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BrasilAgro (AGRO3): O ‘principal detrator’ da ação, o erro do mercado e a companhia daqui a 10 anos, segundo o CEO

22 ago 2026, 10:00
brasilagro dividendos
CEO da BrasilAgro, André Guillaumon (Foto: Divulgação/BrasilAgro)

O que o mercado ainda não enxerga corretamente na BrasilAgro (AGRO3)? Para André Guillaumon, CEO da companhia, a resposta passa menos pelo potencial produtivo das fazendas e mais pela dificuldade dos investidores em colocar preço em uma das características centrais do modelo de negócios: a capacidade de transformar terras em dinheiro.

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Em entrevista ao Money Times, Guillaumon apontou justamente essa dificuldade como um dos fatores que pesam sobre a precificação das ações.

“Eu acho que o principal detrator do preço da ação é não saber precificar bem a liquidez e a rotatividade dos nossos ativos.”

A avaliação está diretamente relacionada à estratégia da BrasilAgro. Além da produção agrícola, a companhia busca adquirir propriedades com potencial de valorização, desenvolvê-las e vendê-las conforme os ativos atingem maior maturidade ou se aparece uma proposta capaz de antecipar o retorno esperado.

Para o CEO, é justamente essa liquidez e capacidade de monetização das terras que o mercado ainda tem dificuldade de incorporar adequadamente ao valor da empresa. E, olhando para a próxima década, Guillaumon espera que essa busca por geração de valor se torne ainda mais ativa.

Como será a BrasilAgro daqui a 10 anos?

A terra continuará no centro da estratégia da BrasilAgro, mas a companhia que Guillaumon imagina daqui a dez anos deverá depender cada vez menos de uma postura passiva diante da valorização dos ativos. Isso porque o valor de uma propriedade está diretamente relacionado àquilo que ela é capaz de gerar.

“Como eu vejo a BrasilAgro dos próximos 10 anos? Eu vejo cada vez mais uma empresa que busca aperfeiçoar sua receita, porque essa valorização imobiliária é um múltiplo do que a terra gera. Nos próximos 10 anos, essa busca será muito mais ativa que passiva, e nós estamos nos preparando para isso.”



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Essa preparação passa por pessoas, processos e tecnologia. Pouco antes da entrevista, segundo o executivo, a administração discutia o desenvolvimento de um data lake (um repositório projetado para armazenar grandes volumes de dados) da BrasilAgro, além de iniciativas envolvendo telemetria e gestão de informações.

O objetivo não é apenas modernizar as fazendas, mas utilizar os dados para melhorar a tomada de decisão, elevar a produtividade e, consequentemente, aumentar a rentabilidade dos ativos.

Da valorização da terra à produtividade

A mudança também reflete uma visão de Guillaumon sobre o próprio futuro do agronegócio. Nas últimas décadas, a forte apreciação das terras permitiu que parte dos produtores capturasse valor mesmo sem apresentar os maiores níveis de eficiência. Para os próximos anos, o executivo acredita que essa conta será diferente.

“No passado, até mesmo aquele agricultor porco ganhou dinheiro de qualquer jeito apreciando o ativo, porque a terra subiu. Vai ganhar dinheiro de novo com terra aquele produtor capaz de subir seus yields produtivos, subir a rentabilidade da terra.”

A expectativa, portanto, não é de que a valorização imobiliária desapareça. A diferença está em quem conseguirá capturar mais valor daqui para frente.

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Se antes bastava, em determinados momentos, possuir o ativo e acompanhar a valorização do hectare, a próxima etapa deverá exigir uma atuação maior dentro da porteira: produzir mais, controlar melhor os custos e aumentar o retorno obtido sobre a mesma terra.

Para a BrasilAgro, essa relação é particularmente importante porque produtividade e valorização imobiliária caminham juntas. Quanto maior a capacidade de geração de resultado de uma propriedade, maior pode ser também o valor econômico daquele ativo.

Tecnologia, sim — desde que a conta feche

É nesse contexto que a tecnologia ganha espaço na BrasilAgro dos próximos dez anos. Guillaumon espera uma companhia mais tecnológica, mas faz uma ressalva: inovação não será adotada apenas pela inovação. Cada investimento terá de provar que consegue melhorar a operação ou gerar retorno econômico.

“Daqui a 10 anos, será uma empresa que investe cada vez mais em tecnologia. E não é um investimento para falar que é bonito. Vamos usar drones se for mais barato que aplicar com o trator. Esperamos uma companhia com uma estratégia muito clara.”

Além da tecnologia, a BrasilAgro afirma que deve continuar investindo em pessoas, processos e organização interna, com uma definição cada vez mais clara das responsabilidades de cada área.

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No fim, a companhia que Guillaumon projeta para a próxima década continua tendo a terra como principal ativo, mas pretende ser mais ativa na maneira de extrair valor dela.

E é justamente aí que as duas pontas da tese se encontram: aquilo que o CEO considera hoje o “principal detrator” da ação — a dificuldade do mercado em precificar a liquidez e a rotatividade dos ativos — também está no centro da BrasilAgro que ele imagina para o futuro. Uma companhia que pretende não apenas esperar suas terras valerem mais, mas aumentar produtividade e rentabilidade, monetizar os ativos e fazer esse capital girar.

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Repórter
Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas Tadeu, atua como repórter no Money Times desde março de 2023. Antes disso, trabalhou por mais de três anos no Canal Rural. Em 2024 e 2025, integrou a lista dos 100 jornalistas + Admirados da Imprensa do Agronegócio e, em 2026, alcançou o Top 50 da premiação.
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