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‘É preciso fazer a lição de casa’; o recado dos maiores banqueiros do país

24 ago 2026, 16:21
CEO dos Bancos
(Imagem: Divulgação)

O cenário de crédito piorou de forma expressiva no Brasil nos últimos meses, em meio a uma Selic, a taxa básica de juros, ainda nas alturas, a 14%. Com a piora dos índices de inadimplência, os bancos precisaram pisar no freio e aumentar suas provisões, dinheiro reservado para cobrir calotes, para se prepararem.

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Não por acaso, o tema ganhou bastante destaque no Febraban Tech, evento que reúne os principais bancos do país.

O painel contou com a presença de Milton Maluhy, do Itaú (ITUB4), Marcelo Noronha, do Bradesco (BBDC4), Roberto Sallouti, do BTG (BPAC11), Carlos Vieira, da Caixa, e dos estreantes Gilson Finkelsztain, que assumiu o Santander (SANB11) recentemente, e Livia Chanes, do Nubank (NU), que se filiou à Febraban Tech após fazer as pazes com a instituição.

Nas falas, o ‘dever de casa’ se repetiu entre pelo menos três CEOs, entre eles Maluhy, do Itaú. Para ele, o Brasil não controla o cenário externo: guerras, petróleo, juros nos Estados Unidos. Ao país, resta deixar a casa em ordem, o que significa evitar as contas públicas explodirem.

“O social e o fiscal andam de mãos dadas. Se você quer ter uma agenda social importante, você precisa prosperar economicamente. Não tem agenda social melhor do que geração de emprego, prosperidade, inflação controlada. A inflação é o pior imposto para as famílias.”

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Ainda segundo o CEO, a trajetória da dívida nesse ritmo é insustentável. A dívida bruta do Governo Geral do Brasil atingiu R$ 10,8 trilhões em junho, o que corresponde a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

“A gente tem que parar de falar de superávit primário e déficit primário e falar de déficit nominal. Essa conta no longo prazo é muito complexa. Não tem nenhuma economia que resista a juros reais nos níveis que a gente está vivendo no longo prazo”, afirmou Maluhy.

Equilíbrio fiscal

Noronha vai pelo mesmo caminho ao dizer que não há outra saída: é preciso equilíbrio fiscal e uma estabilização da dívida para que ela não suba nessa proporção em relação ao PIB.

“O Brasil tem saída e a gente precisa colocar o nosso país com uma trajetória de crescimento perene, ainda que seja o primário, para que a gente equilibre o crescimento dessa dívida.”

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Sallouti lembra ainda que o mundo geopolítico que conhecíamos desde o início da década de 1990 “não existe mais”.

“Então, é um mundo polarizado, conflituoso. O nível de taxa de juros que a gente conhece desde 2008 e 2009 não existe mais, especialmente pelos excessos fiscais globais.”

Novamente, o CEO do BTG deixa claro que, se “nós não fizermos a nossa lição de casa, a gente vai ficar num lugar não favorável perante o resto do mundo”.

“Olha o que está acontecendo com o mercado da Coreia e de Taiwan e olha o que está acontecendo com o mercado do Brasil. Então, nós temos que fazer a nossa parte.”

Produtividade

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Outra palavra bastante citada pelos CEOs foi produtividade. Para Sallouti, não é possível que o Brasil conte somente com o crescimento populacional para aumentar seu potencial de crescimento.

“Nós temos que ganhar produtividade. Educação, uso de tecnologia, infraestrutura e assim por diante. Na minha visão, isso é uma agenda de 15 anos.”

Coube a Carlos Vieira, da Caixa, porém, dar seu lado mais ‘otimista’. Segundo ele, o país está preparado, com grandes potenciais. “Tudo que o país tem hoje à nossa disposição para fazer essa transformação está posto.”

Porém, apontou um problema: a questão da produtividade. “O fator investimento talvez seja o grande elemento para a gente fazer essa grande virada nesse ciclo que se avizinha”, colocou.

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Editor-assistente
Formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, cobre mercados desde 2018. Ficou entre os jornalistas +Admirados da Imprensa de Economia e Finanças das edições de 2022, 2023 e 2024. Possui curso intensivo de mercado de capitais oferecido pelo Insper em parceria com a B3. É também setorista de bancos. Antes, atuou na assessoria de imprensa do Ministério Público do Trabalho e como repórter do portal Suno Notícias, da Suno Research.
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