Petróleo recua 2% com nova ofensiva econômica dos EUA contra Irã
Os preços do petróleo fecharam em queda nesta segunda-feira (24) em correção de ganhos recentes após seis sessões consecutivas de alta, colocando em segundo plano o baixo tráfego pelo Estreito de Ormuz e as novas sanções dos EUA ao Irã.
O contrato mais líquido do petróleo Brent, referência para o mercado internacional, para outubro terminou o dia com baixa de 2,30%, a US$ 90,54 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Já na New York Mercantile Exchange (Nymex), nos EUA, o contrato do petróleo West Texas Intermediate (WTI) também para outubro fechou em queda de 2,35%, a US$ 85,01 o barril.
O que movimentou o petróleo hoje?
Os EUA sancionaram nesta segunda cerca de 50 empresas e 30 indivíduos com ligação ao regime iraniano, enquanto o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, ameaçou cortar países que tenham laços econômicos com Teerã do sistema financeiro do dólar, ao anunciar a operação “Economic Outcast” – ou “Pária Econômico”, em português.
O regime persa, entretanto, diz que considerará o apoio de qualquer país às novas medidas econômicas dos EUA contra o Irã um “ato de guerra” e que a campanha de pressão econômica de Washington fracassará.
O chefe de Segurança iraniano, Mohsen Rezaei, sugeriu ainda que Teerã pode reconsiderar sua rejeição de longa data às armas nucleares, argumentando que os ataques dos EUA ao país fortaleceram o argumento para a aquisição de bomba atômica como forma de dissuasão.
Tensões também continuam no navegação do Golfo Pérsico após a Arábia Saudita confirmar que um navio foi atacado pelos Houthis do Iêmen, grupo ligado ao Irã, no Mar Vermelho. Segundo a Kpler, menos de 20 embarcações de commodities transitaram pelo Estreito de Ormuz no fim de semana.
Embora as sanções tenham um alcance mais amplo, grande parte da atenção estará nas implicações para as exportações de petróleo do Irã, diz David Oxley, da Capital Economics.
“Na prática, suspeitamos que o novo pacote terá apenas um impacto direto limitado nos fluxos de energia iranianos no curto prazo”, já que a maioria das exportações de petróleo vai para a China, que não reconheceu as sanções dos EUA no passado, acrescenta Oxley.