Donos da JBS compram Avibras e entram no setor de defesa; transação depende deste fator para acontecer
Os irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS e da Friboi, compraram 100% da Avibras, uma das principais empresas brasileiras do setor de defesa.
A aquisição será feita por meio da Globe Investimentos, empresa utilizada pela J&F em outros negócios. O valor da operação não foi divulgado, e a transação foi comunicada ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A operação envolve a Nova AVB, estrutura criada durante o processo de reestruturação da companhia. A Avibras está em recuperação judicial desde 2022 e enfrentou uma grave crise financeira, além de uma paralisação e uma greve que durou mais de três anos.
Como parte da reestruturação, os ativos industriais e tecnológicos foram transferidos para a nova empresa, enquanto a companhia original permaneceu responsável pelos passivos submetidos à recuperação judicial.
O processo contou com a participação do Fundo Brasil Crédito, que coordenou uma alternativa ao plano de recuperação e viabilizou a criação da Nova AVB.
Antes de assumir o controle da empresa, Joesley Batista já havia participado de uma captação de R$ 300 milhões destinada à Avibras. O financiamento reuniu investidores privados e ajudou a viabilizar a retomada das atividades da companhia após anos de dificuldades financeiras. O valor investido individualmente pelo empresário não foi divulgado.
Histórico da Avibras
A aquisição consolida uma aproximação que começou há alguns meses, quando Joesley Batista participou de uma captação de recursos privados de R$ 300 milhões coordenada pelo Fundo Brasil Crédito.
O aporte foi fundamental para viabilizar a retoma produtiva e financeira da Avibras, que se encontrava em recuperação judicial desde 2022 acumulando dívidas de aproximadamente R$ 600 milhões. Essa reorganização societária isolou as dívidas passadas e permitiu a reabertura da fábrica em Jacareí (SP).
O negócio encerra um período turbulento marcado por uma greve histórica de trabalhadores que durou mais de três anos e foi finalizada após a homologação de um acordo para pagar cerca de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas acumuladas.