%, aos 101.320 pontos.
Sanções dos EUA
De acordo com o Tesouro dos EUA, Victor Henrique de Oliveira Shimada, um dos sancionados, atuava como líder na ligação com operadores do PCC na Flórida e traficantes internacionais. Shimada teria lavado mais de US$ 30 milhões em recuross ilícitos gerados em diversas cidades, usando criptomoedas para transferir os valores para o Brasil.
A brasileira Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira também foi alvo das sanções e foi descrita pelo Tesouro como colaboradora próxima de Shimada.
Entre os alvos das medidas, estão as empresas Victory Trading Intermediação de Negócios, Cobranças e Tecnologia, Pixwave Soluções de Pagamentos, Wave Construções Inteligentes e a portuguesa Avenidas Flutuantes Unipessoal.
A decisão bloqueia todos os bens e interesses dos sancionados sob jurisdição norte-americana, além de que cidadãos e empresas dos EUA estão proibidos de realizar transações com eles.
De acordo com o Tesouro dos EUA, em janeiro de 2025, Shimada chegou a cumprir prisão domiciliar no Brasil visto que a Victory Trading teria sido utilizada para lavar recursos desviados de um clube de futebol brasileiro em um esquema de fraude publicitária.
A empresa de Shimada aparece nas investigações do caso VaideBet, que apura um esquema de desvio e lavagem de dinheiro relacionado ao contrato de patrocínio do Corinthians com a casa de apostas.
*Com informações de Estadão Conteúdo