Duas elétricas para comprar e duas para vender com o preço de energia nas alturas, segundo BofA
O Bank of America (BofA) recalibrou suas expectativas para as geradoras de energia, considerando os novos preços do setor — com destaque para Axia e Copel (CPLE3).
No caso da Axia, o preço-alvo foi ajustado de R$ 70 para R$ 74 nas ações ordinárias (AXIA3) e de R$ 77 para R$ 81 nas preferenciais classe B (AXIA6). Para a Copel, o preço-alvo foi mantido em R$ 21 por ação. Ambas têm recomendação de compra.
Os analistas também revisaram as estimativas de Engie Brasil (EGIE3), cujo preço-alvo subiu de R$ 12 para R$ 13, e de Auren Energia (AURE3), para R$ 28 (ante R$ 27), refletindo prêmios nos preços de energia eólica. Ainda assim, a recomendação para as duas companhias é de venda.
Segundo o BofA, há riscos de queda nos lucros no curto prazo, diante de balanços energéticos desfavoráveis.
Os analistas destacam níveis elevados de restrições no sistema, o que faz com que a discussão sobre preços mais altos no curto prazo funcione mais como um obstáculo do que como um fator positivo para os resultados.
Com isso, o banco projeta revisões para baixo de cerca de 15% no Ebitda (que mede o resultado operacional) estimado para 2026-2027 da Auren e de 3% para a Engie.
As vencedoras
Por outro lado, o BofA vê Copel e Axia como as empresas mais bem posicionadas para capturar o momento de preços elevados de energia.
Segundo os analistas, os preços no curto prazo seguem mais fortes do que o esperado, em torno de R$ 315/MWh no acumulado do trimestre — mesmo após a melhora na hidrologia entre fevereiro e março, que atingiu cerca de 85% da média de longo prazo.
A expectativa é de que os preços permaneçam elevados, com a aproximação da estação seca a partir de abril, além do risco de El Niño no segundo semestre de 2026 e reservatórios ainda abaixo dos níveis de 2025, o que exige maior despacho de usinas térmicas.
“Vemos potencial de alta em relação ao consenso para ambas as empresas, à medida que atualizamos os preços para o 1T26”.
Para a Axia, o BofA projeta Ebitda de R$ 9,2 bilhões no primeiro trimestre de 2025, alta de 15%, além de um potencial adicional de valorização de cerca de 10% entre 2026 e 2028, impulsionado pelos preços de energia.
A Copel também se destaca, com potencial de alta de cerca de 5% em relação ao consenso para 2026-2028, apoiada por um negócio de distribuição mais protegido (cerca de 40% do NAV) e pela exposição relevante à geração hidrelétrica no Sul.