Câmbio

Dólar deve encerrar o ano na faixa de R$ 5,35, segundo PicPay – mas dois fatores podem pesar contra; veja quais

21 ago 2026, 7:00
economista matheus pizzani
O economista Matheus Pizzani, do PicPay. Foto: Divulgação/PicPay

O PicPay considera que o câmbio deve encerrar o ano ligeiramente depreciado, na faixa dos R$ 5,35, em estudo conduzido pela economista-chefe, Ariane Benedito, e o economista Matheus Pizzani.

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Em entrevista ao Money Times, Pizzani avalia que o componente da política monetária, uma das hipóteses do levantamento, está caminhando conforme o esperado, visto que os dados da inflação de curto prazo, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, vieram melhores do que o esperado pelo mercado.

“O quantitativo pode ter vindo um pouco maior, mas o qualitativo do dado veio melhor”, explica o economista.

No Brasil, o PicPay prevê mais dois cortes de 0,25 ponto percentual na Selic, levando o juro básico para 13,5% no final de 2026.

Além da inflação, ainda que a mensagem quanto à atividade no último comunicado tenha sido um pouco mais dura, Pizzani avalia que a tendência é de desaceleração da atividade, tanto pelo lado da oferta quanto da demanda, o que deve manter a margem para mais cortes.

Pontos de atenção

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No entanto, um ponto de divergência diz respeito à economista dos Estados Unidos, visto que, no cenário do estudo, haveria uma redução nos preços do barril de petróleo.

Ainda assim, o índice de preços ao consumidor (CPI) e o índice de preços do produtor (PPI) em julho vieram melhores, segundo Pizzani, não apenas pelo petróleo, mas também pela surpresa positiva das tarifas.

Contudo, o banco prevê pelo menos uma alta nos juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), que deve ficar para dezembro, segundo o economista.

“Dentro do cenário que trabalhamos hoje, vemos uma necessidade de alta nos EUA”, afirma.

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Para o economista, o grosso da nova rodada de tarifas ainda não foi repassado no PPI, ainda que em magnitude menor do que no Liberation Day, em abril de 2025.

Nesse cenário, o economista avalia que o diferencial de juros, o carry trade, segue sustentado, funcionando como um “mecanismo de defesa”.

Fatores de volatilidade para o dólar

De acordo com o economista, o mercado de câmbio local ainda opera com um estresse pela proximidade do período eleitoral. Após a debandada recente do investidor estrangeiro, que retirou mais de R$ 20 bilhões da bolsa em agosto, o dólar à vista opera com maior volatilidade, devido à baixa liquidez, explica.

“Quando colocamos isso, vemos uma assimetria de informação, um período de indefinição, o que acaba resultando em uma postura mais cautelosa do mercado”, diz. “Mas ainda não é um cenário de overshooting [movimento exagerado] ou desvalorização permanente.”

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Na avaliação do economista do PicPay, outro ponto de atenção que deve ditar o comportamento da moeda norte-americana são as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos.

Além disso, outro fator que costuma contribuir para a depreciação do real ante o dólar é o envio de remessas de empresas para o exterior, lembra Pizzani.

“Globalmente as empresas foram prejudicadas pela inflação elevada e pelos juros mais restritivos, isso afeta a lucratividade delas no final das contas, com o capital espalhado em outros países. Esse movimento ganha ainda mais importância neste ano”, considera, acrescentando que as remessas neste ano serão tributadas.

Treasuries e petróleo

No entanto, o economista atenta para dois fatores que destoam do estudo: o mercado de títulos dos Estados Unidos, os Treasuries, e o petróleo Brent, que está perto de US$ 94, acima do previsto inicialmente pelo estudo do PicPay.

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O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, em movimento que surpreendeu o mercado, anunciou na quarta-feira (19) que iria dobrar a recompra de títulos mais longos, para normalizar a liquidez dos Treasuries.

O movimento trouxe alívio pontual para os títulos dos EUA e também contribuiu para a forte desvalorização do dólar globalmente. Consequentemente, o DXY, uma cesta que compara o dólar a outras moedas fortes, como o euro, voltou a operar abaixo dos 99 pontos.

Na quinta-feira (20), o secretário dos EUA, Scott Bessent disse que pode aumentar novamente o volume de títulos do Tesouro que o governo irá recomprar. “Gostaria de ressaltar que o valor pode ser superior a US$ 4 bilhões por emissão”, afirmou.

Diante disso, Pizzani não descarta a possibilidade de que o dólar possa encerrar o ano abaixo de US$ 5,35, visto que as intervenções do Tesouro norte-americano nos Treasuries contribuem para a desvalorização da moeda.

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Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.
Jornalista formada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). É repórter de mercados do Money Times. Antes disso, atuou na cobertura de macroeconomia na Broadcast/Agência Estado.

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